domingo, 14 de agosto de 2011

O Meu Pai Frankenstein

Cá estou novamente, mais um ano, chegando nessa grandiosa festa sem trazer um presente e nem ao menos saber quem é o aniversariante.
É estranho sentir-se perdida numa data em que muitos já têm a opção certeira do que fazer enquanto outros apenas deixam-se levar pela emoção da ocasião. O fato é que nesse dia, para mim, não há emoção alguma que eu possa chamar de "legalmente minha". Estaria errada em me sentir no direito de comemorar o Dia dos Pais sem ter um pai (propriamente dito) para presentear? Um ateu é errado ao presentear a mãe, católica fervorosa, com um belíssimo presente de natal? É justo uma criança de apenas cinco anos não ganhar mais ovos de chocolate durante a páscoa porque alguém acabou com o encantamento revelando que o coelhinho não existe?
Pois bem, estou aqui de braços abertos para presentear com toda minha gratidão qualquer figura paterna que tenha passado pela minha vida, mesmo não recebendo o honrado título de "pai". Estou aqui para, finalmente, apresentar a vocês O MEU PAI...
Só há um probleminha: ele está meio fragmentado! (...) Sim, é difícil ter um pai em pedacinhos, mas nem por isso deixa de ser uma opção interessante. Quero que vocês conheçam, nessa data tão especial, os tais pedacinhos, cada qual em sua função. Apresento-lhes agora... O Meu Pai Frankenstein:
Não me canso de repetir, ano após ano, meu agradecimento clichê aos meus tios Marcos e Marcelo, que com laços de afeto que vão muito além de relação de tios com sobrinhas me fizeram entender o lado jovem da relação fraternal.
Em meu tio Marcelo sempre tive o conforto de uma mente jovem, apaziguando qualquer possível choque de gerações e me ajudando nos momentos mais difíceis. Em meu tio Marcos encontro o conforto intelectual de "pai que ensina", despertando assim o brilho de admiração de um olhar confuso de menina perdida, em cada conversa que temos.
Sinto-me à vontade para agradecer também meu padrasto, Luis Mauro, que considero não somente o pai que acompanha e cuida da minha mãe nos momentos em que ela precisa, mas a pessoa que me adotou por livre e espontânea bondade.
Agradeço meu tio Luiz, do Rio, que apesar da distância é o molde de pai que deveria ser copiado várias e várias vezes. Um pai do qual eu me orgulharia e gostaria muito de ter tido.
Devo lembranças também à meu pai biológico que, embora (talvez) nem ao menos se lembre de mim, é o grande responsável pela minha existência e deve ter seus motivos pela longa distância.
Também agradeço minha mãe que, incrivelmente (e eu imagino o quanto tenha sido difícil) muitas vezes assumiu também o papel de pai da maneira que pôde.
E finalmente, assumindo a posição de frente, agradeço meu avô Fausto, o grande coração desse "Pai Frankenstein", que após ter criado quatro filhos em moldes tradicionais, contrariou seus próprios conceitos provando assim à sociedade que é possível amar uma criança que veio em "hora inesperada", e me ensinando que o pai biológico é apenas um detalhe na verdadeira relação fraternal.

Agora vocês já conhecem meu pai Frankenstein... e todo amor que provém desse meu coraçãozinho impuro dedicado a ele;
Para quem não tinha pai, agora tenho mais do que vocês!
Grande beijo a todos os papais do mundo!