segunda-feira, 19 de maio de 2008

Marianne...

20 de maio de 2008 - Dia mais que especial para todos nós, merece uma postagem especial e caprichada!

A Menina da Praça

"Havia uma jovem que todas as manhãs cuidava da praça principal da cidade. Apesar de sua pouca idade, a menina já trabalhava como varredora de rua. Muitas vezes ficava observando o pouco movimento que havia. Babás com carrinhos de bebês, homens apressados com suas pastas indo para o trabalho, casais de namorados trocando abraços e tomando sorvetes.

Em um dia, não propriamente especial, uma roda de senhores bem mais velhos do que ela, a fez parar seu serviço por um instante. Estavam sentados em uma mesa de pedra, com a tampa coberta por mosaico, e em meio a gritos e cutucões jogavam algum tipo de jogo que envolvia apostas e cartas. A menina, curiosa, deixou sua vassoura em um canto e se aproximou da mesa. Muitas outras pessoas observavam a cena, concentradas. Algumas riam, outras tentavam atrapalhar o jogo, outras simplesmente davam dicas...

A menina, não satisfeita em apenas observar, aproximou-se um pouquinho mais e puxou seus cabelos claros, que caiam até a altura da cintura, para trás. Seus traços e expressões poderiam ser muito bem observados por aqueles que desejassem, mas todos estavam muito ocupados prestando atenção no jogo. A menina então atreveu-se: "Desculpem-me senhores, mas como se joga esse jogo?". Todos permaneceram em silêncio. A menina tornou a perguntar: "Por favor, vocês podem me ensinar quando acabarem de jogar?". Ainda assim, ninguém respondeu.

A jovem saiu de perto e continuou trabalhando pelo resto do dia. Colheu as folhas secas uma a uma. Pegou os papeizinhos que voavam na sinfonia do vento, e esvaziou todas as latas de lixo existentes naquela pequena praça.

No dia seguinte, a menina estava lá novamente, e voltou a observar o jogo dos tais senhores concentrados. Ao final do jogo, quando percebeu que a partida estava acabando, insistiu em perguntar: "Gostaria muito de conhecer esse jogo! Algum dos senhores pode me ensinar?". O silêncio permaneceu e uma certa frieza espalhou-se com o barulho somente das aves que passavam, nada mais.

E foi assim durante semanas. Todos os dias a menina insistia em perguntar o objetivo do jogo, e as respostas, por mais que ela esperasse, nunca vinham.

Em uma manhã ensolarada, a menina assistia o jogo dos mesmos senhores que sempre frequentavam a praça, quando achou que era a hora de perguntar: "Senhores, esse jogo eu não conheço, e achei..." Quando foi interrompida por um movimento brusco de um deles. O homem se levantou, parecia ter por volta de seus cinquenta anos, e o rosto estava marcado por fatos e sentimentos. Antes que a jovem pudesse ao menos terminar a frase, o senhor pôs-se a gritar: "Menina, não vê que está nos atrapalhando? A senhorita é um tanto quanto insuportável!"; antes que pudessem notar as lágrimas que brotavam dos olhos da menina, um outro senhor largou o charuto que segurava e deixou todas as suas cartas se espalharem pela mesa, e completou: "Exatamente! Está nos atormentando há tempo! Não percebe que, dia após dia, não a queremos aqui?".


Mesmo desacreditada com a situação, a menina correu para o mais longe que conseguiu e não mais apareceu naquela praça.

No dia seguinte o sol não raiou. A praça estava quase deserta, nem mesmo o sorveteiro, que trabalhava ali por muito tempo, havia aparecido. Os senhores então, puderam jogar seu jogo sem ser incomodados.


Um longo tempo depois a praça estava completamente imunda. Era lastimável o estado que aquela bela e primaveril praça havia chegado. Haviam papéis de propagandas espalhados por todos o chão. As folhas secas cobriam o belo caminho de pedras rústicas e as latas de lixo transbordavam. A praça ficou abandonada por muito tempo, até o dia em que nem mesmo os senhores jogadores concentrados conseguiram permanecer por muito tempo lá. Assim que pararam de se ver, a amizade deles foi acabando aos poucos. Junto com a desiludida e humilde garota, foram os mais puros sentimentos daqueles senhores, e as chances de se salvarem da rotina emocionalmente exaustiva e nostálgica que levavam. Aquela mocinha que parecia ser totalmente ignorante sabia mais do que ninguém como levar alegria aos lugares que passava. E assim que se foi, levou todo o encanto da praça com ela."




Existem pessoas que são exatamente assim. Não são raríssimas personalidades, não tem uma característica marcante, ou uma maneira significativa de se expressar, mas só de existirem já conseguem cativar a todos sem precisar mover uma peça de lugar. Muitos não dão valor à companhia dessas pessoas, muitos até mesmo esquecem que a tal pessoa existe, mas quando estão distantes, vemos que essas pessoas, apesar de tão distantes e reservadas, são a base de tudo: de uma família, de uma amizade, de um amor, de uma história.

Criei esse conto justamente para explicar como é essa pessoa maravilhosa que é a minha tia-anjo-fada-madrinha. Nem toda doçura de uma criança conseguiria ser o suficiente para competir com as reservas de fragilidade (aparente) que ela guarda. Fragilidade 'aparente', pois por trás dessa mulher com jeito de menininha e coração de criança, se esconde uma super-heroína que em questão de características é a mais reservada da família, mas em questão de equilíbrio e força, ela desbanca todos nós com apenas um sorriso.

Parabéns por mais um ano de vida, e de conquistas minha 'segunda-mãezinha'. Se quiser uma característica exclusiva e marcante, fique com "iluminada". Essa é, e sempre será sua característica mais marcante, afinal, é toda a sua luz que une nossa família nos momentos mais difíceis. Você é a base da nossa união. Você é a menininha que limpa a praça de nossas vidas!!!

Te amo tia Mari!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Desastre vespertino

O que fazer? Repito: O que fazer? Minhas mãos estão ocupadas. Estou com fome, quero um pedaço de queijo! Mas, ai ai ai, se eu colocar estes livros na mesa da cozinha vou ter que pegá-los novamente após cortar uma fatia, e eles vão voltar para o mesmo lugar! Se já estão aqui, é melhor que continuem! Então VIVA o pecado da preguiça!...

Já sei! Vou abrir a geladeira com o pé, dar um empurrão na porta da mesma com as costas, e com a mão livre, tiro a tampa do "porta-queijo", corto uma fatia e tampo novamente, tudo isso antes da porta da geladeira voltar! Assim não tenho o trabalho de deixar todos os livros na mesa, e depois não preciso pegá-los novamente. Ah, é genial! Sou o ninja da preguiça caseira! Então vamos lá...

Abro a geladeira, mas algo ocorrido não estava nos meus planos...

Oh não! O prato com a goiabada está em cima do porta-queijos, mas que desordem! Essa geladeira parece ser governada pelo Lula. Mas aos poucos vou equilibrando tudo e colocando cada coisa em seu devido lugar. E tudo com uma mão só! (Uma mão com cinco dedos, claro.)

Pego o prato com a goiabada. Ok, mas agora... onde colocá-lo?

Já sei! Vou colocá-lo na mesa da cozinha, aí tiro a tampa do porta-queijos, corto uma fatia, o tampo novamente, pego a goiabada na mesa e a coloco no lugar de onde a tirei. Espera! Mas até eu levar a goiabada para a mesa a porta da geladeira já fechou! (sim, ela fecha sozinha). Ah, eu seguro com o pé! Na vida de um adolescente os pés não têm outra utilidade senão pular janelas e segurar coisas.

O plano é elaboradíssimo: Coloco o prato de goiabada em cima do pote de margarina, e com uma mão tiro a tampa do porta-queijos, a apoio no joelho, e vou cortando uma fatia, mas eis que o prato de goiabada, já inclinado, escorrega pelo pote de margarina e cai dentro de uma enorme tigela com canja de galinha que estava no fundo da geladeira. E é canja de goiaba pra tudo que é lado! A faxineira, que neste momento assistia em sua casa o Programa da Tarde, certamente sente uma pontada no coração. Ai que dor! Ai que chão lambuzado!

E o próximo que fosse provar o resto da canja certamente se deliciaria com uma exótica receita criada pela chef Ninja-Preguiçosa-Estabanada. Coloco a fatia de queijo na boca, tampo o porta-queijos, tiro o prato de goiabada de dentro da tigela de canja e grito:

- Vó, provoquei um acidente aqui com o pote de canja!

Mas antes que eu pudesse ouvir a resposta, o pedaço de queijo que já estava na minha mão, se quebra e vai parar no chão. Minha avó responde:

- Tá, mas não suja o chão que a Rose limpou hoje!...

- Mas vó, você ouviu? Eu estraguei a canja, tá?! - disse eu enquanto me virava procurando o pedaço de queijo que estava no chão. Com os livros atrapalhando a minha visão, escorreguei no pedaço de queijo, e ainda segurando os livros, me apoiei com a mão que estava livre na mesa, mas sem querer meti a mão dentro do prato de goiabada com caldo de canja que eu havia acabado de tirar da geladeira. Um tombo na fatia de queijo e uma apoiada num balde de canja de goiaba e é comida pela cozinha inteira! Nesse instante minha avó desce as escadas dizendo:

- Não entendi nada, menina! ... O que está acontecendo aí?

Me vendo naquela situação, com o que restou da pilha de livros em uma das mãos, a outra atolada no prato de goiabada, com o caldo da canja "visivelmente visível" e o pedaço de queijo esmagado no chão, urrou:

- MINHA COZINHAAAA!!!!!

Ainda com um pouco de fome, sem forças para sequer tentar cortar outro pedaço de queijo, com uma das mãos meladas, o tênis escorregadio e deixando a cozinha toda suja, subi para o meu quarto, em total fracasso. Num placar de dez a zero para o monstro do regime que assombra a cozinha, coloquei-me a estudar engolindo nada além do ódio da confusão toda.