terça-feira, 3 de novembro de 2015

Tantas indigestões

Nascerão quantos poemas
Dessa coisa, ainda pequena,
Que ousam chamar de amor?

Viverá quanta esperança
Dessa incansável dança
Que é não entender a vida?

Retornarão quantos feridos
Desse martírio diário
Que é procurar um abrigo?

Sofrerão quantas mães
Por seus filhos em sarjetas
E embora pague imposto,
Não têm direito a um rosto?

Farei quantas rimas cansativas
Por segundo
Pra realizar o meu desejo
De que um lápis mova o mundo?

E em meio tais questões
Pergunto-me envaidecida:
Até o fim desse poema 
Hei enfim de entender a vida?