sexta-feira, 20 de março de 2015

Pena de amar-te

Aqui com o desprezo, cruel penitência,
Mesmo mal sabendo de minha existência
Saiba que já te julgo culpado;
Até sei teu tom de voz
Seus trejeitos, olhares, defeitos
E se penso em ti, já penso em nós.
Decorei teu jeito dedicado
Devorei de jeito apaixonado
Sua imagem em mim, causando demência.
Desculpe-me estranho, a obsessão
Paixão saudável, que dure, ou não
Viciada estou nessa inconveniência.
Minha pena, que pena, é viver normalmente
Normal, sem você, sem nós, sem a gente
E com esse vazio, sem ti, e profundo;
Estivesse enquadrada em patologia
E, antes, teu crime, não fosse apatia
Cumpriria a pena mais feliz do mundo!

Introspectivo mundo

Fosse esse mundinho real
Não me seria fraternal
Um poema incapaz
De afagar-me as loucuras
Tão sinceras, insanas, puras
Que tanto sentido me faz!

Crio mundos pra não visitar
Poemas para ninguém ler
Histórias pra ninguém gostar
Personagens pra ninguém lembrar
Lembranças pra ninguém querer
Dias pra ninguém passar
Datas sem comemorar
Vínculos pra não esquecer.

E sigo assim venerando
Saudades que não são minhas
Vontades que morrem sozinhas
Ídolos que não existem
Sentimentos que mal persistem
Vozes que mudas acabam
E mãos que nunca me afagam.

E nessas letras tão tortas
Corro olhando para trás
Bato, com força, as portas
Piso em toda paz...
Seguindo o som do vento
Olho pro tempo, em tempo
De ver a falta que o tempo faz.

quarta-feira, 4 de março de 2015

A luta dança

Quando a canção tocou eu soube que era a hora
E na noite, em silêncio, os olhos tão assustados
Observavam-nos, aflitos, por tocarmos-nos agora

Seu constrangimento bruto em não saber o que fazer
Me fizeram conduzir tantas coisas em nós dois
E fizesse o que fizesse bastava, a mim, ser você

Em suas amargas batalhas, sempre soube controlar
Mas se envolve algo em mim, parece estar desajeitado
Em seu mundo, em que é mais fácil ferir do que dançar
Assume o dom da culpa mesmo não sendo o culpado

E na insistência sutil que te fez estremecer
Vi seu olhar insistindo por um estranho certo cuidado
E com as mãos sobrepostas confirmei ao  amanhecer
'Sendo assim tão diferentes, não poderia dar errado'!

E escrevi com meus olhos em seu corpo o que queria
Entre tantos outros riscos e adereços de metal
Não me importa sua história, mágoa, dor ou apatia
Cada risco em ambigüidade nos traça de maneira igual

Não sentes que é criança em falsas roupas de soldado?
Ou que a ternura em meus olhos, só reflete ao seu olhar?
Sabes, garoto, acho que fostes bem contemplado
Com esse seu dom de ser amor e fingir não saber amar.