quarta-feira, 10 de março de 2010

A religião amor;

Religião. Uma das coisas mais importantes na minha vida, acreditem se puderem.
Não exatamente a católica apostólica romana, religião na qual fui criada e aprendi desde cedo a respeitar, mas a religião que me ensinaram, aquela não-esteriotipada que prega o amor e o bem, somente o bom e velho "bem sem olhar a quem". e confesso que essa coisa toda de "fazer o bem" ou "jogar o jogo do contente"' como diria Pollyanna, traz uma satisfação imensa. Para que entendam essa minha relação maluca com meu próprio conceito de "religião" vou começar a partir de minha infância.

Fui criada na casa de meus avós maternos; e minha avó, por sua vez, foi criada em um colégio de freiras extremamente rigoroso. Sua infância baseara-se em temor, respeito e disciplina, pelo pouco que me contara.
Pois bem, desde muito pequenininha conheci as histórias da bíblia, frequentei a Igreja e ouvi sobre a importância de estarmos sempre cientes de que estamos nesse mundo apenas de passagem. Como a grande maioria das crianças, me distraia nas missas, me divertia com algumas histórias dos testamentos, não aceitava a morte, não entendia muito bem a concepção de "céu", "inferno", "purgatório", "Deus"; muito menos suas origens! Mas uma de minhas características sempre fora a aceitação. Arrisco-me a dizer que talvez eu tenha sido até mesmo uma criança extremamente fácil de controlar. "Obediente", em outras definições.

Mas enfim, sinto-me obrigada a explicar também o que "é" a religião que me ensinaram, e que sigo até hoje. Não é aquela Igreja Católica opressora e manipuladora que sigo. Não é aquela religião cega em que apenas cremos, sem questionar. A religião que me fora ensinada é aquela em que se crê com o coração, não com a mente. Não aprendi apenas a acreditar em tudo que me era imposto a fim de saciar meus medos jogando sempre a culpa em algo ou alguém; aprendi a amar quem merece e quem não merece (mesmo que esse seja o mais difícil dos desafios diários - e também o mais gratificante!), e a respeitar esse "algo ou alguém" que nos criou por simples admiração, seja ele um ponto de luz, uma energia muito forte ou uma forma humana diferente de todas que já passaram pela Terra. Seja ele Deus, ou como quer que você queira chamá-lo.

Me ensinaram certas preces, canticos e palavras; mas conforme eu crescia fui percebendo que a mais bela manifestação de "devoção" era feita através do ato de amar, e o maior símbolo da religião que eu seguia não eram as cruzes, terços, escapulários ou chagas, mas o coração.

Creia você em Deus ou não. Creia em Jesus, sua representação humana, ou não. Eu mesma, como todo ser-humano, tenho minhas dúvidas, meus medos e inseguranças. Sendo verdadeira toda essa história que nos é passada através dos tempos para que acreditemos em uma determinada religião, ou não passando de apenas lendas; o fato é que, a partir do momento em que alguém (ou alguma constituição) "criou" (ou repassou) a imagem do mártir Jesus, tornara-se digno da admiração que lhes é dada, pois confortou incontáveis almas e controlou inúmeras discussões que nunca chegariam ao fim. Nesse momento você pode chamar tal fato de "ignorância" e tentar controlar sozinho o ódio que está sentindo de milhões de 'crentes' (no sentido menos pejorativo que houver)... ou você pode entender meu ponto de vista e também definí-lo como "paz".

A noite, ao pé da cama, às vezes me questionava quanto a isso. Tinha medo de que um dia tudo não passasse de ilusão e eu me visse assim, abandonada, fria e cética. Tinha medo de que, junto com a minha crença, fosse embora minha admiração pela minha avó, pela educação que recebi e pela minha família. Tive medo do abandono até perceber que isso dependia apenas de mim. Os que crêem em algo superior estão tão certos quanto os que não crêem, ou tão errados, tanto faz. Esse é um assunto que discutiríamos décadas, mas eu sinceramente prefiro continuar acreditando no que me é mais aceitável e gastar meu tempo apenas respeitando as opiniões dos demais. O que me importa mesmo é que essa religião baseada em AMOR é uma das maiores riquezas que hoje trago comigo, e uma de minhas maiores virtudes.

O tempo foi passando e hoje mal me lembro das inúmeras orações e canções que sabia quando criança. Não vou mais à Igreja, não confesso e não comungo. Mas trago comigo esse legado. Essa religião "sem nome" que vai muito além da Igreja Católica de "lendas" ou comprovações. Religião que fez minha história, pensamentos, sentimentos, e que me aproxima (mesmo que em espírito) da minha família, que ENFIM, é a 'constituição' mais importante da minha vida.

Concordem vocês ou não, é isso que alimenta o bem que há em mim.