sábado, 22 de novembro de 2008

Presenciei um acidente ainda esta noite!

Acabo de chegar em casa. Estava até poucos minutos atrás em uma festa de comemoração à vida de uma grande amiga da família, que venceu uma doença gravíssima, uma verdadeira guerreira. Pouco antes de chegar ao local, estávamos... eu, minha avó e meu avô, que dirigia o carro, a caminho da festa, quando um carro, que vinha na direção contrária, decidiu fazer o contorno. O único problema é que estávamos no meio de um viaduto, ou seja... não havia acostamento! O rapaz começou a contornar (no meio do viaduto mesmo), só que o carro vermelho que estava na nossa frente, ia em uma velocidade elevada, e assim que o rapaz contornou, bateu no carro vermelho, jogando-o lá de cima do viaduto em direção à linha do trem.
Poucos minutos antes eu observava (distraidamente) o rapaz que estava fazendo o contorno, mas nem havia notado que aquilo era tão absurdo, afinal nem estava prestando atenção. Só "acordei" mesmo quando vi o carro vermelho dando três voltas no ar. O barulho da derrapagem foi muito forte, voaram inúmeros caquinhos de vidro no nosso carro, e vi muitas faíscas dominando a pista. Meu avô, no mesmo instante, freiou o carro bruscamente. Houve um silêncio de morte. Por apenas alguns metros nossa vida foi poupada!

Demorou alguns segundos para realmente cair a ficha do que havia acontecido. Fui percebendo aos poucos a gravidade do acidente e o risco pelo qual passamos. Meu avô parou o carro no acostamento e foi ver se precisavam de ajuda, como estava a situação do carro que havia caído (ele havia virado de cabeça para baixo!). Enfim, desci para tomar um ar, já que o mesmo passara a me faltar. Comecei a tremer cada vez mais e lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto gradativamente. Em certo momento, precisei ser acalmada pela minha avó, estava praticamente descontrolada. O que mais havia me assustado foi que, minutos antes, um pouco a frente, meu avô havia feito o mesmo retorno no meio da pista, mas.. com mais cautela. Parou no acostamento, viu se havia algum carro por perto, só então virou, para não precisar ir até o fim da avenida, na rotatória.

Cheguei à festa com o rosto vermelho e a maquiagem escorrida; tremendo e extremamente alterada. Não sei se estava mais nervosa por pensar que poderíamos ter sido nós caindo daquela altura, ou se estava realmente com muita pena da vítima e de sua família; ou se estava chocada com o fato de, enquanto eu estava em uma festa, o pobre coitado estava em uma UTI... não sei!

Sei apenas que depois daquele acidente percebi o que sempre havia escutado em filmes e jornais, mas nunca havia sentido: nossa vida não vale nada! Em um segundo estamos conversando, ou falando qualquer bobeira, e no outro podemos estar MORTOS. Imaginei, se estivéssemos alguns metros a frente, minha últimas palavras teriam sido: "- Puta mew, que sono que eu tô!". Complexo não? É quase inacreditável uma história dessas, imagino... pois eu que presenciei uma morte exatamente na minha frente quase não acreditei... imagino vocês! É isso... se soubéssemos quando iríamos morrer, planejaríamos nossas despedidas, últimas palavras, o lugar etc. Mas, como disse alguns segundos atrás, não temos tempo nem de cair na real, entender o que está acontecendo, que já estamos mortos.

A vida deve ser vivida intensamente. Vou dizer algo banal, algo que, com certeza, já ouviram em muitos lugares, mas acredito que, só quem SENTIU a tal frase, como eu senti nessa mesma noite, pode ver o quanto cada palavra invade seu mais profundo interior, causando um arrepio mortal nas entranhas: viva cada minuto como se fosse o último!