sexta-feira, 6 de agosto de 2010

100 anos sem o anarquista-ortográfico, boêmio e sambista Adoniran Barbosa

Se o senhor não ta lembrado, da licença de contar... Aqui donde agora está viveu o maior poeta-musical e anti-musical (ao mesmo tempo) das gerações anteriores. Orgulhosamente corinthiano, humorista do cotidiano, compositor por talento único e cantor por conveniência, Adoniran estaria hoje completando 100 anos de existência.
Às vezes, repentinamente, me bate uma baita de uma “reiva” por não ter conseguido acompanhar os melhores anos de um dos melhores compositores da musica popular brasileira. Ninguém escolhe a década em que nasce, mas que mal fizera eu para não ter a honra de viver nos tempos de Adoniran? Perdi os sambas no Brás e os trens para Jaçanã. A nostalgia de não ter conhecido a tempo o maior desbravador da licença poética acabou por tornar assim meu coração uma verdadeira “táuba de tiro ao álvaro”.
Mas, tenho eu culpa, de ter sido Iracema e ter nascido na contra mão? Mesmo em outra época espero ter feito uma citação à altura desse marco de uma era musical paulistana, pois sim... cantando temas como a Sé, Brás, São João, Bexiga, Corinthians e Malocas... numa linguagem altamente popular e caricata, não há poeta mais paulistano do que Adoniran Barbosa. Um esteriótipo de paulista que fugiu do esteriótipo de compositor.
E hoje ele vive lá no céu. E ele vive bem juntinho de nosso Senhor; de lembranças guardamos somente seus versos e seu retrato...
Adoniran, eras um artista nato!