terça-feira, 28 de julho de 2009

Se essa rua fosse minha...


... Eu mandava o tempo parar. Congelar nela as pedrinhas de brilhantes que somente quando mais nova eu conseguia enxergar;
Mandava as árvores não crescerem, ficarem para sempre do jeito que eu as plantei;
Mandava a chuva cair em gotas bem fininhas que é para não apagar a amarelinha que desenhei no asfalto;
Mandava o guarda da rua tomar conta das casas, e com seu apito avisar que está sempre por ali;
Mandava o jornaleiro passar todas as manhãs assobiando, como na minha infância, assim não esqueço que ainda existe a felicidade;
E mandava o caminhão de gás passar todas as tardes tocando aquela musiquinha, para que minha avó me leve no portão para observá-lo, até que vire a esquina.

Eu mandava as estrelas me visitarem todas as noites, pois um dia me ensinaram que cada uma delas é alguém querido que não está mais entre nós;
Mandava o vento tocar as janelas como antes fazia, pois seu barulho assustador me ensinou a enfrentar meus medos, e hoje sinto falta;
Mandava as flores nascerem nos canteiros, e na pracinha do bairro as pequenas árvores darem frutos;
Mandava as tardes ainda serem coloridas, e o céu imenso não passar de apenas flocos de algodão-doce;
Mandava as manhãs passarem bem devagar, que é pra dar tempo de brincar bastante, sujar o quintal inteiro, ouvir a bossa do radinho da cozinha, e a panela apitando ao meio dia;
Se essa rua fosse minha, eu mandava... eu mandava ladrilhar! Com as antigas pedrinhas de brilhantes, que é pra tentar fazer o tempo não passar!