domingo, 1 de fevereiro de 2009

Obs.: Uma Dogville industrializada!

Em uma de minha viagens por um estranho mundo particular cai em uma cidade. Uma pequena cidade com gosto de infância. Bom, um vilarejo puro e acolhedor até então. Decidi ficar por lá durante certo tempo. Conheci as diferentes pessoas que perambulavam de um lado para o outro sem destino algum e comecei a me envolver em suas rotinas.
Um tempo depois havia me tornado parte da cidade, ou prisioneira do verdadeiro inferno fantasiado em vestes coloridas, chame como quiser. Sentia-me parte de uma grande família, filha de um lar inocente e aconchegante.
Não foi aos poucos que percebi que todos os cidadãos haviam tornado-se ratos imundos, e carregavam um sorriso amarelo e maldoso para todos os cantos dos becos, que antes me pareciam canteiros floridos. O susto aconteceu repentinamente. Até mesmo o ar do pequeno vilarejo havia mudado. "Oras, mas eu jurava que haviam borboletas no antigo céu azul!", pensava eu observando as mariposas no céu acinzentado; "E as flores... jamais havia reparado que na verdade eram enormes plantações de Urtiga!". O que aconteceu com a doce aldeia?
Diga-se de passagem, não era mais uma aldeia. Era uma cidade grande demais para tal rótulo, e pequena demais para que seus defeitos não fossem notados. (Algo como uma Dogville industrializada.)
No início o lugar era pacato demais para que eu imaginasse que um dia teria que fugir às pressas, antes que suas construções e seus habitantes acabassem com a minha insignificante vida, devorando o pouquinho de energia e sensatez que ainda me restavam.
Ao fugir, deixei para trás as poucas que pessoas que me encantavam, fazendo parte daquele cenário monstruoso sem participar dele; colorindo o caos de suas esquinas e aliviando a tensão de seus becos. Parti, com destino certo. Parti sem medo de sentir pena da pequena-grande cidade, que não tinha culpa de ser habitada por gente mesquinha e mentirosa. Passei por outros lugares e só então pude perceber que o mal não era exclusividade de tal vilarejo desenvolvido, eu apenas havia conhecido a realidade lá!