segunda-feira, 24 de março de 2008

À Luiza


Esperei toda a vida,
Sei que de nada adiantou,
Um dia, sem mim, foste embora,
Hoje sou eu que chorando vou.

Caminhamos juntos, em lugares distantes,
Por onde ando, ouço sua voz,
Recordo com clareza todos os instantes,
Em que o amor esteve aqui entre nós.


A história permanece.
Por quem um dia me amou,
E hoje a calma prevalece.

Não sofro mais por ti,
Foi-se o tempo da saudade,
E hoje sei que te perdi.

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"Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza"
Luiza - Tom Jobim.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Eu quero uma casa no campo!


"Casa no Campo

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais"

quarta-feira, 19 de março de 2008

"É sina de Pierrot chorar por Colombina!"


"Quanto riso, oh, quanta alegria; mais de mil palhaços no salão. O Arlequim está chorando pelo amor da Colombina, no meio da multidão..." - Espere, quem chora por mim não é o Arlequim! - Colombina analisava a antiga canção carnavalesca - Quem sofre por amor, que eu saiba é o Pierrot!

- Me acostumei a ser injustiçado! - Pierrot interrompe a longa análise de Colombina - "Amar sem ser amado é melhor morrer crucificado", como diz o velho ditado.

- Ora, Pierrot... deixe de lado o sofrimento! - consolava Colombina - Não posso escolher qualquer sentimento!

- Bela Colombina, caso fosse assim, escolheria não amar Arlequim?

- Escolheria simplesmente não amar, seria fácil evitar a dor. Pra que um dia venha a me deixar e eu passe a conhecer o desamor. Vê Pierrot, como tudo é sem sentido? Me apaixono facilmente interpretando um verso lido!

- Pois meu amor terá a cada novo dia. Já Arlequim não lhe exalta a garantia.

- Mas, Pierrot, minha vida é tão vazia! Não é o calor da alma que afaga a nostalgia!

- Então é isso? Confia seu amor a quem não lhe quer? Arlequim não a vê 'Colombina', mas qualquer outra mulher. Já eu lhe vejo pura, minha menina!

- É amor verdadeiro, ou apenas obsessão? - pergunta Arlequim em um tom irônico encarando Pierrot - Não use chantagens para ganhar um coração!

- Colombina é minha vida, e não um objeto de desejo. Quero ganhá-la com palavras, e não com a força de um beijo! - responde Pierrot irritado.

- Egoísmo seu querer "ganhá-la". Aceite o melhor para ela, deixe que eu passe a amá-la! - conclui Arlequim.

Pierrot perde a cabeça por alguns instantes, mas em seguida fica sem reação. É pouca a força da raiva diante de um bom coração. Colombina ajeita a saia e se mostra indecisa, caminha por toda a sala, mas somente os analisa. Arlequim sorri sarcástico, seu olhar é indecente, ninguém entenderia o eterno segredo de sua mente.

Colombina sorri para um e o outro lhe segura a mão. Um lhe causa um tremor quente, outro lhe acalma o coração.

- Sou apenas menina, por isso sinto tanta dor, de Arlequim é meu desejo, de Pierrot é meu amor. De nada adianta ter sonhos impossíveis e somente me iludir, no fundo sei que entre os dois jamais irei me decidir. "Agora chora Pierrot que é sua sina, é sina de Pierrot chorar por Colombina!"

terça-feira, 18 de março de 2008

Doce lua

Já estive exilada do mundo,
Hoje o cheiro da noite me faz lembrar,
O imenso vagalume de prata escondido na neblina,
Luz nostalgica dos meus tempos de menina.

Voa sem asas? Perguntava-me,
E os becos, na madrugada ela ilumina?
O cimento não é feito de brilhantes,
Mas reluz, às estrelas, diamantes.

Nos observa, lá de longe, a lua prata,
Enquanto inventamos suas lendas,
Cavaleiros, dragões e saudades,
Do tempo em que o tempo me restava,
E todas as noites, a ela me dedicava.


Espetáculo dos apaixonados,
Refúgio de solitários desesperados,
Ilumina cada canto, cada rua,
Companheira dos poetas inspirados,
Paira no céu, e reluz a doce Lua.

domingo, 16 de março de 2008

Nota sobre ela

"Eu nunca faria uma plástica! Cada ruga que tenho em meu rosto é um filho, um neto, uma lembrança. Cada imperfeição da minha pele é um pedaço da minha história. Para que apagar a maior prova de minha experiência?"


Primeiro post!!

Finalmente... após tanto tempo tentando relembrar os vestígios de insanidade que passeiam nos meus pensamentos, decidi anotá-los... quem sabe assim fica mais fácil?? Só não garanto que dure mais de um mês. A preguiça, muitas vezes não me deixa nem ao menos estudar, quem dirá postar besteiras em um blog, pois sim... para mim podem ser alguns vagos pensamentos, mas para qualquer um podem ser apenas besteiras. Mas... vamos lá, vou tentar escrever um pouco do meu dia-a-dia "secreto e misterioso" (huhuhuhuhu... tãããããoooo).
Tenho certeza que vão sair belas besteiras interessantes!!

(...)


Ah, sim, antes de mais nada... dia 13 de março... quinta passada... foi aniversário de uma pessoa maravilhosa... mais um ano relatado no longo livro da saudade...
Já são 35, digamos, na "flor-da-idade" hauahauahauahau...
Com apenas 35 já aprendeu a ser forte.. já passou por coisas que muitos desejariam jamais passar.. já foi julgada.. já aprendeu a amar.. já desaprendeu a amar.. já aprendeu a amar denovo.. já aprendeu a ensinar a amar.. já escreveu parte de sua história, e da minha também...
mas ainda não viveu o bastante para que estejamos satisfeitos de sua presença..
e hoje, continua iluminando a vida de todos, principalmente a minha...
parabéns mãe!!