domingo, 13 de dezembro de 2009

Poema aberto

E fecham-se as cortinas...
Bate o frio desalento;
Rompemos a linha tênue
Entre a paz e o tormento,
Que após fotografias, risadas e cores,
Inexpressiva,
Invisivel,
Inotável,
Fica ali.
Escorre toda a maquiagem.
Diluem-se lembranças e amores
O artista vira gente,
O palco já não mais expressa afeto.
Chega a hora de sentir, bem na hora de não-sentir,
Que somos tudo, somos nada.
Somos a dor, revoltada, lutando para existir.
Chega o momento da exaustão,
Artista, palhaço, bailarina...
Vivendo, respirando sons;
Em seu mundo de purpurina
Sendo somente humano,
Um poema aberto em meio a multidão.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

- maitê, minha Paixão!


Minha florzinha. A pequena que eu vi nascer já esbanja sentimento nos palcos por aí.
Aquela que mal pronunciava meu nome, mas já erguia os bracinhos em minha direção, pouco se importando se eu era pequena demais ou inexperiente o bastante a ponto de não conseguir carregá-la; aos poucos se torna uma menina-moça.

A companheirinha, que comigo assistia desenhos e afins durante a madrugada, não julgando minha irresponsabilidade de não colocá-la para dormir cedo naquelas noites de baile, já se expressa com a arte do corpo.

Minha pequena artista, minha fonte de ternura, minha representação de doçura.

Bonequinha real, com quem brinquei dias a fio, despertando meu instinto maternal.

Doce irmã, pura, imaculada. Estes versos que escrevo já não me valem mais nada se não te puseres a ler.

Não há no mundo amor de prima mais adorada, que tenho por esta, a qual tento descrever.

Espero que ainda ilumines palcos e palcos, vidas e corações e seja sempre extremamente querida;

Espero que sejas a artista mais amada, valorizada e exuberante do espetáculo da vida.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O mundo é um moinho;


video

O Mundo É Um Moinho

Ainda é cedo amor
Mal começastes a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó.

Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

mês 12

Chegamos mais uma vez ao fim;
Onde tudo fica bem, até que algo novo atrapalhe...
Chegamos à época de sonhos, brilho, luz, alegria;
Voltamos à infância por algumas breves horas
E acompanhamos por segundos devaneios alheios.
Chegamos no ponto que determina o futuro e afasta o passado;
Chegamos, juntos! Dividindo sofrimentos e momentos na época que já é especial, por si só! Bom fim de ano a todos! Bom início de Dezembro!

sábado, 21 de novembro de 2009

Um pouquinho do meu futuro;

Esse ano foi, sem dúvidas, o mais marcante da minha vida, tanto para o bem, quanto para o mal. Não somente por ser um ano de transição, de mudança de fase, de despedidas, de medos, inseguranças etc, mas por uma série de acontecimentos que não valem a pena comentar.
Desde muito nova decidi que ia sair de minha cidade assim que já tivesse a autonomia necessária para cuidar de minha própria vida. Sempre soube que não ia ser fácil. Aos 12 anos decidi fazer teatro, mas não daquela maneira utópica e idealista que muitas meninas dessa faixa etária optam; escolhi fazer teatro sabendo que era uma carreira difícil, disputada, injusta e não muito valorizada. Fui muito criticada pela minha família. Vez ou outra minha mãe me apoiava, mas eu sentia nela o medo de que eu me tornasse amarga, insegura, ou até mesmo passional demais. Mas segui em frente. Mantive minha decisão, como a mantenho até hoje. Estou prestando os vestibulares para artes cênicas em universidades públicas e particulares.
Outra idéia fixa que, diferentemente da iniciação nesse meio artístico, já não foi tão criticada, foi a vontade enorme de morar em capital. Sempre passei todas as minhas férias no Rio ou em São Paulo, mas nunca cheguei a ficar por mais de um mês em nenhuma das duas cidades. Posso dizer que não gosto de minha cidade. Tenho um carinho especial pelas lembranças, por minha infância que ficará sempre guardada aqui, e por todos os amigos e colegas que comigo compartilharam cada momento de suas vidas; mas só quem mora em cidade de interior sabe como é, e conhece de perto certos problemas que, embora muitas vezes pequenos, me encomodam muito mais que os problemas das cidades grandes.
Minha maior dúvida agora é quanto o lugar. O Rio tem seus encantos, seu astral, a natureza, a paz e toda aquela alegria carioca que me encantaram desde que eu era muuuito pequenininha. Mas São Paulo, por sua vez, tem aquela agitação, a diversidade e acredito que maior potencial artístico que o do Rio, sem contar que fica mais perto de minha cidade, mais perto da minha família. Tenho parentes em ambos os lugares. Gosto mais do Rio, mas sinto que meu perfil combina mais com SP. Sinceramente... não sei o que faço. Passei em uma particular em São Paulo e é bem provável que eu passe na do Rio também. O resultado sai só dia 1 de dezembro.
Independente da cidade que eu escolha vou ter que assumir minha vida daqui para frente. Morar sozinha, fazer supermercado, acordar cedo sem ninguém para me chamar, arrumar o apartamento, ir para a faculdade sem meu avô para me levar e o pior de tudo: estou animada! Daqui alguns meses venho aqui reclamar, mas por enquanto estou gostando da idéia. hehe
A pouco tempo atrás minha avó preparava meu jantar, eu assistia Disney Club e sonhava em ser uma das Chiquititas, e parece que passou tão rápido, tanta coisa aconteceu! A vida passa mais rápido do que imaginamos. Ontem mesmo eu era uma criança e, antes que eu pudesse reclamar de qualquer coisa, já surgiram problemas maiores e o tempo havia mudado minha forma de ser, minha forma de pensar... Bem, quando eu tiver informações concretas conto a vocês, sem falta! Boa noite meus amigos, tenho que dormir, amanhã tem Fuvest. Grande beijo a todos! Fui!

domingo, 1 de novembro de 2009

o que é infância [?]


Fechei meus olhos por algum tempo e quando abri... o tempo ja havia passado! Mas que coisa!, minha priminha cresceu, as pessoas envelheceram, minha cidade mudou... eu cresci, e na mesma proporção meus problemas aumentaram.
Na mesma velocidade que minha infância passou posso fechar os olhos e não mais acordar.
E existe algo mais doce que a infância? Por mais amarga que seja.. é a infância!, e você é o centro de tudo, mesmo que não seja o centro de nada. Você cria seu mundo mesmo que não permitam e acha que é feliz, mesmo não sendo!

A infância é a fase em que você se sente mais perto de tudo, mesmo estando tão longe do mundo. Você vive presa a correntes familiares mas quando fecha os olhos conhece lugares em que você mesmo não imaginava que existiam.
Você está mais perto das flores, dos jardins e tudo é novidade. Você encontra beleza nas formas e cores dos objetos, e imagina histórias nos simples formatos das nuvens. Seu nível de aspiração é baixo, fazendo com que mais vezes você realize seus sonhos.
As coisas ruins estão sempre distantes, e sua casa é seu santuário. Seu lar é sua escola e seu conforto. Seus familiares são seus anjos, seus heróis, seus exemplos. Os livros são ferramentas mágicas, os filmes sempre têm finais felizes e os defeitos físicos não passam de características comuns dos seres humanos.

Então você cresce. Cresce não! Conhece. O tempo passa e você começa a conhecer a vida. Passa a compreender do que as coisas são feitas, as origens dos problemas e os defeitos das pessoas. O mundo mágico acaba e o lado obscuro da vida se revela. É nessa transição que alguns preferem manter a pureza infantil, enquanto outros mergulham no poço amargo dos novos conhecimentos. É nesse misto de idéias e excesso de informações que formam-se as diferentes personalidades, e sem a chamada 'base familiar' estamos perdidos!
O interessante é que, independente de seu caráter, todos já tivemos infância, e cada um de nós já teve seus sonhos ou sorriu na presença de alguém. Cada um de nós já foi feliz com algo pequeno, mesmo que as lembranças tenham sido ignoradas. Espero guardar minha infância para sempre em minha mente, como a fase 'limpa' e não um tempo que não volta mais.

sábado, 10 de outubro de 2009

fases

A felicidade é relativa; sempre relativa. O que me faz feliz pode ser pouco para você e vice-versa. O fato é que hoje estou feliz, e decidi escrever.
Para quem não sabe (acho que contei somente para alguns amigos, minha mãe está passando por um tratamento em uma clínica a exatamente 2 meses e 26 dias (sim, eu estou contando dia após dia o tempo em que ela está lá). No começo deste ano ela estava muito mal e foi piorando gradativamente. Sua doença emocional, a bipolaridade, acabou desencadeando uma série de outros distúrbios, entre eles a anorexia, o que resultou em uma internação involuntária às pressas.
Tenho encarado esse tempo em que ela está longe como um 'cartão de entrada' para uma nova vida, uma chance, uma oportunidade única de estabilizar seu humor e voltar a ser a mulher guerreira e linda que todos admiram.
Hoje é sua primeira 'ressocialização'. Ela foi liberada pela clínica para passar 3 dias em casa, na companhia dos familiares, como forma de incentivo ao tratamento.
Meu padrasto a buscou de manhã, chegaram logo após o almoço, e logo em seguida chegaram meus tios, tias e minha priminha.
Exatamente nesse momento estou escutando as vozes e risadas vindas da cozinha, e se querem saber (ou não)... percebi que são mais que apenas momentos em família, são a representação do meu passado, é meu feliz presente, e quem sabe até mesmo parte do meu futuro? São momentos únicos, marcantes, que me levam a refletir... E se um dia tudo isso acabar? Por que passamos por tantas tempestades para retornarmos ao ponto inicial? Quem decide quando esses momentos estarão presentes?
Mas nunca passam de momentos de reflexão.
A verdade é que jamais teremos essas respostas, jamais saberemos quando esses dias chegarão.
Só quero estar sempre consciente de que esses momentos são únicos, e aproveitar ao máximo cada segundo perto de minha família, de meus amigos, e de mim mesma; afinal, passamos por fases difíceis, fases alegres, e nunca somos compleamente felizes, o que nos torna cada vez mais fortes e compreensivos.
Acreditem... Se minha família ainda consegue ter momentos de alegria, é porque nunca perdemos as esperanças, e qualquer um pode conseguir ser feliz, basta desejar isso com muita fé! Tenham um óotimo sábado, e saibam que, quando me refiro aos amigos, isso inclui todos vocês, os amigos virtuais!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Bem tarde

No canto da sala de janelas pequenas e brancas estava sentada uma pequena criaturinha com seu livro de capa azul sobre os biomas brasileiros. Chovia desde as três da tarde e já estava anoitecendo. Os ponteiros do relógio arrastavam-se e o telefone no final do corredor tocava de minuto em minuto. O colégio estadual primário estava vazio, embora todas as luzes ainda estivessem acesas. A menininha, que mexia incansavelmente no canto de suas unhas do polegar, não se importava com o fato de estar sozinha, e nem ao menos levantava os olhos quando ouvia os raros passos largos que ecoavam no corredor de piso frio.
Passaram-se duas horas e a pequena ainda estava lá, sentada no cantinho da sala, em um banquinho de madeira todo colorido. Estava tensa e imóvel. Não era uma quinta-feira qualquer, era o dia em que completaria oito anos, e milhões de sonhos passavam na sua mente de criança.
Ouviu através da janela um barulho de motor, e sentiu uma luz muito forte do farol de um carro atravessar os vidros quebrados da janela da sala da frente; mas não se moveu. Parou de mexer nas unhas por alguns instantes e cruzou os dedos. Minutos depois, ao perceber que tudo estava como antes, deu um suspiro profundo e fechou os olhos por alguns instantes. Encostada no canto da parede, adormeceu.
Já era tarde quando uma simpática senhora ruiva veio chamá-la. A pequena abriu lentamente os olhos ao som dos portões de ferro do colégio sendo fechados. A mulher colocou-a de pé, ajeitou o vestido da menina enquanto dizia algo como: "Vamos meu bem, vou levá-la até sua casa." A criança, esfregando os olhos claros de cílios longos explicou:
- Me desculpe professora, mas não posso ir agora, meu pai me pediu que eu o esperasse aqui!
Deixando os livros de lado, a senhora ruiva ajoelhou-se, pegou as mãos da menininha e insistiu: "Eu vou levá-la pois seu pai me pediu agora mesmo pelo telefone. Ele teve um imprevisto e não poderá buscá-la!"
A pequena olhou mais uma vez para seus dedinhos pequenos e brancos, passou as mãozinhas no cabelo, pegou seu livro de capa azul e acompanhou a professora de volta para casa enquanto lembrava-se da figura sempre ausente a quem chamava de 'pai'. Anos depois, quando o mesmo fosse beijar sua testa ao parabenizá-la por alguma conquista, poderia até mesmo sorrir em retribuição, mas jamais se esqueceria das marcas de sua infância.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Anjo meu;

Anjo meu, quando saístes do chão minha certeza era única: ia embora para não mais voltar.
Estava pronta para voar e levaria consigo a minha vida;
Deixaria minha história, levaria meus sonhos;
Deixaria lembranças, mas me deixaria aqui, serena e só.

Em outras tantas quedas percebi que sempre estaríamos nós, sós, plenas;
E mesmo que existisse um outro mundo, um outro lugar...
Nosso pesar era viver aqui...
E nossa dádiva era estarmos juntas, fortes, companheiras;

Não vi que o tempo passava,
Dizia-me que o relógio estava parado, e que quem passava éramos nós.
Acreditei, sofri, tentei mudar, juro!
Mas os ponteiros sim se mexiam, e não nossos valores.

Os dias iam embora, não os nossos costumes.
Éramos iguais, e o tempo passava;
Esperei acordar de um devaneio insano e torturante,
Mas em um instante me vi apática, traumatizada, só que em uma rotina indolor;

Fomos sempre os mesmos, todos nós.
Mesmos defeitos, mesmas ideias, mesmas histórias...
O que mudara era o mundo ao nosso redor,
As pessoas, os valores, os sentimentos.
E envolvida nesse mundo tornara-se outra.
Mas que como num ciclo, há de voltar ao início, nem que isso ocorra em sonho!

domingo, 9 de agosto de 2009

Dia dos Pais

Prometi que iria fazer uma postagem séria sobre o Dia dos Pais, e como sempre cumpro minhas promessas estou aqui!
São apenas algumas palavras a essas figuras maravilhosas de nossas vidas que alguns, como eu, não tiveram oportunidade de conviver; portanto, minha homenagem é para não somente os pais biológicos, mas a todos os que se encaixam na minha definição...

Aos pais,

Aos pais presentes, aos pais distantes;
Aos pais de sangue, aos pais que criam;
Aos que são pais duas vezes, e aos que são 'segundos-pais';
Aos pais que amam demais, e aos que gostam de amar demais;
Aos pais que erram, e aos que sofrem por errar;
Aos pais que sabem nos alegrar, e aos que tentam;
Aos pais que lutam pelo futuro de seus filhos;
Aos pais que dariam suas vidas pelo bem de sua família;
Aos pais que enfrentam a rotina exaustiva;
Aos pais que vêem os filhos toda manhã;
Aos pais que lembram-se deles toda manhã;
Aos pais que sempre estiveram por perto;
Aos pais que nunca estiveram por perto, mas se arrependem disso;
Aos pais negros, brancos, amarelos, vermelhos, pardos;
Aos pais adotivos!
À meus tios, meu avô, meu padrasto, e à meu pai...
UM FELIZ DIAS DOS PAIS!

Que Deus ilumine a vida de todos vocês!

sábado, 8 de agosto de 2009

entenda

Destruiu meu sonho de te fazer feliz,
Agora deixa que meu amor...
Eu destruo aos pouquinhos.

Segue teu caminho,
E, fingindo que sou imatura, como gosta
Sabe assumir meus erros

Afinal. Foram todos meus, não é mesmo?
Em meu erro de não saber amar, fui inocente
Em seu erro de não saber me ensinar, foi inconsequente.

Agora saia de seus esconderijos
Não fique em 'seus cantinhos do meu eu'
Vá com ela, mesmo que ainda não a tenha descoberto

Deixe que eu te grite em mil versos;
Só não volte implorando para ser igual, como fez
Pois igual, nem eu mesma já sou mais.

Acalme sua dor com outro alguém se eu te roubei o dom de apreciar a solidão...
Mas deixa que eu te mate em mim como me matou em mim mesma.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Noite dos desajustados


Assim que o dia se passou
A noite chegou enfim
Com seus medos e encantos
Abafando os sonoros prantos
Daquela que assim chorou
Por ver seus nobres santos
Despedaçarem seu branco marfim

Escuridão que leva, noite cala;
O ódio extremo, o sangue, a dor,
Naqueles que sobreviveram
E enfim adormeceram
No frio leito do desamor,
E vendem por pouco suas vidas
Perdendo então sua cor.

Seja noite, seja tarde
A tristeza, que é pura e tanta
E a história que é de lágrima
Se torna mais uma arte,
Deixando de ser só santa.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Se essa rua fosse minha...


... Eu mandava o tempo parar. Congelar nela as pedrinhas de brilhantes que somente quando mais nova eu conseguia enxergar;
Mandava as árvores não crescerem, ficarem para sempre do jeito que eu as plantei;
Mandava a chuva cair em gotas bem fininhas que é para não apagar a amarelinha que desenhei no asfalto;
Mandava o guarda da rua tomar conta das casas, e com seu apito avisar que está sempre por ali;
Mandava o jornaleiro passar todas as manhãs assobiando, como na minha infância, assim não esqueço que ainda existe a felicidade;
E mandava o caminhão de gás passar todas as tardes tocando aquela musiquinha, para que minha avó me leve no portão para observá-lo, até que vire a esquina.

Eu mandava as estrelas me visitarem todas as noites, pois um dia me ensinaram que cada uma delas é alguém querido que não está mais entre nós;
Mandava o vento tocar as janelas como antes fazia, pois seu barulho assustador me ensinou a enfrentar meus medos, e hoje sinto falta;
Mandava as flores nascerem nos canteiros, e na pracinha do bairro as pequenas árvores darem frutos;
Mandava as tardes ainda serem coloridas, e o céu imenso não passar de apenas flocos de algodão-doce;
Mandava as manhãs passarem bem devagar, que é pra dar tempo de brincar bastante, sujar o quintal inteiro, ouvir a bossa do radinho da cozinha, e a panela apitando ao meio dia;
Se essa rua fosse minha, eu mandava... eu mandava ladrilhar! Com as antigas pedrinhas de brilhantes, que é pra tentar fazer o tempo não passar!

terça-feira, 14 de julho de 2009

O Anjo-Moça

Certa vez ela me disse que os bipolares usam 'lentes de aumento' para todos os seus sentimentos. Quando amam, amam demais. Quando sofrem, sofrem demais. Quando estão eufóricos, conquistam o mundo em um piscar de olhos. Quando estão depressivos, podem morrer em um simples movimento do ponteiro de minutos. É assim que vivem: Intensamente! E saibam vocês, meus amigos blogueiros, que aprendi algo com todo o sofrimento de minha mãe. Não sei se conseguirei descrever tal lição, nem ao menos se consegui captar sua essência. Mesmo assim eu tento transcrevê-lo: Aprendi a amar. Não apenas com o coração, mas com a alma, os gestos, os pensamentos e memórias. "Amar sem ter a vergonha de ser feliz" (... e sem ter medo de ser infeliz!), seria mais ou menos isso. Aprendi a amar minha mãe com 'amor de bipolar'. Amar apesar dos defeitos, admirar a força de enfrentar as dificuldades e perdoar o medo de continuar. Aprendi (e aprendo, dia após dia) a ser filha de bipolar. Uma bipolar especial, que além de ter todas as características daqueles que sofrem o Transtorno, ainda consegue 'tirar a roupa do corpo' para ajudar os outros. Do mais infinito abismo, ela 'joga' sua ajuda para o alto para aqueles que ainda estão caindo. "Especial" é uma palavra ainda insignificante diante de seus atos.



Abaixo um conto que acabei de fazer...

" 'O Anjo-Moça' - por Malu Paixão.

Assim que foi enviada à terra em forma de mulher, uma das criaturas que habitava um outro mundo (diferente e distante para alguns de nós) notou que algo a diferenciava dos demais. Não era nenhum defeito físico, mas uma característica psicológica, talvez emocional. Apesar de ninguém mais notar, a tal criatura sabia bem que era um anjo e que estava no lugar errado, mas ao tirar satisfações com quem a enviara, fora informada de que tinha uma missão em seu 'novo mundo'.
O anjo, que agora dominava uma forma humana feminina, procurava, dia após dia, descobrir o que deveria fazer para que pudesse, finalmente, retornar ao seu mundo. Mas antes que descobrisse, algo acabou por atrapalhar a tal 'anjo-moça'. De seu interior surgira uma nova criatura, diferente dela, e igual às demais com as quais convivia.
Não é preciso dizer que seu mundo desandou. Não necessariamente pela vinda da nova criatura, mas por seu jeito diferente. O anjo-moça passou a sentir-se só, e chegou a pensar até mesmo que havia se tornado uma 'humana-monstro'. Não sabia qual era sua missão, não sabia para onde ir, não conseguia conviver com criaturas tão diferentes e não sabia lidar com o novo mundo. Perdeu-se. Não encontrava nem mesmo a própria sombra.
O que mais desejava naquele momento era fugir de tais criaturas que pareciam não sentir, não agir com coerência, pareciam até mesmo não suportá-la. Mas em meio ao seu novo mundo caótico, foram algumas das próprias criaturas que arriscaram tudo para ajudá-la. O que mais queriam era que a tal anjo-moça continuasse vivendo por ali. E assim foi feito.
A criatura diferente percebeu que sua missão era apenas não fugir do novo mundo em que fôra colocada, e se possível, torná-lo o mais semelhante ao seu mundo de origem, despertando tais sentimentos de compaixão, fé, confiança e cooperatividade naqueles novos elementos de sua rotina."


ps.: Estava na Bahia (só alegria!! hehe), me desculpem pela ausência.
ps.2: Eu passei no vestiba UNIME em Salvador em primeiro lugar pra Odonto!!!! (tá, eu me inscrevi pra Letras mas no dia tava errado, acabei prestando Odonto mesmo, e passei! hehe).
ps.3: Estava com saudades!! Bjumeliguem!!!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

"Chegou a hora da fogueira..."

"...É noite de São João..."

No alto do azul um ponto colorido,
É fim de tarde, já passou das seis;
Voa bem alto, já passou das luzes,
Voa sereno, um imenso balão,
Noite sem vento, tempo sem tempo,
Finalmente é noite de São João.

Contam-se histórias, fazem fogueiras,
Gritam e dançam pra comemorar,
Correm e pulam, lembram e sonham,
A volta da infância e das brincadeiras,
Fazem recortes, danças com fitas,
E assim a noite se vai passageira.

sábado, 13 de junho de 2009

- Ditadura entrou na sala...


"Ok meu assessor, vamos começar controlando o uso das ferramentas de comunicação em rede. Yorgut? Hãn? Como é? ... Orkut? Foi o que eu falei seu animal! Pois então... proíbe! A pena para quem usa orkut vai ser exílio durante todo o período em que eu estiver na presidência. Exatamente! (...) Hãn? Como? Se criarem perfis falsos? (...) TIRA ESSA MERDA DO AR LOGO! Pronto! Ô rapaz incompetente dos infernos!
Quanto aos blogs? Bom, os blogs a gente deixa! Podem ser uma ótima forma de divulgar nosso governo... hehe... Hãn? Os que criticam a gente apaga, oras, fácil! (...) O quê? Como assim não pode? Pode sim! Eu estou mandando! Sou eu que mando aqui! QUÊ???? Mas que raios é Twitter? Eu ainda estou falando dos blogs, seu verme! (...) Como assim 'que tipo de blog'? Daqueles que as pessoas escrevem, ora essa! Blogspot? Blig? Fotoblog? Mas que inferno! Proíbe tudo, pronto! (...) Twitter? Seja lá o que isso for... proíbe também! É, exatamente, exílio para os que desrespeitarem! (...) Que que é? 'My' o que? My Space? Ô caralho, mata quem usa essa porra! Isso, isso... mata quem falar palavrão também ô putaqueopariu!
(E ainda tem deputado que está 'pouco se lixando para a opinião pública!!)
Acho que to desistindo desse negócio de ditadura... pergunta aí pra ministra o que ela acha! Senadora? Governadora? Orientadora sexual? Que seja! Pergunta logo pra essa barbie-plastificada o que ela acha! (...) Ai meu Deus... como assim 'relaxa e goza'? Mas tu é um incompetente mesmo, seu animal! Deixa a loira de lado então, vamos ao que interessa...
Tira orkut do ar, proíbe os blogs, explode o tal twitter...
O que? Youtube? Ah sim, esse é fácil... coloca o vídeo de qualquer vagabunda famosa fazendo o que não deve na praia que a gente acaba com ele rapidinho!"

ps.: Só um parenteses... não tem nada a ver, mas... Será que o deputado Sérgio Moraes está 'pouco se lixando para a opinião pública' pois seguiu o conselho da Marta... relaxou e gozou?
ps.2: Don Ramón para presidente!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Sobre nada e tudo

No dia em que o sol não nascera fez-se o silêncio.
O silêncio que anunciava a tão esperada paz.

Não haviam mais problemas, medos preocupações...
Não haviam dores, sentimentos, sensações,
Havia silêncio e só!

O que eu tomava como prêmio aos poucos fora me torturando.
A agonia de poder, finalmente, falar... mas não saber sobre o que, levou-me a vontade de viver,
E a paz que eu tanto esperava viera de meu modo, mas não como eu precisava.

Percebi que, de minha própria vida, eu mesma não sabia nada.
Que enquanto esperava o silêncio, era feliz na balburdia...
Pois a calmaria se fez com a despedida dos que eu amava,
E no final de tudo estar sozinha era morte...

Afinal meu mar de angústias é que me proporcionava minhas alegrias...
Quando eu bebi a última gota, de lágrima, é que começava a tão esperada paz,
Que eu deixava passar sem nem ao menos notá-la.

sábado, 9 de maio de 2009

Dias das mães

Já passa da meia noite, no meu relógio 2h48, mas de qualquer forma, tecnicamente, já é dia das mães.
E como não homenageá-las?
Como não agradecer, principalmente nesse dia dedicado a essa figura importante da sociedade, por todos os momentos que estiveram do nosso lado e tudo o que aprendemos com elas?
Agradeço minha mãe, particularmente, por enfrentar dia após dia o desafio de se responsabilizar não só por sua vida, mas também pela minha. Obrigada mãe... de coração!


foto: 18/04/2009

Obrigada por ter deixado sua infância para entrar na minha, obrigada por enterrar seus sonhos e viver ao meu lado a nossa realidade; por assumir seus erros, me ensinando que mãe não é um esteriótipo de heroína, deusa, fada ou princesa de histórias infantis, mas o único ser-humano com que temos a forte ligação de sermos parte e estarmos eternamente entrelaçados.

Um dia é pouco para homenageá-la, mas tenho certeza de que todos os dias de sua vida se lembrará de que eu sou parte de você, e você é minha vida por completo. Te amo!

Feliz dia das mães a todas essas mulheres maravilhosas que um dia nos deram a honra de fazer parte de seu mundo.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Oração [espero não mais ter medo!]

Antes de tudo devo dizer que palavras são apenas palavras.
Palavras não podem mudar o mundo, e confesso que nem quero!

Não quero mudar nem mesmo o meu mundo;
Quero apenas aprender a viver nele

Peço a Deus que abençoe meus pensamentos e meus atos.
Que traga de volta a paz de onde ela foi tirada,

E que me faça estar profundamente errada.

Peço que não me tire o que hoje tenho de mais precioso;
E que não mais faça sofrer quem não merece, mas que parece ter nascido para isso.

Peço que ilumine as mentes e corações de quem amo;
E que estes vejam que não existe nada no mundo mais sincero que tal sentimento.

Que não é o tempo, a distância ou a história que apagará.
Ou melhor... que não se apaga!

Peço que alivie meus medos e a dor de quem sofre.
Pois assim sofro também.

Peço que traga de volta o sol e a primavera...
e me desperte dessa noite fria, que parece ser interminável.

Não olha por mim, meu Deus...
Mas por quem mais amo, assim estarei bem!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Amar o imperfeito

Me orgulho de meus defeitos.
Me orgulho de estar cercada de pessoas imperfeitas.
Agradeço a Deus por ter me dado a oportunidade de não viver no tédio de uma vida normal, pois embora nossos sentimentos sejam penalizados no sofrimento pleno, são estes que nos dão forças para seguir adiante.
Já que estou aqui, de pé, no meio da lama... não me custa andar.
Mesmo que os passos sejam lentos, as pernas estejam cansadas e as companhias não sejam as melhores... não me resta mais nada senão andar.

Me orgulho de amar a vida, mesmo que este amor seja inconscientemente profundo.
Me orgulho de amar minhas dores, meus amigos, minha família...
Sei que sou parte dessa multidão hipócrita e mesquinha, mas ainda não perdi minha verdadeira essência. Não quero que minha vida mude fora do contexto que ainda haverá de mudar!
Não quero que as pessoas de sempre sejam outras somente para agradar os valores de uma sociedade, afinal... se foram feitas assim, deve haver algum outro motivo que não seja o de completarem uma história. Um maravilhoso livro nascido da mistura de todos os gêneros.
Amar o que é certo não é merito nenhum. Gostar do que é certo não é merito. Difícil mesmo é amar o imperfeito, somente pelo fato dele fazer parte de sua vida, se tornando então um objeto particular de afeição.
Me desculpem! Foi um desabafo.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Um rosto na árvore

Eis aqui um retrato [escrito] perfeito, nessas linhas tortas e descombinadas, da melhor fase de minha vida até então. Minha simples infância. Eis a saudade de toda inocência do tempo em que eu nem imaginava que atrás de toda panela havia fogo, atrás de toda bossa havia um baseado, de toda infância havia um futuro, de todo ato havia uma consequência, e de toda família havia um inferno; inferno esse que ainda um dia deixará saudades.


























Em um dia qualquer de minha vida
enquanto a panela de pressão apitava no fogo
a bossa nova tocava na rotina passageira
e minha avó chamava para o almoço, anunciando o fim da manhã
Fiz um rosto em uma árvore.

Um coqueiro enorme, o mais bonito da rua.
Fiz MEU rosto nessa árvore!

Um rosto inocente, alegre, infantil.
Rosto de criança que acredita em "para sempre".
Rosto de alguém que ainda crê em mitos e lendas.
Rosto de menina que teme assombração, por ainda não conhecer a saudade, distância, separação.
Fiz meu rosto nessa árvore.
Rosto que já foi meu, mas que hoje não carrego mais.

Passa a hora do almoço e na calada da noite já sou adulta
em alma de criança que não se encontra, e nem quer!

Se a saudade fosse pouca...
Mas nem mesmo meus monstros me visitam agora que sou outra
E até disso sinto falta...

Deixei um rosto na árvore e uma infância para trás.

sábado, 14 de março de 2009

13 de Março!


Dia 13 do mês 03 de 1973, exatamente às 23h30 nasce uma estrela!
Embora diversas tentativas de apagar seu brilho, seus inimigos acabaram por perceber que nada no mundo conseguiria tirar o valor de ser única e marcante.
Acho que já gastei todas as minhas palavras tentando explicar a essa heroína a verdadeira admiração que tenho por ela mas, como já sabem, palavras só podem usadas para a comunicação, infelizmente quando se trata de sentimento não podemos expressa-lo por inteiro com banalidades, embora o olhar seja o meio mais preciso dentre os que temos!
Parabéns mãe... espero que essas duas palavrinhas se tornem algo maior: TE AMO!

ps.: sexta-feira 13, toda sorte ao redor!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Milene Paixão

"entre mortos e feridos, salvou-se um coração de amor infinito de uma mãe bipolar."

É dessa mulher que nasci.
Da autora de tal frase. E posso repetir isso mais trinta vezes se for necessário. Se ela soubesse o orgulho que sinto em ser sua filha, digo isto pois não consigo expressar, nem ao menos com palavras escritas, muito menos com gestos ou demonstrações de carinho. Posso afirmar seguramente que sou uma versão mais jovem de minha mãe, bem parecida (fisicamente), mas sem o charme e a intensidade com que vive essa guerreira.

Para quem não sabe, minha mãe é bipolar, ou seja, sofre do Transtorno Afetivo Bipolar, e foi diagnosticada por diversos médicos e psiquiatras (antes que pensem que ela se rendeu à onda de garotinhas que se auto-denomina bipolar como fuga de suas responsabilidades.) Se clicarem no link acima poderão conhecer diversos famosos que, infelizmente, não combateram a doença por falta de informações e acabaram se suicidando ou algo do tipo; verão também que é (se não me engano) a segunda pior doença psíquica já diagnosticada.

Enfim, não estou aqui para falar sobre seus defeitos e pontos-fracos, muito menos para dar uma aula sobre a doença! Só constatei tal fato pois sinto orgulho em dizer (sim, muito orgulho!) que minha mãe esteve praticamente na pior fase de sua doença e continua vivendo, enquanto uns e outros por aí sofrem por coisas tolas. Não vou relatar nenhum de seus surtos, mesmo porque não é algo agradável de se lembrar.

Quero prestar uma pequena homenagem à minha querida (e querida, querida, querida...) mãe bipolar. Essa pessoa dotada de inúmeros dons artísticos e conhecimento. Essa mulher linda, radiante e culta. Essa mãe, que quebrou barreiras, destruiu preconceitos e jogou um balde de água fria naqueles que mantinham a visão de que ser mãe aos 18 anos, solteira e inconseqüente (desculpa mãe... mas qual adolescente nos anos 90 não era assim?) era um tremendo absurdo.

Ressaltei a doença somente para relatar duas coisas que ela me disse, duas frases (simples) mas que me marcaram, e que eu gostaria de deixar bem guardadinhas em algum lugar, no caso, não outro senão em meu único blog usado para fins emocionais. (=D)

A primeira foi em uma de suas crises, nem sei se ela deve se lembrar, mas foi algo como: "Obrigada filha, por você nunca me julgar!". Confesso que fiquei em choque, embora não parecesse no instante. E a segunda foi em uma de MINHAS crises, (uma das raras crises de desgaste emocional que tenho vez ou outra) em que, ao me ver chorando, me abraçou e disse: "Com ou sem doença você sempre vai poder contar comigo. Eu sempre vou estar do seu lado!".

E termino parabenizando-a pelo privilégio que fora concebido a minha eterna heroína. O privilégio de ter o coração mais humano, puro e inocente já visto em todo universo. Afinal, embora a doença tenha desgastado seu psicológico e fisicamente já seja uma mulher, o coração parou no tempo, aos 7 anos de idade. Ainda no tempo em que aquela menininha não sabia que existia a tal palavra "injustiça" e nem ao menos sonhava com o dia em que descobriria o que é sofrer. Obrigada meu Deus, por ter me dado a honra de ter uma mãe com alma de criança, ainda mais pura e inocente que eu! Afinal...

"No fundo é uma eterna criança, que não soube amadurecer..."


domingo, 8 de fevereiro de 2009

Eterna insatisfação

Ela nasceu... [e reclamou pois não tinha olhos claros]
Cresceu... [mas não tanto quanto desejava. Reclamou!]
Entrou para o colégio... [reclamou por ter pouco tempo livre]
Enfim chegaram as férias... [reclamou por ter muito tempo livre]


Entrou na faculdade... [e reclamou por não ter aproveitado o tempo em que podia ter sido feliz]

Se formou [já saudosa dos tempos dos estudos. Reclamou!]
Conheceu um rapaz... [mas reclamou por não ter sido 'aquele artista de Hollywood']
Enfim casou-se... [e desta vez nem as flores da decoração da igreja escaparam de sua insatisfação.]

Teve um filho, um menino. [e reclamou pois queria uma menina]

Então teve uma menina [ainda assim reclamou pois agora queria um menino]

Os filhos cresceram... [e reclamou por eles serem comportados demais]

Então o menino revoltou-se e foi embora [e reclamou por ter um filho mal-criado]

Envelheceu [e reclamou por não ter mais a doce juventude]
Ela e seu marido fizeram 40 anos de casados [reclamou então por ter um velho implicante ao seu lado]
Então o pobre marido morreu [e reclamou sua falta. "Antes tivesse me levado junto!"]

Enfim sua vez chegou, e finalmente adormeceu. [Sem tempo de reclamar por todo o tempo que perdeu!]

Reclamo eu agora, por ela ser cada um de nós!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Aviso aos navegantes


Cuidado! Aviso para o bem todos: tenham muito cuidado!
Há um estranho cidadão dominando as noites do Brasil, dizem que ele foi o motivo de um certo piripaque em 98. Agora, além de destruir corações apaixonados, quer destruir cérebros também.
Existe um pequeno spa paradisíaco em que ele mantém trancados cerca de dezessete seres inanimados que realizam inúmeros absurdos com a finalidade de conseguir um pequeno prêmio em dinheiro ou em fotos naturalistas.
Se encontrarem esse cidadão a solta, se recusem a entrar em sua nave! Nem ao menos assistam suas torturas psicológicas para com os acéfalos que se encontram em jaulas (ou big paredes)!
Salve, salve ó grande irmãozinhos!

Obs.: Uma Dogville industrializada!

Em uma de minha viagens por um estranho mundo particular cai em uma cidade. Uma pequena cidade com gosto de infância. Bom, um vilarejo puro e acolhedor até então. Decidi ficar por lá durante certo tempo. Conheci as diferentes pessoas que perambulavam de um lado para o outro sem destino algum e comecei a me envolver em suas rotinas.
Um tempo depois havia me tornado parte da cidade, ou prisioneira do verdadeiro inferno fantasiado em vestes coloridas, chame como quiser. Sentia-me parte de uma grande família, filha de um lar inocente e aconchegante.
Não foi aos poucos que percebi que todos os cidadãos haviam tornado-se ratos imundos, e carregavam um sorriso amarelo e maldoso para todos os cantos dos becos, que antes me pareciam canteiros floridos. O susto aconteceu repentinamente. Até mesmo o ar do pequeno vilarejo havia mudado. "Oras, mas eu jurava que haviam borboletas no antigo céu azul!", pensava eu observando as mariposas no céu acinzentado; "E as flores... jamais havia reparado que na verdade eram enormes plantações de Urtiga!". O que aconteceu com a doce aldeia?
Diga-se de passagem, não era mais uma aldeia. Era uma cidade grande demais para tal rótulo, e pequena demais para que seus defeitos não fossem notados. (Algo como uma Dogville industrializada.)
No início o lugar era pacato demais para que eu imaginasse que um dia teria que fugir às pressas, antes que suas construções e seus habitantes acabassem com a minha insignificante vida, devorando o pouquinho de energia e sensatez que ainda me restavam.
Ao fugir, deixei para trás as poucas que pessoas que me encantavam, fazendo parte daquele cenário monstruoso sem participar dele; colorindo o caos de suas esquinas e aliviando a tensão de seus becos. Parti, com destino certo. Parti sem medo de sentir pena da pequena-grande cidade, que não tinha culpa de ser habitada por gente mesquinha e mentirosa. Passei por outros lugares e só então pude perceber que o mal não era exclusividade de tal vilarejo desenvolvido, eu apenas havia conhecido a realidade lá!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Poema em tons

(clique nas palavras em itálico para ver as imagens)

POEMA EM TONS
________________________
As gotas de chuva cairam ácidas

E mais uma vez o dia se foi

As pessoas pequenas se tornaram céticas

e com seus gestos antipáticos

se fizeram práticas ao elevar o desamor.

A chuva irreal nas pessoas reais,

com seus gestos reais e sentimentos banais.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

[Conheço um anjo]














"Conheço um anjo que hoje está em um mar em fúria...
[... e ainda assim brinca com as águas.


Um anjo que respira imperfeições...
[... e finge que não percebe.


Um anjo que está cercado de contradições...
[... e não tem medo do futuro.


Um anjo que, de anjo, não tem nada...
[... algo extremamente admirável."

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Amigos blogueiros

"Salve, salve, amigos blogueiros!" Começo a postagem enfatizando propositalmente uma ironia feita com o terrííível bordão do apresentador do programa mais bizarro de todos os tempos. O programa que faz com que eu, particularmente, me sinta uma criança enorme com uma lupa gigante, decidida a queimar as pobres formiguinhas que carregam as folhas do jardim, digo, decidida a mandá-las para o paredão. A única diferença é que as pobre formiguinhas não são oportunista, ambiciosas, sem escrúpulos, desprovidas de inteligência, enfim, BBB é um assunto que podemos tirar o dia para detonar, digo... analisar.

Nesse momento venho ao meu blog, primeiramente para avisar que minhas férias acabaram e para a alegria geral da nação estou de volta (=D). [quero ouvir hurros de alegria no "já" eim... 1,2,3...]
Enfim, venho especialmente para falar de meus amigos blogueiros.

A cerca de um ano atrás, quando eu ainda nem pensava em fazer um blog, eu era uma perdida na vida, uma "maior abandonada", uma noviça rebelde, então ALELUIA, encontrei vocês! ALELUIA!

Bom, pelo vista essas férias me fizeram bem, hehe... estou um tanto 'afetada'... se me permitem, gostaria de começar denovo...
Cerca de um ano atrás, logo que fiz meu blog, fiquei fascinada com os recursos, que me ajudaram a expor minhas idéias e a resgatar minhas maiores lembranças, mas, qual não foi minha surpresa quando descobri o tanto de gente parecida comigo que navega pelos becos de minhas linhas mal escritas, entre outras. Digo de coração, há inúmeros talentos perdidos nesse mundo; inúmeros escritores e escritoras, poetas e poetisas, críticos revoltados e apaixonados irremediáveis que, nem ao menos se dão conta do quão maravilhosas são suas obras. O medo que eu tinha, de estar "emburrecendo" ao ler textos fúteis, com inúmeros erros de ortografia, pela internet; logo foi esquecido. Posso dizer que encontrei amigos blogueiros em quem eu realmente confio. Leria texto por texto "de olhos fechados" (se isso fosse possível).

Os poetas de plantão ganharam minha confiança e minha admiração, e não poderia deixar passar o primeiro mês do ano sem agradecer e dizer isso a eles. Agradeço à Jana, que com seus textos sinceros e bem-humorados, despertou-me o senso crítico que parmenecia escondido em algum canto do meu eu; à Camila que, se não me engano, foi a primeira blogueira que conheci, o primeiro blog que realmente me interessei e decidi mergulhar de cabeça em seu mundo poético; ao Wagner e à toda sua originalidade (que inspira algumas de minhas postagens) ao montar um diário musical, e traz uma sensibilidade contemporânea àqueles que o visitam; à Valentinna, que sabe ser única, feminina, descolada e surreal, criando um mundo de fantasias do cotidiano e colorindo suas postagens com palavras, na mesma medida que usa as cores para alegrar seu blog; ao Profeta, que eleva meu ego com seus comentários e faz transparecer nossas almas com sua maravilhosa poesia lírica, digamos assim; à Cartolina, que até hoje me confunde com suas metáforas, apesar de visitar o blog ja há algum tempo, e claro... é o que há de mais puro na literatura atual; ao Ramon, que apesar de não estar nem aí para o Corinthians (hauahauahau) tornou-se um dos mais admiráveis amigos-blogueiros e consegue atrair com suas postagens versáteis; à Marta, que além de ser uma graça de pessoa, super amável (olha a rasgação de seda! rsrs) tem um blog muitíssimo agradável de se visitar, principalmente pelo modo direto e claro que escreve suas críticas e textos contemporâneos criativos, ao Luiz Gonzaga, cujo blog passei a visitar faz pouco tempo, mas que me encanta com a diversidade de postagens originais e, finalmente, ao mestre Luiz Calcagno, que é um escritor "de mão cheia" e me ensina a escrever com suas postagens!

Agradecimento especial a todos os outros blogueiros que conseguem alegrar meu dia e me incentivar a escrever cada vez mais com seus comentários. Por favor, peço que continuem me visitando sempre, vocês nem imaginam a importância que tem cada comentário para mim.
Um maravilhoso dia para todo vocês, meus amigos blogueiros, que estão de parabéns, e já podem se achar!

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