terça-feira, 28 de julho de 2009

Se essa rua fosse minha...


... Eu mandava o tempo parar. Congelar nela as pedrinhas de brilhantes que somente quando mais nova eu conseguia enxergar;
Mandava as árvores não crescerem, ficarem para sempre do jeito que eu as plantei;
Mandava a chuva cair em gotas bem fininhas que é para não apagar a amarelinha que desenhei no asfalto;
Mandava o guarda da rua tomar conta das casas, e com seu apito avisar que está sempre por ali;
Mandava o jornaleiro passar todas as manhãs assobiando, como na minha infância, assim não esqueço que ainda existe a felicidade;
E mandava o caminhão de gás passar todas as tardes tocando aquela musiquinha, para que minha avó me leve no portão para observá-lo, até que vire a esquina.

Eu mandava as estrelas me visitarem todas as noites, pois um dia me ensinaram que cada uma delas é alguém querido que não está mais entre nós;
Mandava o vento tocar as janelas como antes fazia, pois seu barulho assustador me ensinou a enfrentar meus medos, e hoje sinto falta;
Mandava as flores nascerem nos canteiros, e na pracinha do bairro as pequenas árvores darem frutos;
Mandava as tardes ainda serem coloridas, e o céu imenso não passar de apenas flocos de algodão-doce;
Mandava as manhãs passarem bem devagar, que é pra dar tempo de brincar bastante, sujar o quintal inteiro, ouvir a bossa do radinho da cozinha, e a panela apitando ao meio dia;
Se essa rua fosse minha, eu mandava... eu mandava ladrilhar! Com as antigas pedrinhas de brilhantes, que é pra tentar fazer o tempo não passar!

terça-feira, 14 de julho de 2009

O Anjo-Moça

Certa vez ela me disse que os bipolares usam 'lentes de aumento' para todos os seus sentimentos. Quando amam, amam demais. Quando sofrem, sofrem demais. Quando estão eufóricos, conquistam o mundo em um piscar de olhos. Quando estão depressivos, podem morrer em um simples movimento do ponteiro de minutos. É assim que vivem: Intensamente! E saibam vocês, meus amigos blogueiros, que aprendi algo com todo o sofrimento de minha mãe. Não sei se conseguirei descrever tal lição, nem ao menos se consegui captar sua essência. Mesmo assim eu tento transcrevê-lo: Aprendi a amar. Não apenas com o coração, mas com a alma, os gestos, os pensamentos e memórias. "Amar sem ter a vergonha de ser feliz" (... e sem ter medo de ser infeliz!), seria mais ou menos isso. Aprendi a amar minha mãe com 'amor de bipolar'. Amar apesar dos defeitos, admirar a força de enfrentar as dificuldades e perdoar o medo de continuar. Aprendi (e aprendo, dia após dia) a ser filha de bipolar. Uma bipolar especial, que além de ter todas as características daqueles que sofrem o Transtorno, ainda consegue 'tirar a roupa do corpo' para ajudar os outros. Do mais infinito abismo, ela 'joga' sua ajuda para o alto para aqueles que ainda estão caindo. "Especial" é uma palavra ainda insignificante diante de seus atos.



Abaixo um conto que acabei de fazer...

" 'O Anjo-Moça' - por Malu Paixão.

Assim que foi enviada à terra em forma de mulher, uma das criaturas que habitava um outro mundo (diferente e distante para alguns de nós) notou que algo a diferenciava dos demais. Não era nenhum defeito físico, mas uma característica psicológica, talvez emocional. Apesar de ninguém mais notar, a tal criatura sabia bem que era um anjo e que estava no lugar errado, mas ao tirar satisfações com quem a enviara, fora informada de que tinha uma missão em seu 'novo mundo'.
O anjo, que agora dominava uma forma humana feminina, procurava, dia após dia, descobrir o que deveria fazer para que pudesse, finalmente, retornar ao seu mundo. Mas antes que descobrisse, algo acabou por atrapalhar a tal 'anjo-moça'. De seu interior surgira uma nova criatura, diferente dela, e igual às demais com as quais convivia.
Não é preciso dizer que seu mundo desandou. Não necessariamente pela vinda da nova criatura, mas por seu jeito diferente. O anjo-moça passou a sentir-se só, e chegou a pensar até mesmo que havia se tornado uma 'humana-monstro'. Não sabia qual era sua missão, não sabia para onde ir, não conseguia conviver com criaturas tão diferentes e não sabia lidar com o novo mundo. Perdeu-se. Não encontrava nem mesmo a própria sombra.
O que mais desejava naquele momento era fugir de tais criaturas que pareciam não sentir, não agir com coerência, pareciam até mesmo não suportá-la. Mas em meio ao seu novo mundo caótico, foram algumas das próprias criaturas que arriscaram tudo para ajudá-la. O que mais queriam era que a tal anjo-moça continuasse vivendo por ali. E assim foi feito.
A criatura diferente percebeu que sua missão era apenas não fugir do novo mundo em que fôra colocada, e se possível, torná-lo o mais semelhante ao seu mundo de origem, despertando tais sentimentos de compaixão, fé, confiança e cooperatividade naqueles novos elementos de sua rotina."


ps.: Estava na Bahia (só alegria!! hehe), me desculpem pela ausência.
ps.2: Eu passei no vestiba UNIME em Salvador em primeiro lugar pra Odonto!!!! (tá, eu me inscrevi pra Letras mas no dia tava errado, acabei prestando Odonto mesmo, e passei! hehe).
ps.3: Estava com saudades!! Bjumeliguem!!!