segunda-feira, 8 de novembro de 2010

três polos;

Quero meu início em São Paulo, meu ápice no Rio e meu final em Minas.
Algo como aprendiz de Adoniran, musa de Jobim e velha amiga de Milton...
Viver a primavera de minha vida na terra fria, meu verão no calor 40 graus e meu outono na paz da tranquilidade histórica.
Serei a paulista de Ipanema mais originalmente mineira que o Brasil já conheceu...
Vou arrastar os prédios à praia que invadirá Belo Horizonte.
Nas minhas histórias narrarei grãos de areia em muitas luzes, na paz do interior;
Quero em mim esse caos, que leve à falsa paz, para enfim repousar no aconchego de minhas origens.
Farei um mundo de céu cinzento, mar azul e grutas intermináveis.
Serei extressadamente marrenta e visivelmente semi-lenta...
Trabalharei no Brás, morando no Leblon e, nos fins de semana, as ladeiras de Ouro Preto serão minhas!
Entre a Ipiranga com a São João colocarei um Cristo Redentor, feito de pedras do calçamento de Sabará.
Na orla de Tiradentes estará meu Ibirapuera.
E quando o samba, a bossa e a moda de raiz se juntarem...
Estará pronto esse meu mundo, que entra em meus devaneios logo no quinto verso do poema.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Agridoce

É agridoce a relação com quem amo;
E é insossa com quem mal conheço;
É agridoce um excêntrico fim de ano
E apenas doce é um começo.

É agridoce um sorriso pleno;
E é amarga a saudade;
Agridoce também é o veneno;
De cada ilusória liberdade.

É agridoce uma noite quente;
Contrastando ao mel da quietude;
Agridoce é o sorriso indecente;
Diante à impulsiva atitude.

É agridoce o poder de sentir;
Mas escrever, antes fosse!
Não há palavra apta a permitir
A qualquer escrita ser simplesmente agridoce.