domingo, 17 de agosto de 2014

Armadilha

Em meio a uma multidão insone e oculta
Tento eu, sutilmente, me camuflar.
A noite me cutuca com seus dedos finos, compridos e brancos;
Como agulhadas.
Pois ela sabe que estou fingindo.
Sabe bem que estou tentando. Mas não sou dessas que "vive", apenas.
Por vezes troco o "viver" pelo "pensar".
E são essas as maiores vítimas desse monstro diário.
Tome cuidado com seus dedos finos.
Não dê atenção a ela!
Não sinta sua presença!
Não escreva sobre ela!
Não a classifique como "monstro".
Isso te deixa perto. Tão perto! De ser envolvido.
Feche os olhos e aparente estar feliz.
Os monstros só atacam quem invade a cena de suspense.