sexta-feira, 30 de julho de 2010

Acordo de paz individual, mesmo sem guerra.

"Malu Paixão é estudante de artes, com uma história incomum, que tenta convencer os outros de que é agressiva.
Usa a auto-defesa clichê do ataque e conta seus segredos mais profundos para qualquer novo amigo de bar.
Embora não saibam, uma de suas principais dificuldades é a auto-definição, mesmo porque talvez nem ligue muito para o que os outros pensam a seu respeito (...) Ou não.
Ela é exatamente tudo o que não queria ser e, obviamente, não gostaria nem um pouco de ser o contrário.
A figura caótica ama sua família mais do que tudo, o que a torna ainda mais comum do que já imaginavam que talvez fosse.
Quer apenas ser feminista de brincadeira, machista de brincadeira, provocante de brincadeira, anarquista de brincadeira, saudosista de brincadeira... inclusive: nem quer viver muito a sério!
Não liga de ser toda "errada", se puder ser apenas ignorada. (...) Se puder ser "errada" em seu próprio canto.
Apesar de demonstrar o contrário, a mesma não gosta de machucar ninguém, nem mesmo quem merece... não que alguém realmente mereça. Aliás: isso não existe. (Não em seus firmes princípios hereditários!)
Já foi diversas vezes magoada, mas mantêm-se neutra, como gostaria sempre de ser tratada.
É alguém fácil de conviver a partir do momento em que os demais descobrem tal façanha.
A verdade é que a jovem não gosta de ter defeitos pelo simples fato de, com isso, poder influenciar negativamente nas vidas alheias.
Essa passa uma imagem desencanada mas é altamente tradicionalista; parece ser manipuladora mas é facilmente controlável, tendo total consciência de que faz isso somente para manter uma boa convivência com as pessoas de seu circulo social.
Não pediu para ser nada, portanto: deixem-na exercer sua função neutra, se isso for um caminho oculto para a paz.
E também não passa imagem alguma, mas passa absolutamente todas ao mesmo tempo. Não quer alterar resultados, nem atrapalhar... pois nem mesmo se orgulha de fazer parte da maldita raça humana."

por um alterego altamente bêbado de uma pessoa absolutamente sóbria.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

poetas e loucos aos poucos...


Hoje o dia não nasceu feliz. Vejo a volta das mesmas notícias. Existiria data mais oportuna para o produtor musical, Ezequiel Neves, seguir sua estrela... seu brinquedo de star?
Há exatamente 20 anos, a grande pátria desimportante despedia-se do poeta exagerado Cazuza. Aquele garoto que ia mudar o mundo, agora assiste a tudo em cima do muro! O Brasil não mostrou sua cara e nossos ídolos continuam morrendo de overdose. Zeca partiu em um trem pras estrelas, em busca de seu pierrô retrocesso, deixando pra trás sua vida louca, vida breve e suas frases feitas, suas noites perfeitas...
Aquele que afirmava não poder causar mal nenhum, de porre em porre vai me desmentindo quando concordo com essa sua afirmação absurda. Cazuza foi capaz de causar um sofrimento indescritível ao nos proporcionar essa ausência prematura; sofrimento esse que quando acaba a gente lembra que ele um dia existiu. Mas a emoção NÃO acabou, e isso está visível nos olhos dessa gente careta e covarde, que hoje enfim idolatra o maior ídolo da geração anos 80, deixando aquela falsa-idéia medieval de moralismo.
Essa saudade, às vezes, me faz odiá-lo por quase um segundo, mas depois o amo mais. Dias sim, dias não, eu vou aprendendo a sobreviver com a falta do grande mestre Cazuza, que partiu sem deixar ao menos um bilhetinho azul simples e confortante.
Como pode alguém ser tão demente, porra louca, inconseqüente e ainda amar? Cultivaremos todo o amor que houver nessa vida pelo jovem poeta maior abandonado. E Zeca parte a seu encontro com a certeza de que alguém o espera e adivinha no céu que hoje, realmente não temos data pra comemorar.
Dia triste, aniversário de morte de um dos maiores ídolos nacionais. Hoje escrevi teu nome por amor, e viver já não é tão bom, nem mesmo nas curvas da estrada. Solidão, que nada... é falta sua mesmo!... Exclusivamente sua! Poetas e loucos aos poucos se despedem desse mundo. Mas Cazuza não! Cazuza será nosso eterno veneno anti-monotonia, porque o seu canto é sua salvação, é o que o mantém vivo. O poeta demente, porra louca e inconseqüente, estará eternamente vivo, com seus moinhos de vento, a impulsionar a grande roda da história. Viva Cazuza!


O produtor Ezequiel Neves e Cazuza.