domingo, 29 de junho de 2014

Encruzilhada


Sozinho, viajante da encruzilhada
Que leva consigo a minha alma
Que sem ter vendido fora levada
Roubada junto de minha calma;
Não a quero de volta, dei de bom grado
Como assim me daria inteiramente
Não entendes metade do que digo
E já me destes minha vida de presente.
Levando o cigarro como quem desafia a morte
E no chapéu seu jeito meio ausente
Arriscando na estrada o mais belo acorde
Te imaginar apenas têm me feito coerente.
Nem mesmo o meu coração me fez falta
Quando entrou em meu mundo trazendo-me luz
Que ouso sentir em sintonia alta
Deixando minha paz em troca do seu blues.
E quando enfim passar essa onda quente
Que me devolve a musicalidade reprimida
Tentarei guardar seu rosto em minha mente
E não destrocar a lembrança por minha vida.
Seu jeito de falar é musica espontânea
No sul, Louisiana, ou ainda por mais perto
E de seus trejeitos já sei a coletânea;
Que te entendo como entendes música, é certo!
Bem como sentes o som e não sabe explicar
Também sei sentir algo assim inesperado
Que não sei onde é o início e nem SE vai terminar
E tão "sem definições" foi cair no meu agrado.
E como enfim entende as tais "frases feitas" do soul
Entenda que tal sensação é a que tenho apreciado
Do "my baby left me" a única coisa que restou
É a frustração por não poder ter ao menos te deixado.
Coincidências à parte, ouço então melodia esquecida.
E acho que assim defino paixão:
Pra uma garota que não era nem ouvida
Querer somente ouvir é quase devoção.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Vadia

E enquanto sou a vadia para alguém
Há gente no mundo que nem vadia tem!
Que sobrevive, não vive, nem pensa, nem sente
E há quem diga por aí que essa gente também é gente!
Há quem diga também que quem presta não mente.
E se mente, é sempre por um "bem maior".
A verdade é que a falta de verdade a gente traz
Quando a nossa vadiazinha particular não nos satisfaz.
Confesso que não ligo pra protestos em versinhos
Tira a credibilidade, não tira?
Mas quais são os créditos de uma vadia tão vazia?
Eu só quero ser lembrada por ter sido capaz
De levar às vadias, com meu verbo, alguma paz.

Puta merda, mas que equívoco!
Me desculpem meus leitores, por um erro tão boçal!
Com o corretor automático criei um poema banal
Não quis rimar sobre "piranha", "prostituta" ou "bacanal"...
Estava falando da VIDA, mas esse teclado maldito..
Tendo trocado as palavras, deu outro sentido ao escrito
Peço que troquem lá em cima, e fica o dito por não dito.

Então onde houver "vadia" por favor troquem por "vida"
E nunca, em hipótese alguma, troquem suas vidas por vadias!

XOXO