segunda-feira, 30 de agosto de 2010

personagens;

Onde estão meus personagens?
Não estão mais no papel!
Já procurei em sonhos...
Nem sei se realmente existem...
Talvez estejam dentro de mim.
Fugiram até das minhas lembranças;
E estavam tão bem guardados nas minhas intermináveis histórias.
De vez em quando aparecem;
Passam um bom tempo comigo,
Depois vão embora... levando minha paz;
Nem ao menos concretizam uma falsa alegria!
Não deixam nada de presente;
Mas nem reclamo, pois sou eu a dona deles;
Apesar de não ter controle algum.
Vão então, pouco a pouco, embora...
E me deixam um realismo intragável!
Sem devaneios...
Sem aventuras...
Sem perfeição...
Sem maldade...
Só uma rotineira e enjoativa verdade.
Fosse eu um pouquinho mais insana;
Ou talvez mais realista...
Estariam sempre comigo em um conto eterno,
Ou iriam embora de vez...

O conforto é que voltam; em quarenta anos ou mais.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A casa ilusória

É ruim, eu sei! E eu não reli para não perder o costume. Mas preciso guardar isso em algum lugar... que seja...

Como todo pesadelo, começou do nada. Eu ainda estava confusa, entrando em transe, não me lembro ao certo. Só me lembro de que, me deitei na cama e, assim como ocorreu a 5 minutos atrás, acordei no meio da madrugada, no meu quarto mesmo, com uma tontura muito forte. O quarto inteiro girava, como uma sensação de estar bêbada com o mal-estar pós-porre. Foi então que o mais estranho aconteceu, não perguntem-me como, mas percebi que era um pesadelo.
Foi tão real que eu estava passando o final de semana na casa dos meus avós, e o meu quarto estava do mesmo jeito. Pensei: se é um pesadelo pode acontecer qualquer coisa, e foi assim que meu medo aflorou. Precisava de alguém, urgentemente, para me acordar. Decidi gritar. Inocência a minha de achar que naquele pesadelo algo seria diferente e,pela primeira vez, minha voz fluiria normalmente no auge de um pesadelo clichê, onde não se corre, fala, grita e muito menos ganha. (Seja de qualquer perigo que você esteja enfrentando).
Tentei gritar diversas vezes mas a voz não saía. Um líquido frio começou a escorrer da minha boca, mas algo dificultava meus movimentos, eu nem ao menos conseguia levar uma das mãos ao rosto. Tudo pesava e rodava ao mesmo tempo.
A solução que encontrei foi levantar e correr até o quarto de meus avós. Ao me virar na cama fui arremessada ao chão, sentindo uma sensação de peso ainda maior. Tentei gritar mais algumas vezes e percebi que parte do meu quarto não existia. Havia um buraco negro enorme, como uma verdadeira ilusão de ótica. De fato, era um pesadelo e eu estava lutando para acordar. Uma dúvida me apareceu por um momento: “Se no pesadelo estou me esforçando até a alma para que saia um único ruído, será que minha forma real nesse momento está emitindo algum som?”. E seria bom que, no plano real, mesmo dormindo eu estivesse gritando, um pouco que fosse, assim alguém me acordaria e eu não teria que passar pelo resto dessa jornada na casa ilusória.
Me arrastei pelo corredor até o quarto de meus avós. Meu avô estava parado em frente a porta. Ocorreu-me que o fato de eu estar estirada no chão chamaria a atenção para algo sobrenatural, mas nada. Ele apenas me olhou e passou reto.
Fui até o sofá, lá consegui me levantar e sentei. Minha priminha estava sentada no chão, a minha frente e, como de costume, mandei ela ser minha mensageira. Só consegui falar algo como “avise a vovó que estou num pesadelo”. Ela avisou. E o mais surpreendente foi que, minha lúdica avó agiu como provavelmente agiria minha avó real: não deu muita importância ao caso e me mandou ser forte e esperar o final.
Como todo pesadelo típico de Malu Paixão, teve um ‘quê’ de engraçado e cínico quando passaram pela porta do quarto minha mãe, meu padrasto e um amigo deles que eu nunca vi na vida. Eu simplesmente inventei essa terceira pessoa. Eles foram em uma festa nessa noite (no plano real!) e, no pesadelo, lembrei-me da festa e ainda pude pensar “Nossa, chegaram cedo! Ainde nem é de dia...”. O amigo sentou-se na cadeira do balcão, meu padrasto sentou-se ao meu lado no sofá e minha mãe sumiu. Meu padrasto começou a comentar algo que passava na televisão mas eu prestava atenção apenas no meu objetivo. Acordar. Por que não acordar sozinha? Certa vez, quando criança, eu tivera um pesadelo e estava ciente disso, então fechei os olhos, me concentrei e acordei! Estranho, mas foi assim que aconteceu.
Tentei me concentrar diversas vezes,mas não conseguia sair de lá de jeito algum. Em uma delas, algo me arrastou para o chão. Estava tudo tão ondulado e ilusório que, para meu desespero, eu nem vi o que foi. Na última tentativa de me concentrar, quando abri os olhos eu estava na cama! ... mas no quarto de meus avós! Eu não havia dormido lá, e a sensação de fracasso por não estar conseguindo acordar foi me torturando a cada segundo.
Tudo estava muito escuro. Tive uma última idéia, pensei “as pessoas costumam pedir para serem beliscadas quando acham que estão sonhando, é crença, lenda, bobeira... ridículo! Mas não custar tentar...” Levei meus dedos, ainda pesados, ao braço e, com a unha, me belisquei forte até machucar de verdade. Abri os olhos e vi a televisão do quarto de meus avós. Não deu certo. Tentei novamente e aconteceu a mesma coisa,mas dessa vez não sentia meu corpo tão pesado. Virei-me devagar e vi que estava em meu quarto. O buraco negro havia sumido e as coisas estavam tão devidamente em seus lugares que não poderia mais ser algo surreal. Acordei ainda me beliscando, tive um pequeno devaneio de olhos abertos sobre a televisão, mas ao acender a luz tudo voltou ao normal, e me senti mais acordada do que nunca e, até que entre mais alguém surpreendentemente por aquela porta, estou convencida de que estou relativamente bem.

domingo, 8 de agosto de 2010

Dia dos pais... [de novo]...

Ok, querem saber o que é realmente essa imagem tão valorizada entre as famílias tradicionais da sociedade? Vou definir em duas simples palavras, se preparem hein... não sei! (...) É isso. Não sou boa com definições, principalmente quando tal coisa nunca esteve presente em minha vida. Não! Isso não é uma cobrança! Não estou querendo julgar ninguém,muito menos uma pessoa que (biologicamente falando) é um dos responsáveis pela minha existência. Tenho certeza de que (não só no meu caso),os pais ausentes tem muitos motivos para estarem sempre tão distantes, sejam eles aceitos por você ou não. Medo, insegurança, orgulho, vaidade, desprezo, indiferença... qualquer um desses fatores, que leve um pai a abandonar um filho, é também uma forte corrente que leva ao perdão. Sim,por que não?
Não fui a pessoa mais injustiçada do mundo, mas gostaria que meu pai soubesse que, se um dia ele se sentisse no dever de pedir desculpas por algo que não esteja deixando ele em paz consigo mesmo,estarei aqui. Como já disse: não sou eu que vou julgar.
Quem sabe um dia os papéis não se invertam e eu, por algum motivo, tenha que fazer o mesmo? E por que raios estou justificando tanto essa ausência do meu pai em minha vida? Bom, na verdade isso é uma introdução para o que eu tenho a dizer... Seria muito difícil as pessoas darem credibilidade a uma mensagem de Dia dos Pais de uma órfã de pai, certo? Portanto, decidi argumentar... mas vamos ao que interessa...

Não posso falar da imagem convencional de “pai”...
Nunca pude dizer as coisas que uma criança “normal” diria num dia dos pais, mesmo porque de normal eu não tenho nada...

Mas afirmo, com segurança, que nossos “pais” (sejam eles padrastos, avós, tios ou sonhos idealizados em nossas mentes juvenis) merecem total respeito, pelo simples fato de serem nossos heróis diante de uma sociedade onde o mal prevalece...

Nossos pais merecem total admiração, por nos passarem uma segurança confortante quanto mais precisamos; e por nos fazerem acreditar que eles podem destruir o mundo para nos salvar ou derrotar o monstro que vive embaixo da cama...

Nossos pais merecem um abraço caloroso nesse dia dedicado a eles, por conseguirem expressar tamanha doçura através do olhar, mantendo a real fortaleza de afeto e conforto em determinados gestos simples do cotidiano.

Como Drummond dissera certa vez das mães, digo agora aos pais: Pai não deveria morrer! “Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio.”
É isso. Feliz dia dos pais!


[principalmente aos meus avós, tios, padrasto e, por que não (?)... pai.]

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

100 anos sem o anarquista-ortográfico, boêmio e sambista Adoniran Barbosa

Se o senhor não ta lembrado, da licença de contar... Aqui donde agora está viveu o maior poeta-musical e anti-musical (ao mesmo tempo) das gerações anteriores. Orgulhosamente corinthiano, humorista do cotidiano, compositor por talento único e cantor por conveniência, Adoniran estaria hoje completando 100 anos de existência.
Às vezes, repentinamente, me bate uma baita de uma “reiva” por não ter conseguido acompanhar os melhores anos de um dos melhores compositores da musica popular brasileira. Ninguém escolhe a década em que nasce, mas que mal fizera eu para não ter a honra de viver nos tempos de Adoniran? Perdi os sambas no Brás e os trens para Jaçanã. A nostalgia de não ter conhecido a tempo o maior desbravador da licença poética acabou por tornar assim meu coração uma verdadeira “táuba de tiro ao álvaro”.
Mas, tenho eu culpa, de ter sido Iracema e ter nascido na contra mão? Mesmo em outra época espero ter feito uma citação à altura desse marco de uma era musical paulistana, pois sim... cantando temas como a Sé, Brás, São João, Bexiga, Corinthians e Malocas... numa linguagem altamente popular e caricata, não há poeta mais paulistano do que Adoniran Barbosa. Um esteriótipo de paulista que fugiu do esteriótipo de compositor.
E hoje ele vive lá no céu. E ele vive bem juntinho de nosso Senhor; de lembranças guardamos somente seus versos e seu retrato...
Adoniran, eras um artista nato!