quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Hipnótico

Te vi domingo em meio ao cotidiano barulhento. Pessoas seguiam suas rotinas sem se dar conta que ali, hipnotizada, eu me atirava em uma abismo sem volta, sem paz, sem você. 
Senti que era diferente, que era artista, que era um início. E senti tantas outras coisas que estabilizei-me em meu dom de fingir não sentir nada. Só consegui jogar meu cabelo. "De lado, fique de lado! Merda! Assim me faz parecer qualquer coisa, menos natural!". E nada era natural. Não era natural olhos tão claros, cabelos tão claros, pele tão clara, beleza tão rara. Não era natural sua figura me olhando e mal conseguindo disfarçar. Pensei algumas coisas na esperança de que fossem passageiras. Tolice minha. Pensei em como te olhar sem te olhar. Em como seus olhos ofuscavam as luzes já tão claras do trem. E no seu sorriso magnético, desconcentrando minha difícil tarefa de fingir que estava fácil respirar ali, estando tão perto. Pensei no que falar. Como te impressionar. E se, aquela música que eu ouvia poderia ser, quem sabe, a trilha que nos faria algum sentido. Pensei tanta coisa que o tempo passou rápido. Rápido demais para mim. E já perto da porta de saída pude ver que passara rápido também para você. E percebi quando me olhava, com aquele mesmo olhar de despedida que eu desejava lançar mas não tinha coragem. O olhar de "Ei, estranho, não gosto da idéia de nunca mais te ver".
E desci. Fui embora pensando "Difícil figura masculina com cabelos tão lindos. Mas por que fui reparar tanto nos cabelos? Logo mais eu esqueço dele... Mas dos olhos..."
E não esqueci. Sonhei. A verdade é que reparei em cada parte de você. E acordei desacreditando, sem conseguir desistir de alimentar as últimas lembranças de seu rosto em minha mente. 
Mas algo palpitou em mim. Os mesmos "cinco minutos" que já me fizeram descobrir o que eu não queria. E meu coração não acalmou até eu seguir minhas próprias coordenadas e te encontrar.
Te encontrei e pensei "Que bom! Agora não perco ele de vista!"
E algo em mim dói tanto que não me deixa esquecer:
Só de vista.