quarta-feira, 8 de junho de 2011

Autenticarta

"No verso, logo abaixo da aba do envelope...

Rementente: Entidade que assegura não saber amar por completo, mas encontra-se perdida em paixão desvinculada de qualquer definição já encontrada pela própria em livros ou folhetins, alegando assim estar perdendo a lucidez, que já não era exata, mas nesse aspecto mostrava-se cada vez mais firme em suas definições pois sabia que amar era ato humano (e assim, desprezível) portanto, indigno de entrar em sua brincadeira arrogante de julgar a sociedade com seu olhar superior de pequena aprendiz de literata, ousando brincar de Saramago, em um parágrafo todo sem ponto final tornando a leitura cansativa (porque sou eu, jovem petulante) e ofegante - como vem sendo sua respiração - e não o próprio autor, velho e careca cheio das sabedorias; dia após dia, nesses medíocres tempos de simplesmente nada mais, nada menos do que... o amor. Grande merda!
Ao fim da brincadeira com o remetente, logo após o endereço desfigurado, encontra-se o destinatário...

Destinatário: A quem destino o infortúnio de ler toda a bobagem acima e a seguir e as que virão, ao resto de minha vida. Criatura eleita, por mim, que com tal desonra, terá/teria que se acostumar a aguentar meu amor/ódio extremo, exacerbado, doentio... que ainda não decidi ao certo qual é. Não sei dizer o que é isso. Talvez seja a concretização do meu sobrenome. Não sei se é possível o amor gerar a paixão, nessa ordem, intensificando cada vez mais os sentimentos e pensamentos até que tudo exploda! Não sei amar com o carinho... só sei amar com raiva, com o medo, com a cautela, com o desconhecido. E o exagero em paixão nos faz querer correr para longe e estar perto, ao mesmo tempo, destinatário? Nos faz querer sufocar com as próprias mãos de tanto amor, de tanta aflição e desespero passional?
Pois digo que estou enlouquecendo...

Mas vamos (finalmente) à carta...

A carta: Não. Mais nada a declarar. Att; Garcez, Paixão. "