sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Milene Paixão

"entre mortos e feridos, salvou-se um coração de amor infinito de uma mãe bipolar."

É dessa mulher que nasci.
Da autora de tal frase. E posso repetir isso mais trinta vezes se for necessário. Se ela soubesse o orgulho que sinto em ser sua filha, digo isto pois não consigo expressar, nem ao menos com palavras escritas, muito menos com gestos ou demonstrações de carinho. Posso afirmar seguramente que sou uma versão mais jovem de minha mãe, bem parecida (fisicamente), mas sem o charme e a intensidade com que vive essa guerreira.

Para quem não sabe, minha mãe é bipolar, ou seja, sofre do Transtorno Afetivo Bipolar, e foi diagnosticada por diversos médicos e psiquiatras (antes que pensem que ela se rendeu à onda de garotinhas que se auto-denomina bipolar como fuga de suas responsabilidades.) Se clicarem no link acima poderão conhecer diversos famosos que, infelizmente, não combateram a doença por falta de informações e acabaram se suicidando ou algo do tipo; verão também que é (se não me engano) a segunda pior doença psíquica já diagnosticada.

Enfim, não estou aqui para falar sobre seus defeitos e pontos-fracos, muito menos para dar uma aula sobre a doença! Só constatei tal fato pois sinto orgulho em dizer (sim, muito orgulho!) que minha mãe esteve praticamente na pior fase de sua doença e continua vivendo, enquanto uns e outros por aí sofrem por coisas tolas. Não vou relatar nenhum de seus surtos, mesmo porque não é algo agradável de se lembrar.

Quero prestar uma pequena homenagem à minha querida (e querida, querida, querida...) mãe bipolar. Essa pessoa dotada de inúmeros dons artísticos e conhecimento. Essa mulher linda, radiante e culta. Essa mãe, que quebrou barreiras, destruiu preconceitos e jogou um balde de água fria naqueles que mantinham a visão de que ser mãe aos 18 anos, solteira e inconseqüente (desculpa mãe... mas qual adolescente nos anos 90 não era assim?) era um tremendo absurdo.

Ressaltei a doença somente para relatar duas coisas que ela me disse, duas frases (simples) mas que me marcaram, e que eu gostaria de deixar bem guardadinhas em algum lugar, no caso, não outro senão em meu único blog usado para fins emocionais. (=D)

A primeira foi em uma de suas crises, nem sei se ela deve se lembrar, mas foi algo como: "Obrigada filha, por você nunca me julgar!". Confesso que fiquei em choque, embora não parecesse no instante. E a segunda foi em uma de MINHAS crises, (uma das raras crises de desgaste emocional que tenho vez ou outra) em que, ao me ver chorando, me abraçou e disse: "Com ou sem doença você sempre vai poder contar comigo. Eu sempre vou estar do seu lado!".

E termino parabenizando-a pelo privilégio que fora concebido a minha eterna heroína. O privilégio de ter o coração mais humano, puro e inocente já visto em todo universo. Afinal, embora a doença tenha desgastado seu psicológico e fisicamente já seja uma mulher, o coração parou no tempo, aos 7 anos de idade. Ainda no tempo em que aquela menininha não sabia que existia a tal palavra "injustiça" e nem ao menos sonhava com o dia em que descobriria o que é sofrer. Obrigada meu Deus, por ter me dado a honra de ter uma mãe com alma de criança, ainda mais pura e inocente que eu! Afinal...

"No fundo é uma eterna criança, que não soube amadurecer..."