quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Tempo que leva...

Arranca as crenças, a beleza, os sorrisos, o brilho, o juízo, a lucidez e a admiração, só não arranca a lembrança porque disso já não é capaz...
Da moça linda em seus 25... anos e do sorriso enorme que, comprado ou não, era minha fonte de admiração.
Da segunda mãe que, elegante como só ela e Grace Kelly, eu aguardei tantas vezes com meu saquinho de pipocas na porta do colégio noturno.
Da doçura exemplar que, empenhada em não errar, mostrou-se grande amante dos sonhos.
Do velho boêmio que, sempre velho devido ao grau de conhecimento, apresentou-me o mundo.
Do tal grande brincalhão que levantava-me do chão e me jogava às estrelas sorrindo.
Do, talvez único, "pai" de minha vida, que classificaríamos como um "anjo-sem-asas" (caso os anjos não tivessem defeitos) que exibia o sorriso mais sincero para o mundo.
Dessas figuras ou das demais nas quais ainda não ousara mexer, não me arranca a lembrança; porque disso já não é capaz.
E se assim insistir e eu um dia já não me lembrar, já não hei de querer nem a mim mesma ser mais.
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