segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A foto que resume saudade;

(Porque até mesmo eu, tão ocupada pela arrogância, guardo meu espacinho no peito para o essencial ingrediente da vida.)
Uma menininha de longos cabelos negros no auge da infância de pés descalços em frente à porta de madeira da casa 6 de um dos bairros mais antigos da cidade.
Um portão de ferro logo ao lado, cujo barulho avisava os moradores do velho sobrado de que o mesmo fora aberto e, conseqüentemente, estavam lavando a calçada.
Uma parede alta de tijolinhos marrons, como a casa do mais esperto dos “três porquinhos” do antigo conto infantil; indicando que ali havia não somente segurança, mas muito espaço para a alegria e fantasias juvenis.
Uma antiga arandela com uma lâmpada de luz muito baixa que permanecia acesa durante todas as noites enquanto o último filho dos donos do sobrado não entrasse; e iluminava pequenas trilhas de formiguinhas na parede branca, entre outros universos interessantíssimos aos olhos de uma criança...

Ah sim! E os olhos. Os olhos da menininha que, entre seus traços característicos de meio-mestiça e seus universos de criança, refletidos em cada piscadela... olhavam para mim, e hoje (se bem observados) parecem ter tentado me alertar de que “observar tudo isso um dia ainda seria apenas saudade”.
É, parece que o tempo passou na janela e só eu não vi.