terça-feira, 18 de novembro de 2014

Teu poema sonoro

Rasguei seus bilhetes sonoros
Ainda cativantes
E desliguei o som de seu sotaque
Único e em mim vibrante

E o silêncio de você faz som
Me consome, e some...
Seu timbre, reconheço em qualquer tom

Num acorde arranhado
Em sua canção, que me encante
Educa meu tom desafinado



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Bafafá de fim de festa

E estava sutilmente ardente
Aquela noite de balão no ar
Quando algo incoerente
Fez a moça deixar de amar

Não era grito de horror nenhum
Mas de horror restara o fato
Que, entre sussurro e ziriguidum
O casal não concluiria o ato

Foi balão caindo constrangido
E fogueira pulando sozinha
Mulher esbofeteando marido
E tombamento de barraquinha

Sem doce, moleque dando no pé
E avental se borrando todinho
Fuga de padre vestido de mulher
E brinde rasgando o próprio saquinho

A garota quebrava tudo murmurando
E o moço chorando dizendo que ama
E em coro de junho, a festa gritando:
"Ô rapaz, não se troca nome de dama! "

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Paixão em sete artes


Não há como afinar o desafeto.
E colorir a tela preta é pretensão.

Esculpindo cada passo,  cada gesto,
Arquitetar sentimento é razão.

Em uma sinfonia inaudível, de um tom mil oitavas acima
Não há beleza ou ao menos comoção.

Tento te focar nessa lente, que mente!
Me mostrando que pode não ser rascunho
As palavras que te fiz, de próprio punho.

Mas as cortinas se fecham sem contra-regragem
Nessa cena de desespero e devoção.
Pois nessa saga, de três filmes de paixão
Já não vejo trilogia,  é mania!
Que, com arte,  estagnou minha atenção.

Nao há cor,  som,  plano,  quadro ou palco
Que classifique contemporâneo um coração.

Poema chato e cliché

De amor não se escreve,  porque é mutável,
Não tem forma,  mas tem!
Tem uma cor ou dez,  e mais outras cem.
E sobre seu som infinito,  sempre vai,  não vem.
Seu nome é cliché,  mas sempre renomeado;
Com nome de menino,  menina,  ou qualquer outro culpado.
Se trata de amor,  sempre se agrega mais,
Se agrega o mundo e tudo que se é capaz.
Se cultiva profundo o dom de querer mais.
Não há limite no mundo!
Não há presença de paz.

Falta amor

Não sei dizer-te a que ponto estou
Levaram-me o sonhar, e o sonho ficou
Assim, querer-me, já não mais convém 
Só, no entanto, já contorno bem.

É como hoje sei ser quem sou.

E desamor pratico mais além.

Na alma que tenho, só há saudade de amar alguém.