sábado, 25 de abril de 2015

Exaustão

Viciei na exaustão.
E perdi meus olhos pras palavras
Minha pele pro toque
Meus cabelos pro vento
E minha boca para a expressão.

Viciei na exaustão.
Perdi meus pés num jogo de corda
Meus dias pros meus sonhos
Meus ouvidos pra música 
E meus traços pra coordenação 

Viciei na exaustão.
Perdi meus joelhos num circo 
Meus amigos pro trabalho
Meu trabalho para a arte
E minha lógica pra emoção.

Perdi meu tempo em devoção 
Perdi minha alma pro amor
Minha força pra qualquer dor
Perdi-me em tanta alegria
Viciei na exaustão.
E pro mundo perdi-me então.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

A velha estação

O chamado do trem noturno
Longe do centro, na ponta da cidade
Traz passado, deixa saudade
E faz sempre o mesmo som.
Não há quem negue sua história
Cuja estação, em tempos de glória
Fazia música de um só tom.

De lá chegava a italiana calada
De um boêmio poeta acompanhada
Em busca de um velho colégio convento
E as quatro crianças, de olhar atento
Acompanhavam a mudança na madrugada
E assim nem viam passar o tempo.

Tempo que trouxe os anos dourados
Onde a estação, reduto de namorados
Cheirava a respeito e a brilhantina 
E a grande dama, que tem me criado
Relata viagens de trem, e além!
Desde seus tempos de menina

A estação que a mandava aos avós mineiros
Possui ainda relatos inteiros
De viagens que sinto, sem ao menos ter ido
E ponte para a Sampa, tão modificada
Pro Rio, e para a Três Corações amada
Hoje encontra-se triste e abandonada.

E assim naquela mesma rua
Hoje há tanto concreto que cobre a lua
E que gabam-se por sua construção
Perdoem-me engenheiros renomados
Embora ergam seus prédios planejados
Nada jamais ganhará da estação!