segunda-feira, 8 de novembro de 2010

três polos;

Quero meu início em São Paulo, meu ápice no Rio e meu final em Minas.
Algo como aprendiz de Adoniran, musa de Jobim e velha amiga de Milton...
Viver a primavera de minha vida na terra fria, meu verão no calor 40 graus e meu outono na paz da tranquilidade histórica.
Serei a paulista de Ipanema mais originalmente mineira que o Brasil já conheceu...
Vou arrastar os prédios à praia que invadirá Belo Horizonte.
Nas minhas histórias narrarei grãos de areia em muitas luzes, na paz do interior;
Quero em mim esse caos, que leve à falsa paz, para enfim repousar no aconchego de minhas origens.
Farei um mundo de céu cinzento, mar azul e grutas intermináveis.
Serei extressadamente marrenta e visivelmente semi-lenta...
Trabalharei no Brás, morando no Leblon e, nos fins de semana, as ladeiras de Ouro Preto serão minhas!
Entre a Ipiranga com a São João colocarei um Cristo Redentor, feito de pedras do calçamento de Sabará.
Na orla de Tiradentes estará meu Ibirapuera.
E quando o samba, a bossa e a moda de raiz se juntarem...
Estará pronto esse meu mundo, que entra em meus devaneios logo no quinto verso do poema.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Agridoce

É agridoce a relação com quem amo;
E é insossa com quem mal conheço;
É agridoce um excêntrico fim de ano
E apenas doce é um começo.

É agridoce um sorriso pleno;
E é amarga a saudade;
Agridoce também é o veneno;
De cada ilusória liberdade.

É agridoce uma noite quente;
Contrastando ao mel da quietude;
Agridoce é o sorriso indecente;
Diante à impulsiva atitude.

É agridoce o poder de sentir;
Mas escrever, antes fosse!
Não há palavra apta a permitir
A qualquer escrita ser simplesmente agridoce.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

personagens;

Onde estão meus personagens?
Não estão mais no papel!
Já procurei em sonhos...
Nem sei se realmente existem...
Talvez estejam dentro de mim.
Fugiram até das minhas lembranças;
E estavam tão bem guardados nas minhas intermináveis histórias.
De vez em quando aparecem;
Passam um bom tempo comigo,
Depois vão embora... levando minha paz;
Nem ao menos concretizam uma falsa alegria!
Não deixam nada de presente;
Mas nem reclamo, pois sou eu a dona deles;
Apesar de não ter controle algum.
Vão então, pouco a pouco, embora...
E me deixam um realismo intragável!
Sem devaneios...
Sem aventuras...
Sem perfeição...
Sem maldade...
Só uma rotineira e enjoativa verdade.
Fosse eu um pouquinho mais insana;
Ou talvez mais realista...
Estariam sempre comigo em um conto eterno,
Ou iriam embora de vez...

O conforto é que voltam; em quarenta anos ou mais.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A casa ilusória

É ruim, eu sei! E eu não reli para não perder o costume. Mas preciso guardar isso em algum lugar... que seja...

Como todo pesadelo, começou do nada. Eu ainda estava confusa, entrando em transe, não me lembro ao certo. Só me lembro de que, me deitei na cama e, assim como ocorreu a 5 minutos atrás, acordei no meio da madrugada, no meu quarto mesmo, com uma tontura muito forte. O quarto inteiro girava, como uma sensação de estar bêbada com o mal-estar pós-porre. Foi então que o mais estranho aconteceu, não perguntem-me como, mas percebi que era um pesadelo.
Foi tão real que eu estava passando o final de semana na casa dos meus avós, e o meu quarto estava do mesmo jeito. Pensei: se é um pesadelo pode acontecer qualquer coisa, e foi assim que meu medo aflorou. Precisava de alguém, urgentemente, para me acordar. Decidi gritar. Inocência a minha de achar que naquele pesadelo algo seria diferente e,pela primeira vez, minha voz fluiria normalmente no auge de um pesadelo clichê, onde não se corre, fala, grita e muito menos ganha. (Seja de qualquer perigo que você esteja enfrentando).
Tentei gritar diversas vezes mas a voz não saía. Um líquido frio começou a escorrer da minha boca, mas algo dificultava meus movimentos, eu nem ao menos conseguia levar uma das mãos ao rosto. Tudo pesava e rodava ao mesmo tempo.
A solução que encontrei foi levantar e correr até o quarto de meus avós. Ao me virar na cama fui arremessada ao chão, sentindo uma sensação de peso ainda maior. Tentei gritar mais algumas vezes e percebi que parte do meu quarto não existia. Havia um buraco negro enorme, como uma verdadeira ilusão de ótica. De fato, era um pesadelo e eu estava lutando para acordar. Uma dúvida me apareceu por um momento: “Se no pesadelo estou me esforçando até a alma para que saia um único ruído, será que minha forma real nesse momento está emitindo algum som?”. E seria bom que, no plano real, mesmo dormindo eu estivesse gritando, um pouco que fosse, assim alguém me acordaria e eu não teria que passar pelo resto dessa jornada na casa ilusória.
Me arrastei pelo corredor até o quarto de meus avós. Meu avô estava parado em frente a porta. Ocorreu-me que o fato de eu estar estirada no chão chamaria a atenção para algo sobrenatural, mas nada. Ele apenas me olhou e passou reto.
Fui até o sofá, lá consegui me levantar e sentei. Minha priminha estava sentada no chão, a minha frente e, como de costume, mandei ela ser minha mensageira. Só consegui falar algo como “avise a vovó que estou num pesadelo”. Ela avisou. E o mais surpreendente foi que, minha lúdica avó agiu como provavelmente agiria minha avó real: não deu muita importância ao caso e me mandou ser forte e esperar o final.
Como todo pesadelo típico de Malu Paixão, teve um ‘quê’ de engraçado e cínico quando passaram pela porta do quarto minha mãe, meu padrasto e um amigo deles que eu nunca vi na vida. Eu simplesmente inventei essa terceira pessoa. Eles foram em uma festa nessa noite (no plano real!) e, no pesadelo, lembrei-me da festa e ainda pude pensar “Nossa, chegaram cedo! Ainde nem é de dia...”. O amigo sentou-se na cadeira do balcão, meu padrasto sentou-se ao meu lado no sofá e minha mãe sumiu. Meu padrasto começou a comentar algo que passava na televisão mas eu prestava atenção apenas no meu objetivo. Acordar. Por que não acordar sozinha? Certa vez, quando criança, eu tivera um pesadelo e estava ciente disso, então fechei os olhos, me concentrei e acordei! Estranho, mas foi assim que aconteceu.
Tentei me concentrar diversas vezes,mas não conseguia sair de lá de jeito algum. Em uma delas, algo me arrastou para o chão. Estava tudo tão ondulado e ilusório que, para meu desespero, eu nem vi o que foi. Na última tentativa de me concentrar, quando abri os olhos eu estava na cama! ... mas no quarto de meus avós! Eu não havia dormido lá, e a sensação de fracasso por não estar conseguindo acordar foi me torturando a cada segundo.
Tudo estava muito escuro. Tive uma última idéia, pensei “as pessoas costumam pedir para serem beliscadas quando acham que estão sonhando, é crença, lenda, bobeira... ridículo! Mas não custar tentar...” Levei meus dedos, ainda pesados, ao braço e, com a unha, me belisquei forte até machucar de verdade. Abri os olhos e vi a televisão do quarto de meus avós. Não deu certo. Tentei novamente e aconteceu a mesma coisa,mas dessa vez não sentia meu corpo tão pesado. Virei-me devagar e vi que estava em meu quarto. O buraco negro havia sumido e as coisas estavam tão devidamente em seus lugares que não poderia mais ser algo surreal. Acordei ainda me beliscando, tive um pequeno devaneio de olhos abertos sobre a televisão, mas ao acender a luz tudo voltou ao normal, e me senti mais acordada do que nunca e, até que entre mais alguém surpreendentemente por aquela porta, estou convencida de que estou relativamente bem.

domingo, 8 de agosto de 2010

Dia dos pais... [de novo]...

Ok, querem saber o que é realmente essa imagem tão valorizada entre as famílias tradicionais da sociedade? Vou definir em duas simples palavras, se preparem hein... não sei! (...) É isso. Não sou boa com definições, principalmente quando tal coisa nunca esteve presente em minha vida. Não! Isso não é uma cobrança! Não estou querendo julgar ninguém,muito menos uma pessoa que (biologicamente falando) é um dos responsáveis pela minha existência. Tenho certeza de que (não só no meu caso),os pais ausentes tem muitos motivos para estarem sempre tão distantes, sejam eles aceitos por você ou não. Medo, insegurança, orgulho, vaidade, desprezo, indiferença... qualquer um desses fatores, que leve um pai a abandonar um filho, é também uma forte corrente que leva ao perdão. Sim,por que não?
Não fui a pessoa mais injustiçada do mundo, mas gostaria que meu pai soubesse que, se um dia ele se sentisse no dever de pedir desculpas por algo que não esteja deixando ele em paz consigo mesmo,estarei aqui. Como já disse: não sou eu que vou julgar.
Quem sabe um dia os papéis não se invertam e eu, por algum motivo, tenha que fazer o mesmo? E por que raios estou justificando tanto essa ausência do meu pai em minha vida? Bom, na verdade isso é uma introdução para o que eu tenho a dizer... Seria muito difícil as pessoas darem credibilidade a uma mensagem de Dia dos Pais de uma órfã de pai, certo? Portanto, decidi argumentar... mas vamos ao que interessa...

Não posso falar da imagem convencional de “pai”...
Nunca pude dizer as coisas que uma criança “normal” diria num dia dos pais, mesmo porque de normal eu não tenho nada...

Mas afirmo, com segurança, que nossos “pais” (sejam eles padrastos, avós, tios ou sonhos idealizados em nossas mentes juvenis) merecem total respeito, pelo simples fato de serem nossos heróis diante de uma sociedade onde o mal prevalece...

Nossos pais merecem total admiração, por nos passarem uma segurança confortante quanto mais precisamos; e por nos fazerem acreditar que eles podem destruir o mundo para nos salvar ou derrotar o monstro que vive embaixo da cama...

Nossos pais merecem um abraço caloroso nesse dia dedicado a eles, por conseguirem expressar tamanha doçura através do olhar, mantendo a real fortaleza de afeto e conforto em determinados gestos simples do cotidiano.

Como Drummond dissera certa vez das mães, digo agora aos pais: Pai não deveria morrer! “Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio.”
É isso. Feliz dia dos pais!


[principalmente aos meus avós, tios, padrasto e, por que não (?)... pai.]

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

100 anos sem o anarquista-ortográfico, boêmio e sambista Adoniran Barbosa

Se o senhor não ta lembrado, da licença de contar... Aqui donde agora está viveu o maior poeta-musical e anti-musical (ao mesmo tempo) das gerações anteriores. Orgulhosamente corinthiano, humorista do cotidiano, compositor por talento único e cantor por conveniência, Adoniran estaria hoje completando 100 anos de existência.
Às vezes, repentinamente, me bate uma baita de uma “reiva” por não ter conseguido acompanhar os melhores anos de um dos melhores compositores da musica popular brasileira. Ninguém escolhe a década em que nasce, mas que mal fizera eu para não ter a honra de viver nos tempos de Adoniran? Perdi os sambas no Brás e os trens para Jaçanã. A nostalgia de não ter conhecido a tempo o maior desbravador da licença poética acabou por tornar assim meu coração uma verdadeira “táuba de tiro ao álvaro”.
Mas, tenho eu culpa, de ter sido Iracema e ter nascido na contra mão? Mesmo em outra época espero ter feito uma citação à altura desse marco de uma era musical paulistana, pois sim... cantando temas como a Sé, Brás, São João, Bexiga, Corinthians e Malocas... numa linguagem altamente popular e caricata, não há poeta mais paulistano do que Adoniran Barbosa. Um esteriótipo de paulista que fugiu do esteriótipo de compositor.
E hoje ele vive lá no céu. E ele vive bem juntinho de nosso Senhor; de lembranças guardamos somente seus versos e seu retrato...
Adoniran, eras um artista nato!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Acordo de paz individual, mesmo sem guerra.

"Malu Paixão é estudante de artes, com uma história incomum, que tenta convencer os outros de que é agressiva.
Usa a auto-defesa clichê do ataque e conta seus segredos mais profundos para qualquer novo amigo de bar.
Embora não saibam, uma de suas principais dificuldades é a auto-definição, mesmo porque talvez nem ligue muito para o que os outros pensam a seu respeito (...) Ou não.
Ela é exatamente tudo o que não queria ser e, obviamente, não gostaria nem um pouco de ser o contrário.
A figura caótica ama sua família mais do que tudo, o que a torna ainda mais comum do que já imaginavam que talvez fosse.
Quer apenas ser feminista de brincadeira, machista de brincadeira, provocante de brincadeira, anarquista de brincadeira, saudosista de brincadeira... inclusive: nem quer viver muito a sério!
Não liga de ser toda "errada", se puder ser apenas ignorada. (...) Se puder ser "errada" em seu próprio canto.
Apesar de demonstrar o contrário, a mesma não gosta de machucar ninguém, nem mesmo quem merece... não que alguém realmente mereça. Aliás: isso não existe. (Não em seus firmes princípios hereditários!)
Já foi diversas vezes magoada, mas mantêm-se neutra, como gostaria sempre de ser tratada.
É alguém fácil de conviver a partir do momento em que os demais descobrem tal façanha.
A verdade é que a jovem não gosta de ter defeitos pelo simples fato de, com isso, poder influenciar negativamente nas vidas alheias.
Essa passa uma imagem desencanada mas é altamente tradicionalista; parece ser manipuladora mas é facilmente controlável, tendo total consciência de que faz isso somente para manter uma boa convivência com as pessoas de seu circulo social.
Não pediu para ser nada, portanto: deixem-na exercer sua função neutra, se isso for um caminho oculto para a paz.
E também não passa imagem alguma, mas passa absolutamente todas ao mesmo tempo. Não quer alterar resultados, nem atrapalhar... pois nem mesmo se orgulha de fazer parte da maldita raça humana."

por um alterego altamente bêbado de uma pessoa absolutamente sóbria.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

poetas e loucos aos poucos...


Hoje o dia não nasceu feliz. Vejo a volta das mesmas notícias. Existiria data mais oportuna para o produtor musical, Ezequiel Neves, seguir sua estrela... seu brinquedo de star?
Há exatamente 20 anos, a grande pátria desimportante despedia-se do poeta exagerado Cazuza. Aquele garoto que ia mudar o mundo, agora assiste a tudo em cima do muro! O Brasil não mostrou sua cara e nossos ídolos continuam morrendo de overdose. Zeca partiu em um trem pras estrelas, em busca de seu pierrô retrocesso, deixando pra trás sua vida louca, vida breve e suas frases feitas, suas noites perfeitas...
Aquele que afirmava não poder causar mal nenhum, de porre em porre vai me desmentindo quando concordo com essa sua afirmação absurda. Cazuza foi capaz de causar um sofrimento indescritível ao nos proporcionar essa ausência prematura; sofrimento esse que quando acaba a gente lembra que ele um dia existiu. Mas a emoção NÃO acabou, e isso está visível nos olhos dessa gente careta e covarde, que hoje enfim idolatra o maior ídolo da geração anos 80, deixando aquela falsa-idéia medieval de moralismo.
Essa saudade, às vezes, me faz odiá-lo por quase um segundo, mas depois o amo mais. Dias sim, dias não, eu vou aprendendo a sobreviver com a falta do grande mestre Cazuza, que partiu sem deixar ao menos um bilhetinho azul simples e confortante.
Como pode alguém ser tão demente, porra louca, inconseqüente e ainda amar? Cultivaremos todo o amor que houver nessa vida pelo jovem poeta maior abandonado. E Zeca parte a seu encontro com a certeza de que alguém o espera e adivinha no céu que hoje, realmente não temos data pra comemorar.
Dia triste, aniversário de morte de um dos maiores ídolos nacionais. Hoje escrevi teu nome por amor, e viver já não é tão bom, nem mesmo nas curvas da estrada. Solidão, que nada... é falta sua mesmo!... Exclusivamente sua! Poetas e loucos aos poucos se despedem desse mundo. Mas Cazuza não! Cazuza será nosso eterno veneno anti-monotonia, porque o seu canto é sua salvação, é o que o mantém vivo. O poeta demente, porra louca e inconseqüente, estará eternamente vivo, com seus moinhos de vento, a impulsionar a grande roda da história. Viva Cazuza!


O produtor Ezequiel Neves e Cazuza.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Marielle Zum Bach

Decidi publicar o texto que essa grande e maravilhosa amiga fez sobre mim. É a maior prova que uma amizade pode sim se manter a distancia.

"Malu Paixão

poderia ser simplesmente mais uma sofredora do grande mal da tpm semanal.
encontrar alguém, como eu, tão normal não seria fácil caso não fosse tão paradoxal.
sendo madeira, papel ou metal. acho que não dessa forma, artificial.
uma atriz envolvida nesse mundo bacanal.
não de forma bimestral, binomial, bissexual.
dizendo de forma coloquial, é uma pessoa legal :)
mas não sou chegada nessa forma convencional, então digo: fenomenal!
e não é artificial quando digo, afinal, não olhei em qualquer manual.
não seria necessário em âmbito não mundial, como esse.
agora que já é final,
e deixou de ser confidencial todo o carinho que sinto por essa pessoa tropical, substancial, tetradimensional (?)
que é Malu Paixão
a adorável moça que conheci no twitter e não sei mais rimar."


Marielle Zum Bach (@mariellezumbach)

domingo, 30 de maio de 2010

Uma década.

O poema abaixo é uma réplica ao poema "Boneca" que criei pouco antes da minha prima-irmã completar 10 anos de idade.
Peço desculpas por não poder explicar os motivos do "pranto" citado, ou por algo a mais que se fez incompreensível.
Esse é especificamente a ela... minha vida... minha irmã... Maitê:

"E assim, com uma década enfim vivida
Fez-se ciente de seu encanto
Numa mudança de idade embevecida
Em luz e graça, abafou seu pranto.

De boneca viva a representação de flor
Agora és figura notável.
Em pouco conhecerá a palavra dor,
Cultivando o olhar de menina amável.

Estarei narrando a cada primavera
Um pouquinho do mel que deixa em minha vida.
Pois é adorável falar sobre ela...
Maitê, meu anjo. Sempre doce, querida!"

domingo, 9 de maio de 2010

O Conto de Duas Faces

FACE A

Tirei a vida de uma criança inocente, uma alma imaculada. No começo achei boa a sensação de alívio de me livrar de um peso que tanto me atormentava; algo que, anteriormente, jamais faria parte da minha história, da minha personalidade, dos meus princípios. Adoraria reverter essa situação, mas quando deixamos o impulso tomar conta da razão, o sentido de tudo muda; os sentimentos tornam-se apenas mais uma ferramenta de nossos desejos e ações. Um erro cruel se tornara meu pior e eterno pesadelo. Tornei-me assim um monstro.

Era um fim de tarde. Ela estava sentada em frente à janela. As pernas curtas juvenis balançavam de acordo com a música da vitrola, e as maçãs do rosto, coradas, exibiam uma beleza e vitalidade que eu jamais havia exibido em momento algum de minha existência. Um sentimento terrível tomou conta de qualquer outra sensação que pudesse me dominar naquele momento.

Sentei-me ao lado dela e fiquei algum tempo observando sua expressão inocente. Sempre odiei a solidão, precisava dela ao meu lado. Minha boneca malcriada, de ossos, carne e doçura. Me sentia cada vez mais insana e imoral.

Minha irmã havia sido minha pequena companheira por incontáveis anos. Não suportava a possibilidade de perdê-la, precisava embalsamá-la ao meu lado, pelo preço que fosse; mesmo que isso custasse minha alma. Tudo o que acontecera acabara por levar aos pouquinhos minha lucidez. Já não conseguia diferenciar meus sentidos da racionalidade. Esse medo de perdê-la alimentava minha vontade de agir de acordo com o desumano. Estava eu inquestionavelmente atormentada, e em outra dimensão.

Após meu terrível crime, cada minuto naquele lugar me levava a viver experiências extremamente saudosas, mas meu arrependimento vez ou outra controlava a situação. Não havia saída. Eu estava sozinha nessa e cada segundo me mostrava que a solidão poderia aumentar cada vez mais meu sofrimento.

Apenas um ato errôneo mudara o sentido de minha vida, ou da falta de vida que se instalava em meu ser. (...) Tirei uma vida. O que poderia fazer após tal monstruosidade?

Naquela noite silenciosa fui até a cômoda da sala de estar, tomei então uma decisão. Na primeira gaveta havia um vidro de veneno que meu pai, três anos antes usara para vingar-se das traições de minha mãe. Desde então, minha irmãzinha ficara sob meus cuidados. Decidi ir embora, deixar qualquer tipo de lembrança e culpa naquele sobrado frio e sombrio. Tirei minha vida naquela noite, mas não adormeci totalmente. Passei a vagar pelos cantos úmidos e escuros da velha mansão, carregando minhas lamúrias e a dor de uma tarde fria. Uma alma revoltada, pronta para trazer alguém ao meu novo universo.

Não cometi um crime em vida. Leia agora os parágrafos de baixo para cima e conheça meu medo da solidão.


FACE B

Naquela noite silenciosa fui até a cômoda da sala de estar, tomei então uma decisão. Na primeira gaveta havia um vidro de veneno que meu pai, três anos antes usara para vingar-se das traições de minha mãe. Desde então, minha irmãzinha ficara sob meus cuidados. Decidi ir embora, deixar qualquer tipo de lembrança e culpa naquele sobrado frio e sombrio. Tirei minha vida naquela noite, mas não adormeci totalmente. Passei a vagar pelos cantos úmidos e escuros da velha mansão, carregando minhas lamúrias e a dor de uma tarde fria. Uma alma revoltada, pronta para trazer alguém ao meu novo universo.

Apenas um ato errôneo mudara o sentido de minha vida, ou da falta de vida que se instalava em meu ser. (...) Tirei uma vida. O que poderia fazer após tal monstruosidade?

Após meu terrível crime, cada minuto naquele lugar me levava a viver experiências extremamente saudosas, mas meu arrependimento vez ou outra controlava a situação. Não havia saída. Eu estava sozinha nessa e cada segundo me mostrava que a solidão poderia aumentar cada vez mais meu sofrimento.

Minha irmã havia sido minha pequena companheira por incontáveis anos. Não suportava a possibilidade de perdê-la, precisava embalsamá-la ao meu lado, pelo preço que fosse; mesmo que isso custasse minha alma. Tudo o que acontecera acabara por levar aos pouquinhos minha lucidez. Já não conseguia diferenciar meus sentidos da racionalidade. Esse medo de perdê-la alimentava minha vontade de agir de acordo com o desumano. Estava eu inquestionavelmente atormentada, e em outra dimensão.

Sentei-me ao lado dela e fiquei algum tempo observando sua expressão inocente. Sempre odiei a solidão, precisava dela ao meu lado. Minha boneca malcriada, de ossos, carne e doçura. Me sentia cada vez mais insana e imoral.

Era um fim de tarde. Ela estava sentada em frente à janela. As pernas curtas juvenis balançavam de acordo com a música da vitrola, e as maçãs do rosto, coradas, exibiam uma beleza e vitalidade que eu jamais havia exibido em momento algum de minha existência. Um sentimento terrível tomou conta de qualquer outra sensação que pudesse me dominar naquele momento.

Tirei a vida de uma criança inocente, uma alma imaculada. No começo achei boa a sensação de alívio de me livrar de um peso que tanto me atormentava; algo que, anteriormente, jamais faria parte da minha história, da minha personalidade, dos meus princípios. Adoraria reverter essa situação, mas quando deixamos o impulso tomar conta da razão, o sentido de tudo muda; os sentimentos tornam-se apenas mais uma ferramenta de nossos desejos e ações. Um erro cruel se tornara meu pior e eterno pesadelo. Tornei-me assim um monstro.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Desabafo rápido sobre a saudade e tudo mais que valha a pena não falar.

Durante toda minha infância acreditei que não poderia haver pior sentimento que o medo... só então conheci a saudade...
Ah... a saudade! Um sentimento que, não satisfeito em ser ruim por si só, é parceiro do medo.
Medo de perder, medo da distância e do esquecimento.
Engloba a angústia, solidão e o mais frágil sentimento do mundo: o amor.
Se sente saudade quando se ama.
Se sente medo quando se perde.
Se sente angústia quando se tem medo.
E estamos certos de que é amor, quando se tem saudade.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

breve história da infância...


"Junto à minha rua havia um bosque
Que um muro alto proibia
Lá todo balão caia, toda maçã nascia
E o dono do bosque nem via
Do lado de lá tanta aventura
E eu a espreitar na noite escura
A dedilhar essa modinha
A felicidade morava tão vizinha
Que, de tolo, até pensei que fosse minha..."

Até Pensei - Chico Buarque e Nana Caymmi.

Toda a dor da vida me ensinou essa modinha que, de tola, até pensei que fosse minha.

domingo, 18 de abril de 2010

Tua vez!

Nos momentos incontestáveis
E nas noites intermináveis
Que ficarás a pensar...

Manterás o seu caminho,
Te darei o meu carinho...
Pois conheço o seu pesar!

Nas barreiras das decisões;
Há quem julgue os perdões
Que nunca ousaremos negar.

As feridas que teremos
Não nos valem, pois sabemos
O sentido de amar;

És agora protagonista
E é glória de artista
Encenar pra não sofrer.

Compreendo a sua dor
Não importa aonde for
Continuarás a viver.

E se o mundo terminar...
E a mania de julgar
Te fizer olhar pra trás...

Lembres bem da minha história!
Se não me falha a memória
Somos inteiramente iguais.


Esse poema faz total sentido para mim e minha prima, que passamos pelos mesmos problemas e perdoamos os mesmo erros das pessoas mais amadas de nossas vidas. Me perdoem a ausência de explicação. É melhor que seja assim!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Um surto saudosista aos meus amigos e família;

As vezes a convivência faz com que as oportunidades de demonstrarmos certos sentimentos sejam simplesmente ignoradas, e acho que foi preciso uma grande mudança para eu notar algo tão simples!
Fico pensando em tudo que já passei, tudo o que vocês, minha família, meus amigos, fizeram por mim e o quanto eu fui feliz perto de vocês. Sinto muita saudade e uma dor enorme em saber que isso nunca volta e que Neverland está somente em nossas mentes.
Não crescer seria ótimo. Mas como não crescer perto de pessoas tão maravilhosas e GRANDES? Como não projetar planos imensos e um conto de fadas, vivendo em um esteriótipo de lar feliz com luzes coloridas no natal, mingau em família no inverno e lanches da tarde com direito a doces da infância?
Impossível! Injusto seria não crescer, não ser útil com tantos ensinamentos adquiridos. Seria até mesmo uma grande petulância de minha parte achar que eu teria o direito de viver para sempre escondida "nas barras das saias de minhas mães". Achar que sou boa o bastante para ser uma eterna princesa de meu mundinho infantil.
Nas horas intermináveis em que estou aqui pensando chego a entrar na paranóia alucinante do medo. Medo de estar perdendo tempo com saudade e daqui uns anos lamentar, e consequentemente outros anos mais a frente lamentar por ter perdido tempo lamentando, e mais a frente... enfim! Mas não consigo arrancar esse monstro saudosista de dentro de mim.
Sou o que sou graças a vocês, tenho o que tenho graças a vocês, e sinto o que sinto por culpa de vocês. Meus eternos adorados, cujo principal crime fora amar exacerbadamente, e terem sido as melhores pessoas que poderiam ter cruzado meu caminho. E que hoje o principal castigo é ter sentido minha presença um dia por perto para sentir minha ausência anos mais tarde. Não por alguma vantagem que tenha minha companhia (inclusive nem as vejo!) mas por amarem, como mostram os atos até hoje realizados. Pois o ser-humano ama sem motivos, sem razão, sem racionalidade, sem sentido, sem vantagens e sem fronteiras. O ser-humano ama, mas somente a PESSOA demonstra.
Tenho a honra de estar agradecendo essa convivência que tive com mais que seres-humanos, com PESSOAS!
A saudade, como um brinde do produto "solidão" é apenas mais uma vertigem do sentimento amor quando se está sozinho.
Os que leram até aqui sabem que esse texto é pra vocês!

quinta-feira, 25 de março de 2010

musicalmente "adeus"...

Andando no Anhangabaú vi um homem.
Não mais, nem menos do que eu. Era um homem... mais precisamente um senhor, com toda uma história escrita na face.
Sentado no chão, rabiscava uns traços fortes.
Mal olhava em volta, estava em paz.
Eis que surge um outro homem e leva um de seus papéis.
O velho mal levantava a cabeça, mas pediu que resgatassem seu desenho.
As pessoas, que passavam apressadamente mal notaram sua presença, muito menos o fato ocorrido. Foram frias, indiferentes e egoístas; mas pior fiz eu: que vi!, e nada fiz.
Foi o que me passou em mente: vi e nada fiz! ... vi e nada fiz!... como se eu pudesse fazer realmente algo. Como se fosse meu dever como cidadã brigar por um desenho de um morador de rua. E não era?

Me sentindo mais culpada do que o próprio ladrão de papéis fiz então algo ainda mais deplorável que, embora digam ser um ato de sensibilidade, não consigo ver sendo menos que um atestado de total incompetência: chorei. Disfarcei e chorei. No meio da rua, no meio de todos, escondida apenas atrás de um óculos escuro. A infelicidade morava tão vizinha que de tola, até pensei que fosse minha.

Não chorei pelo desenho, pelo homem, pela miséria, pelo egoísmo humano...
Chorei por mim! Sei que é desumano... mas chorei somente por mim.
Não senti as mesmas sensações que sentiria a algum tempo atrás.
Procurei nas mais profundas lembranças, mas não encontrei nada semelhante à indiferença praticada a segundos antes.
Acontece que o meu coração ficou frio. Um vazio se fez em meu peito, e de fato eu senti em meu peito um vazio.

Lembrei-me ainda menininha, inocente e feliz. Acreditei por alguns segundos que eu poderia pensar como antes pensava, mas logo vi que a criança que tomaria uma iniciativa não estava mais ali.
Mas por que antes eu podia abraçar o mundo e agora não posso mais?
Nosso coração é inversamente proporcional à nossa idade, só pode.

E aquela garota que ia mudar o mundo? Nem assistir a tudo em cima do muro consegue, pois fechar os olhos é absurdamente mais fácil, não é?
Não quero uma ideologia pra viver, não quero! O poeta exagerado que me desculpe, mas a única coisa que senti no momento foi a lástima de querer não saber nem ao menos o que vem a ser uma "ideologia"! Mas não posso.

Meu coração sensitivo de criança não queria crescer. Já disse mil vezes e repito: nunca quis correr na frente do tempo. Mas aconteceu. O maldito passou e continua passando!

E nesse dia, durante tal fato percebi que o que deixou mais saudades de tudo que passei na infância, acabou sendo eu mesma. A menininha morreu. Hoje temos vestígios da doçura de uma criança, que podem se corromper com o passar dos anos.
Mas a pequena heroína que tinha por volta de seus 6 ou 7 anos de idade, não está mais aqui para construir um mundo melhor! Levou minhas esperanças, meu sorriso, meu assunto, meus planos, meus pobres enganos, meus sete anos, meu coração... e só deixou suas saudades.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A religião amor;

Religião. Uma das coisas mais importantes na minha vida, acreditem se puderem.
Não exatamente a católica apostólica romana, religião na qual fui criada e aprendi desde cedo a respeitar, mas a religião que me ensinaram, aquela não-esteriotipada que prega o amor e o bem, somente o bom e velho "bem sem olhar a quem". e confesso que essa coisa toda de "fazer o bem" ou "jogar o jogo do contente"' como diria Pollyanna, traz uma satisfação imensa. Para que entendam essa minha relação maluca com meu próprio conceito de "religião" vou começar a partir de minha infância.

Fui criada na casa de meus avós maternos; e minha avó, por sua vez, foi criada em um colégio de freiras extremamente rigoroso. Sua infância baseara-se em temor, respeito e disciplina, pelo pouco que me contara.
Pois bem, desde muito pequenininha conheci as histórias da bíblia, frequentei a Igreja e ouvi sobre a importância de estarmos sempre cientes de que estamos nesse mundo apenas de passagem. Como a grande maioria das crianças, me distraia nas missas, me divertia com algumas histórias dos testamentos, não aceitava a morte, não entendia muito bem a concepção de "céu", "inferno", "purgatório", "Deus"; muito menos suas origens! Mas uma de minhas características sempre fora a aceitação. Arrisco-me a dizer que talvez eu tenha sido até mesmo uma criança extremamente fácil de controlar. "Obediente", em outras definições.

Mas enfim, sinto-me obrigada a explicar também o que "é" a religião que me ensinaram, e que sigo até hoje. Não é aquela Igreja Católica opressora e manipuladora que sigo. Não é aquela religião cega em que apenas cremos, sem questionar. A religião que me fora ensinada é aquela em que se crê com o coração, não com a mente. Não aprendi apenas a acreditar em tudo que me era imposto a fim de saciar meus medos jogando sempre a culpa em algo ou alguém; aprendi a amar quem merece e quem não merece (mesmo que esse seja o mais difícil dos desafios diários - e também o mais gratificante!), e a respeitar esse "algo ou alguém" que nos criou por simples admiração, seja ele um ponto de luz, uma energia muito forte ou uma forma humana diferente de todas que já passaram pela Terra. Seja ele Deus, ou como quer que você queira chamá-lo.

Me ensinaram certas preces, canticos e palavras; mas conforme eu crescia fui percebendo que a mais bela manifestação de "devoção" era feita através do ato de amar, e o maior símbolo da religião que eu seguia não eram as cruzes, terços, escapulários ou chagas, mas o coração.

Creia você em Deus ou não. Creia em Jesus, sua representação humana, ou não. Eu mesma, como todo ser-humano, tenho minhas dúvidas, meus medos e inseguranças. Sendo verdadeira toda essa história que nos é passada através dos tempos para que acreditemos em uma determinada religião, ou não passando de apenas lendas; o fato é que, a partir do momento em que alguém (ou alguma constituição) "criou" (ou repassou) a imagem do mártir Jesus, tornara-se digno da admiração que lhes é dada, pois confortou incontáveis almas e controlou inúmeras discussões que nunca chegariam ao fim. Nesse momento você pode chamar tal fato de "ignorância" e tentar controlar sozinho o ódio que está sentindo de milhões de 'crentes' (no sentido menos pejorativo que houver)... ou você pode entender meu ponto de vista e também definí-lo como "paz".

A noite, ao pé da cama, às vezes me questionava quanto a isso. Tinha medo de que um dia tudo não passasse de ilusão e eu me visse assim, abandonada, fria e cética. Tinha medo de que, junto com a minha crença, fosse embora minha admiração pela minha avó, pela educação que recebi e pela minha família. Tive medo do abandono até perceber que isso dependia apenas de mim. Os que crêem em algo superior estão tão certos quanto os que não crêem, ou tão errados, tanto faz. Esse é um assunto que discutiríamos décadas, mas eu sinceramente prefiro continuar acreditando no que me é mais aceitável e gastar meu tempo apenas respeitando as opiniões dos demais. O que me importa mesmo é que essa religião baseada em AMOR é uma das maiores riquezas que hoje trago comigo, e uma de minhas maiores virtudes.

O tempo foi passando e hoje mal me lembro das inúmeras orações e canções que sabia quando criança. Não vou mais à Igreja, não confesso e não comungo. Mas trago comigo esse legado. Essa religião "sem nome" que vai muito além da Igreja Católica de "lendas" ou comprovações. Religião que fez minha história, pensamentos, sentimentos, e que me aproxima (mesmo que em espírito) da minha família, que ENFIM, é a 'constituição' mais importante da minha vida.

Concordem vocês ou não, é isso que alimenta o bem que há em mim.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Sobrenome

Olá amigos-blogueiros.
Confesso que ultimamente tenho andado sem inspiração para escrever, mas hoje, vendo uns vídeos da minha família a saudade apertou, algumas lágrimas correram e decidi apresentar a vocês algumas conclusões que tirei após o ano de 2009. A saudade é tão incontrolavelmente insana e a ausência tão manipuladora que chego a sentir falta desse ano trágico. Não precisam entender o porque ou como, apenas acreditem, e se puderem... sintam! Compartilhem comigo algumas verdades traçadas não pela razão, mas pelo sentir...

Sobrenome;

Descobri que o mundo desaba em questão de segundos,
Que as lágrimas são apenas uma pequena demonstração de fraqueza,
E a paz caminha muito próxima à força.
Aprendi que não se pode controlar outras personalidades que não a sua,
E em certos casos nem mesmo a sua.
Vi que o sofrimento é um círculo vicioso,
Que você nunca chora sozinho,
E que algumas pessoas não tem "laços", e sim CORRENTES afetivas!
Descobri que a dor triplica quando o amor nasce multiplicado,
Que a presença de certas lembranças preenchem o vazio que a ausência traz,
E que "a pausa do mundo" é na verdade apenas o desespero de quem chora.
Aprendi, meus amigos, que a causa disso tudo é meu sobrenome ingrato, intenso, insensato;
O qual ouso negar senti-lo,
Mas existe desfigurado em algum canto de mim.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

imperfeição;

entre meus rabiscos guardados achei um poema escrito um pouco antes do carnaval desse mesmo ano (que diga-se de passagem, foi tão insignificante quanto os anteriores!).
Não tenho o costume de publicar poemas escritos a lápis por mim mesma pois minha aceitação com os mesmos não dura mais que uns 15 minutos, depois tudo vira lixo a meu ver. Com esse não foi diferente. Não sei porque estou colocando aqui. Talvez porque essas palavras desalinhadas me lembrem minha casinha em Taubaté, pois foi lá que escrevi. Acho que o momento vale mais que o poema em si. Mas ora, olha eu dando satisfação sobre minhas postagens. Seguindo o título da postagem, posso afirmar que uma de minhas maiores "imperfeições" é expor minha vida e meus sentimentos dessa maneira; e outra é ser prolixa... então vamos ao poema...

Mergulhando em um sonho lírico,
Esqueci-me de contar,
Que em meu mundo irreal,
Não há tempo pra pensar.

Nas histórias que criei,
E passei a admirar,
Não existem seres-humanos,
Incapazes de amar.

Não há imperfeição,
Desconhecem o verbo "errar",
Não existe a saudade,
Nem o ato de lembrar.

Mas nesse meu mundo estranho,
Dentre costumes de acertar,
Não há valorização,
Do simples ato de amar.

[Imperfeição]

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Terra da Garoa;

Antes de mais nada vou confirmar a dúvida de muitos por aqui, o título da postagem foi sim uma ironia. Talvez em outra época, em outras circunstâncias não fosse; mas devido aos fatos, enchentes devastadoras e acontecimentos, passou a ser. Venho em meio desta postagem então defender a terra que tem nos trazido tanta preocupação ultimamente. Embora não tenha nascido lá, grande parte de minha infância passei nos apartamentos de meus tios, nas praças, museus e parques que fazem história nessa cidade. Não a chamamos exatamente de "cidade maravilhosa" até mesmo porque esse título já existe para um outro lugar, mas eu diria que, dentre as principais qualidades, a de 'não ser extremamente perfeita' é a melhor delas.
Dilvulgo agora um texto repassado pelo meu amigo Guilherme Dietrich (@GuiDietrich) do Twitter que foi publicado no dia 7 de dezembro no blog Contra a Correnteza.
Eis aqui um texto realisticamente poético sobre a cidade mais culturalmente industrializada desse imenso país de variedades...

Voltei à rotina.

Depois de alguns dias passeando na tal "Terra da Garoa", volto à "Cidade Maravilhosa" com uma constatação: pode fazer um sol danado em São Paulo e o Rio continua bonito, mas longe de ser maravilhoso.

Temos aqui engarrafamentos proporcionalmente tão monstruosos quanto.

Mas não é esse o assunto, hoje quero falar sobre a cidade em que não nasci, mas pela qual me apaixono mais e mais a cada visita.

São Paulo não é para pessoas rasas, isso é fato.

Apreciá-la requer um olhar que transponha a sua grandeza, o seu caos, a sua multidão de rostos indo e vindo e penetre nas suas nuances. Causa espanto para quem tem a sorte de possuir este olhar como esta cidade grandiloquente em tudo pode ser tão intimista, detalhista, minimalista.

Cafés, sorveterias, livrarias, recantos, um simples banco no Parque Trianon e a refrescante sombra de suas árvores, as esquinas, as pequenas galerias, os achados.

Seu mapa sinuoso é um mapa do tesouro, de vários tesouros, basta que se procure.

Sabores, cores, histórias e recantos de uma cidade que, para quem assim como eu aprecia sensações, é um dos melhores lugares do mundo.

Pude rever a sua Rua Augusta, que tão paulistana como é, não se contenta em ser "normal" e dependendo do referencial, tem duas subidas e duas descidas.

Cada uma guardando tesouros, como uma pequena loja que vende lindos e deliciosos cupcakes, a Sotto Zero e seus sorvetes ali há tanto tempo, a Galeria Ouro Fino e seus doidões de butique, as Alamedas e a Oscar Freire, que possuem quase todos os prazeres que o dinheiro pode comprar.

Para os demais prazeres, basta ir "pro outro lado", com seus bares, casas noturnas, puteiros e teatros. De um lado, a Estados Unidos e na outra ponta a praça Roosevelt, no meio disso tudo, o mundo. Nada poderia ser mais perfeito para definir uma rua.

São tantos assuntos, que acho que voltarei a falar sobre a cidade algumas vezes aqui, porque ela não merece um texto, uma crônica, uma poesia e nem um livro, essa cidade merece uma enciclopédia dedicada só a ela.

Fazia tempo que não visitava São Paulo, mas pude lembrar bem porque gosto tanto dessa terra. Ela desperta paixões porque possui um pouco de todos nós, um pouco do que trazemos dentro de nós, a beleza, a feiúra, a doçura, a violência, o caos e a paz.

São Paulo é um pouco da vida, cada curva revela uma surpresa e cada retorno ou cruzamento que viramos, pode revelar coisas muito belas ou muito feias, mas todas extremamente verdadeiras.

Problemas, todos os tem, não seria diferente por lá.

Mas poucos lugares no planeta possuem tantos antídotos para os males da rotina quanto o antigo Povoamento do Pátio do Colégio, essa minha querida São Paulo de Piratininga, que um dia ainda me concederá intimidade suficiente para chamá-la simplesmente de "Sampa".

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A escolhida

Entre tantas outras vidas
Outras tantas almas perdidas
Vi a sua se desfazer
Dentre inúmeros infelizes loucos
Ouvi seus gritos aos poucos
Saudarem cada amanhecer.

Entre variadas rotinas
Em milhares de meninas
Uma é destinada a sofrer
Quando falo do passado
Além de um verso rasgado
Alimento o meu ser.

Entre letras escorridas
Escarradas e esculpidas
Entendi o seu pesar
Toda angústia torturante
E a dor em seu semblante
Me ensinaram amar.

Entre amargos devaneios
Procuramos outros meios
De fugir da realidade
Cada ato indolor
Hoje deixa uma dor
Bem mais forte que a saudade.

Entre tantos outros poemas
Um ressalta seus problemas
E hoje me leva a crer
Que dentre tantas outras vidas
Outras tantas almas perdidas
Quem mais sofre é você.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Almoço em família

"Droga! Droga! Droga! Não quero ir!" resmunguei enquanto minha mãe abria a janela do meu quarto permitindo a invasão daqueles floquinhos brilhantes misteriosos que circulam pelo ar.

- Filha, você sabe que domingo é dia de almoço em família. Todos seus primos estarão lá e vai ser divertido ouvir as histórias dos seus tios.

Temos aí dois bons motivos para não ir: (1) Todos os primos reunidos arquitentando um plano para acabar com o seu domingo e (2) Seus tios brincando de conte-aquela-história-idiota-o-máximo-de-vezes-que-puder!
Mais que depressa acionei meu estoque de desculpas para não ir...

- Mãe, tenho prova de álgebra no terça; tenho que cuidar do cachorro; estou gripada, com dor-de-cabeça, náusea, coriza, dor no corpo, dor de ouvido, dor nas unhas e nas pontas do cílios e, além do mais, tenho que estar por aqui caso um grupo de ninjas chineses decidam assaltar nossa geladeira durante a tarde!
- Ok querida, vou tomar um banho e quando sair quero ver você pronta. Estou ansiosa para conhecer o namoradinho da sua prima Karina.

"Como? Karina? Eu tenho uma prima chamada Karina?" pensei comigo. Minha família se multiplica como uma criação de coelhos! A não ser que essa Karina seja aquela minha prima chata de treze anos que ainda nem saiu das fraldas.
Ah meu Deus!! O maior crime que cometi foi o de roubar balinhas na infância e já estou recebendo uma pena para assassinos.
Todo almoço em família é assim: Chegamos sorrindo, os primos mais novos estão gritando e correndo pela casa enquanto os aborrescentes os censuram com olhares rotulados de "ainda bem que agora sou adulto"; as tias distribuem beijocas e falam mal de vizinhos e conhecidos; os tios tiram sarro uns dos outros e exibem fotos de seus carros e suas empresas, os avós assistem aquele programa depressivo de domingo enquanto a cozinheira Maria se estabana toda com as travessas e talheres. Quando você chega, você passa a ser o assunto. "E aí? Já arrumou namorado? Está indo bem nas provas? Passou no vestibular? Está ajudando sua mãe com as tarefas do lar? Decidiu seu futuro? Vai querer casar? Ter filhos? Está emburrada? Caiu da cama hoje? Acordou com o pé esquerdo? Qual a cor da calcinha que você está usando?" ... e você mantêm aquela resposta única na mente, para todas essas perguntas, a convencional "Vá se ferrar!".
Enfim chega a hora do almoço. Os priminhos se estapeiam pelos lugares mais confortáveis, enquanto os adultos "quebram a cabeça" para arranjar um jeito de não separar os casais. (O que eu nunca entendi, porque estamos ali para comer e não para conversar, ou namorar...). Surge sempre um pentelho que não gosta do prato e a coitada da Maria corre para fritar uns bifes para o parente enjoado. A lei de murphy sempre age de acordo com a hora mais inoportuna e nunca se esquece de derrubar um talher ou um copo, aumentando ainda mais o tumulto.
É impressionante como as travessas se organizam na mesa a favor do aumento do grau de nossa insanidade. Sempre nos sentamos perto daquilo que menos gostamos de comer e longe daquilo que queremos repetir. As crianças geralmente são colocadas em frente às saladas e longe das batatas fritas, e acabam subindo por cima de todo mundo durante o almoço. Os que não comem feijão acabam atraindo a travessa de feijão para a sua frente e assim sucessivamente.
Todos comem, falam, gritam, dão risada, as crianças choram; os adultos discutem a última cena da novela, a criação dos filhos e tentam criticar e questionar temas universalmente inquestionáveis. Bebês engasgam, pirralhos brigam, a TV continua ligada, o radinho de pilha da Maria "manda bala" no sertanejo e quando você menos espera alguém derruba um copo cheio de refrigerante em você. Seu cérebro fica cada vez mais comprimido devido ao excesso de besteira de alguns parentes fúteis e sua alma corre da esquerda para direita e da direita para a esquerda batendo nos cantos da sala de jantar. Suas pernas pulam sozinhas, suas veias pulsam, sua pele arde, sua língua coça... mas qualquer coisa que você diga ou faça só vai ser mais um pretexto para uma nova discussão. Você tem que fingir que é um deles para não ser chamado de "anti-social" optando então por deixar sua coerência um pouco de lado.
Bater de talheres, trincar de copos, arrastar de cadeiras, sertanejo no radinho, apresentador gordo e maluco mostrando ao mundo gente que definitivamente não tem talento e, ufa! Fim de almoço. Aos poucos as pessoas vão terminando, deixando a mesa, levando os pratos para a cozinha... você só tem que aguentar mais alguns minutos na sala com seus priminhos mimados e os aborrescentes que acham que sabem de tudo e em poucas horas estará novamente na paz do seu quarto.
Ah... o seu quarto... Aquele silêncio só seu, aquela liberdade... aquele tédio! Tédio... tédio... falta do que fazer... tédio! (...) Nada de parentes por perto. Nada de família barulhenta, nada de histórias repetidas e engraçadas dos seus tios... E de repente, você se dá conta que o seu mundinho é muito chato, e que a maior aventura é estar em família.

- Pronto filha! Terminei o banho. Vamos depressa que seus avós já devem estar esperando!

Mais que depressa pego minha máquina fotográfica e corro em direção a porta. Ahh .. ALMOÇO EM FAMÍLIA! Estou ansiosa para registrar esse momento!

sábado, 2 de janeiro de 2010

Mulher de Marte - Betty Vidigal

"Não me olhes com esses olhos de perigo:
cuidado comigo.
Se mergulho nos teus olhos, não consigo
deixar de provocar-te. É um vício antigo,
e esse meu lado disfarçado, ambíguo,
tão diferente do meu jeito
usual de fazer tudo direito
é, dos meus defeitos,
talvez a pior parte.

Sei que dizem que as mulheres são de Vênus,
mas sei que eu, pelo menos,
sou de Marte."

[Mulher de Marte - Betty Vidigal.]

sob o sobre mim

Fogo frio, tudo e nada;
Emoções passadas, personalidade presente.
Não me julgue, não me irrite... não percebo!
Não me condene pelo grau de meu medo,
Quem dirá pela minha opinião ausente.

Sou daquele jeito, desse jeito e nem sei;
Não descrevo sensações, pessoas e momentos;
Não relato com clareza os sentimentos,
Mal sei sentir,
Nem sei amar profundamente;
Já nem me encontro constantemente,
Mal sei sorrir.

Sou fogo frio, tudo e nada;
Inodora, incolor, insensível, apática,
Talvez uma imagem desfigurada.

Impossível citar características válidas,
Quanto mais descrever algo tão complicado.
Só não me julgue,
Se nem sei sobre o presente...
É pura tolice encontrar o passado.