quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A Roleta de Pandora

Naquela roleta enorme não havia serenidade

Cada brinde, um pesadelo
Cada giro, uma idade. 

No giro 2, um abandono.
História essa que dá sono, comparada às novidades. 

E um longo descanso
Seguido do giro 15,
Que parou na paranóia
Particular! Com sua imagem...
Mas que nunca há de acabar!

No giro 16, favor me lembrem vocês, se houve uma separação.
Onde havia uma criança, que mal entrara na dança e já jogava com emoção 

Já no giro 17, suplicou que se aquiete
A grande roda giratória.
Ali não houve escapatória,
E semi-órfã duas vezes, armazenou trauma de um vício.
Momento esse que partiu, pra sua sorte!
E, agraciadamente, sem morte
Não ousou deixar resquício. 

E lá pros giros vinte e tantos, a mesma separação tornou a girar;
Junto veio uma doença, desenganada,  que a crença, tratou de curar.
No presente desse giro havia tanta noite em hospital que já não sei mais dizer,
Se foi por alguém que ama; por cavalheiro, avó ou dama; se foi por ela ou por você. 

E por cerca de três bons anos, creiam vocês, aos 22, não houveram danos.
Mas a vida, novamente, mastigava cruelmente, sem digerir, seus planos. 
E já disposta a ser feliz, sendo freneticamente atriz, foi já bem aos 23 que caiu de cabeça na vida.
Novamente em hospital, em carência maternal, encontrava-se querida. 

E sem ter passado um ano, antes fosse ledo engano a volta do maior medo.
Nesse giro repetitivo,
Juro, não houve motivo,
E já nem choro em segredo.
Retornou à dependência, seja ou não por inocência o maior amor de sua vida.
E entregue ao vício imundo, a vida, nem por um segundo, cedeu à sua clemência.
Ah horas torturantes!...
Ah paranóia constante!...
Ah antiga negligência!

Calma, destino! Uma falha por ano... Uma dor por momento...
Vejam só, mais desalento...
Abandono novamente.
Roda, que lembra anel de noivado
Mal parou, já tem rodado
Um término inconsequente.
Dum namoro, após 6 anos.
Que acaba, sem traição
Sem motivo, só "Perdão!".
"...Mas hoje te amo diferente!"

E nos demais giros recentes inda não houve calmaria. 
Viciada em brindes malvindos, rodando dia após dia, há de aguardar utopia.
Sei que foi tanta tempestade, apesar da pouca idade,  que a água do Brasil secou. 
E na roleta de sua vida,
Onde os brindes são pesadelos
Aprendeu que não há saída.
E em poema exalto agora:
Com tanta mágoa adocicada
Hei de girar, novamente, assustada
Essa roleta de Pandora.