terça-feira, 18 de março de 2008

Doce lua

Já estive exilada do mundo,
Hoje o cheiro da noite me faz lembrar,
O imenso vagalume de prata escondido na neblina,
Luz nostalgica dos meus tempos de menina.

Voa sem asas? Perguntava-me,
E os becos, na madrugada ela ilumina?
O cimento não é feito de brilhantes,
Mas reluz, às estrelas, diamantes.

Nos observa, lá de longe, a lua prata,
Enquanto inventamos suas lendas,
Cavaleiros, dragões e saudades,
Do tempo em que o tempo me restava,
E todas as noites, a ela me dedicava.


Espetáculo dos apaixonados,
Refúgio de solitários desesperados,
Ilumina cada canto, cada rua,
Companheira dos poetas inspirados,
Paira no céu, e reluz a doce Lua.