terça-feira, 25 de agosto de 2009

Anjo meu;

Anjo meu, quando saístes do chão minha certeza era única: ia embora para não mais voltar.
Estava pronta para voar e levaria consigo a minha vida;
Deixaria minha história, levaria meus sonhos;
Deixaria lembranças, mas me deixaria aqui, serena e só.

Em outras tantas quedas percebi que sempre estaríamos nós, sós, plenas;
E mesmo que existisse um outro mundo, um outro lugar...
Nosso pesar era viver aqui...
E nossa dádiva era estarmos juntas, fortes, companheiras;

Não vi que o tempo passava,
Dizia-me que o relógio estava parado, e que quem passava éramos nós.
Acreditei, sofri, tentei mudar, juro!
Mas os ponteiros sim se mexiam, e não nossos valores.

Os dias iam embora, não os nossos costumes.
Éramos iguais, e o tempo passava;
Esperei acordar de um devaneio insano e torturante,
Mas em um instante me vi apática, traumatizada, só que em uma rotina indolor;

Fomos sempre os mesmos, todos nós.
Mesmos defeitos, mesmas ideias, mesmas histórias...
O que mudara era o mundo ao nosso redor,
As pessoas, os valores, os sentimentos.
E envolvida nesse mundo tornara-se outra.
Mas que como num ciclo, há de voltar ao início, nem que isso ocorra em sonho!