quarta-feira, 7 de julho de 2010

poetas e loucos aos poucos...


Hoje o dia não nasceu feliz. Vejo a volta das mesmas notícias. Existiria data mais oportuna para o produtor musical, Ezequiel Neves, seguir sua estrela... seu brinquedo de star?
Há exatamente 20 anos, a grande pátria desimportante despedia-se do poeta exagerado Cazuza. Aquele garoto que ia mudar o mundo, agora assiste a tudo em cima do muro! O Brasil não mostrou sua cara e nossos ídolos continuam morrendo de overdose. Zeca partiu em um trem pras estrelas, em busca de seu pierrô retrocesso, deixando pra trás sua vida louca, vida breve e suas frases feitas, suas noites perfeitas...
Aquele que afirmava não poder causar mal nenhum, de porre em porre vai me desmentindo quando concordo com essa sua afirmação absurda. Cazuza foi capaz de causar um sofrimento indescritível ao nos proporcionar essa ausência prematura; sofrimento esse que quando acaba a gente lembra que ele um dia existiu. Mas a emoção NÃO acabou, e isso está visível nos olhos dessa gente careta e covarde, que hoje enfim idolatra o maior ídolo da geração anos 80, deixando aquela falsa-idéia medieval de moralismo.
Essa saudade, às vezes, me faz odiá-lo por quase um segundo, mas depois o amo mais. Dias sim, dias não, eu vou aprendendo a sobreviver com a falta do grande mestre Cazuza, que partiu sem deixar ao menos um bilhetinho azul simples e confortante.
Como pode alguém ser tão demente, porra louca, inconseqüente e ainda amar? Cultivaremos todo o amor que houver nessa vida pelo jovem poeta maior abandonado. E Zeca parte a seu encontro com a certeza de que alguém o espera e adivinha no céu que hoje, realmente não temos data pra comemorar.
Dia triste, aniversário de morte de um dos maiores ídolos nacionais. Hoje escrevi teu nome por amor, e viver já não é tão bom, nem mesmo nas curvas da estrada. Solidão, que nada... é falta sua mesmo!... Exclusivamente sua! Poetas e loucos aos poucos se despedem desse mundo. Mas Cazuza não! Cazuza será nosso eterno veneno anti-monotonia, porque o seu canto é sua salvação, é o que o mantém vivo. O poeta demente, porra louca e inconseqüente, estará eternamente vivo, com seus moinhos de vento, a impulsionar a grande roda da história. Viva Cazuza!


O produtor Ezequiel Neves e Cazuza.