segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Boa noite, Sr. Monstro!

Se há algum monstro ainda no mundo
Peço que se esconda em meu armário
No canto mais obscuro e profundo
Talvez ao lado de meu antigo diário

E me observando à noite, que não se enerve
Com a minha calma, ou forma de mulher
Qualquer ruído estranho ainda me serve
Pra fazer valer qualquer lembrança que vier

Insista Sr. Monstro em me fazer criança
Irei me esforçar para sentir o mesmo medo
E de todo esse esforço resgato a esperança
De quem sabe encontrares um antigo brinquedo

Vasculhe o armário Sr. Monstro, por mim!
Podes comer as meias e quebrar meus sapatos
Mas quando encontrares uma relíquia enfim
Peço que detalhe a mim seus relatos

Vais achar, de repente, um batom bem vermelho
E esse não será de minha mãe certamente
Posso abrir mão até mesmo do espelho
Se atormentares, só essa noite, a minha mente

Veja se encontras a boneca "Lili"
Veste um lindo chapéu e dois aventais
Fique à vontade o senhor por aqui
E não ligue pros meus anticoncepcionais

Confesso que não sou mais tão inocente
Sua careta até me parece engraçada
Mas Sr Monstro, encontro-me carente
A infância passou e não sinto mais nada

Converse comigo sobre sua maldade
Pra que eu possa esquecer um pouquinho do mundo
O Sr não pratica desigualdade?
Claro que não, esse mal seria por demais profundo.

Nem ouse pensar em aposentadoria
Não admito meu armário, pra sempre, vazio
Tenho vivido anos em total calmaria
Atormente-me Sr Monstro, esse é o desafio!

E como já sabes, Sr. Monstro, eu cresci
Meu pai não virá espantar seus olhares medonhos...
Mas como de costume, desde o dia em que nasci
Por não haver pai, deseje-me o senhor mesmo os "bons sonhos!".


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

humilhação

E de repente me vi carente e gostando de estar
Te pedindo pra que me ofenda de todos os jeitos
Que fale comigo sempre, nem que seja pra falar dos meus defeitos
Pois se nunca lembras meu nome, quero que venha a me notar

Se existe algum possível esbarrão, não me importo em machucar
Posso andar em círculos sete dias, até enfim te acertar
E quando trombares e pisares no meu pé ou algo assim
Vou gostar que novamente na minha alma machuque em mim

Só não deixe de falar comigo por dez segundos que seja
Abro mão de dez dos meus anos se, espontâneo, me chamar
E se não falas comigo, quero ao menos que me veja
Se for pra não mais me ver, pode vir me criticar

Mal consigo descrever mais desgastante segundo
Do que aqueles tantos em que não consigo te prender
Mas se precisas viver por algum outro motivo no mundo
Saiba que, pra mim, qualquer motivo inclui você

Deixe-me ouvir por horas sobre algo que não quero saber
Pode falar sobre você até minha vida acabar
Adorarei que sejas o meu motivo pra morrer
E se ainda não sentires nada, então aprenda a me odiar

Aceito então assim qualquer tipo de sentimento
"Usado", "negativo" ou "pouco"; não serei de recusar
E se for "indiferença", também aceito, no momento.
Quero estar satisfeita com o meu dom de me humilhar.