sábado, 5 de março de 2011

Arlequim está chorando pelo amor da Colombina no meio da multidão;

"Quanto riso! Oh! quanta alegria! Mais de mil palhaços no salão.
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina, no meio da multidão..."


Volto a escrever sobre tal frase, que tanto me atrai.
Um dos meus primeiros textos do blog envolvia a canção "Máscara Negra", pois nunca entendi o fato de o Arlequim estar chorando pelo amor da Colombina, se na versão original, da Commedia dell'arte é o Pierrot que sofre com o amor não correspondido nesse triângulo insano.
No começo achei que o autor estivesse errado.
Só depois percebi, com o tempo (com a prática), que todo Pierrot tem um quê de Arlequim.

Para quem não sabe, a personalidade do Arlequim é de um rapaz brincalhão, insensível, e cafajeste, por que não?
Colombina, que por sua vez é apaixonada por esse, ignora o sofrimento do pobre Pierrot, que de tanto amar, de tanto sofrer, é representado com uma lágrima em um dos lados da face.

Do mesmo modo, todo Arlequim tem um quê de Pierrot.

Todo apaixonado sensível não foge de atos cafajestes que a vida lhe impõe. E todo homem canalha se apaixona um dia, identificando-se assim com o Pierrot.
Pierrot é Arlequim, Arlequim é Pierrot. O misto dos dois é o homem.

"Foi bom te ver outra vez,
Está fazendo um ano,
Foi no carnaval que passou.
Eu sou aquele Pierrô
Que te abraçou e te beijou meu amor.

Na mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade.
(...)
Vou beijar-te agora,
Não me leve a mal:
Hoje é carnaval."

Acho que entendi...