sábado, 30 de abril de 2011

Conto da despedida

Chamei seu nome uma última vez. As costas largas, mãos compridas, em posição de partida, já abraçavam a direção do vento, que era contrária à minha. Gritar seu apelido, aquelas cinco letras que por tanto tempo eu havia exprimido como um hino, me fez retomar a esperança que eu havia perdido durante toda aquela semana e, por alguns segundos, achei que tudo poderia dar certo. Mas foram apenas alguns segundos. Seu olhar denunciava a dor de uma partida necessária e irreversível.
Não sei bem explicar as sensações; o mundo girou tão rápido naquele momento que acho que ficamos meses nos entreolhando e conseguimos finalmente desenvolver o dom da telepatia, mas não usamos. Nossa vida juntos passou refletida em seus olhos, mesmo porque não ouso chamar tudo que houve antes de 'vida'.

Pensei em mil possibilidades. Poderia correr até ele, abraçá-lo e implorar para que me levasse junto, ou para que ficasse. Poderia também agredí-lo de mil maneiras, despejando todo ódio que sinto por essa partida inesperada, ou apenas revelando meu amor, que parece ser muito mais do que ele pensa. Poderia gritar ao mundo inteiro, na praça pública em que estávamos, que me mataria se não fosse com ele, chorar, me descabelar, jogar coisas, deitar no chão, arrancar as roupas. Mas nem uma lágrima saiu. Elas se acumularam no canto de meus olhos, mas não ousaram escapar antes da minha permissão.

Em um mundo de possibilidades, com cerca de 97 mil letras incluindo locuções e fraseologias registradas em dicionário, haviam inúmeras formas de argumentação para completar a frase começada com aquele apelido que, por tanto tempo, fizera parte da minha vida. Ele apenas me olhava fixamente, com os mesmo olhos que me juravam amor eterno.
E em meio essa variedade de escolhas, aqueles olhos inexpressivos, pela primeira vez, soltaram as lágrimas que eu tanto segurava. E no ímpeto de dizer algo para acabar com a angústia do meu amado disse logo o que não deveria. De minha voz contida saiu apenas um lúgubre "Boa sorte!", que soou como despedida.
Ele fixou o olhar por mais alguns segundos. Se recompôs, agradeceu, e foi embora; deixando suas únicas lágrimas espalhadas no chão daquela praça na tarde ensolarada mais triste de outubro.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

e outra

Já disse mil coisas sobre ela, e a frustração de não ter conseguido expressar nem metade do que sinto é, pela primeira vez, maravilhosa! Não a amo por ser perfeita, mas por ter as imperfeições mais admiráveis que conheço.