quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2016

Tiraram o tapete da sala...
Morreram as samambaias...
Mudaram a cor das paredes...
Levaram os quadros enormes...
Silenciaram as madrugadas...
Desafinaram um violão...
Esqueceram a essência da casa...
Calaram os dias de festa...
Gritaram com quem mal ouvia...
Desmotivaram quem mal existia...
Alimentaram minha nostalgia...
Ainda serena, até então.

Mudei os encantos de endereço.
Não brinco mais no tapete.
Mal lembro do meu começo.
Já mal escutam as plantas.
Os quadros já mal me olham.
Madrugada me julga, já fria.
Mal lembro da essência daqui.
O burburinho de festa me enoja.
Já não sei proteger quem eu amo.
Hoje sou, em parte, um engano.
Agora, pensem vocês
Que nesses espelhos já fui criança,
Mas hoje é 2016.