quarta-feira, 15 de julho de 2015

Que tempo mais vagabundo...

Me pergunto se quando Cazuza escreveu o trecho "que tempo mais vagabundo esse agora que escolheram pra gente viver" ele imaginava que algo próximo do que aconteceu com a Maju, do JN, poderia ser apenas mais um caso dentre tantos outros de discriminação que vemos semanalmente revoltarem as pessoas que ainda se importam com  a justiça. Se ele imaginava que a frase "nem quis comer a sua mãe" de Só As Mães São Felizes receberia uma censura 12 anos perto do discurso de ódio dos aproveitadores de plantão, que divulgam vídeo de famoso morto e "defendem a boa música" em hora inoportuna, nessa era em que um ser humano vale menos que uma opinião. E se ele soubesse que "te chamarem de ladrão, de bicha, maconheiro" hoje é elogio perto do que têm feito aos homossexuais num contexto em que todo mundo é Deus e decide o que fazer por Ele?!
A verdade é que essa guerra psicológica só se agrava conforme a sociedade se afunda nesse poço de individualismo no qual estamos. Surpreende e machuca a alma pensar que ainda temos que lutar por coisas ridiculamente básicas e obrigatórias; como o direito de amar fora de um padrão imposto. 
Falta respeito, falta silêncio e reflexão, falta tanta coisa boa e sobra tanta coisa ruim que a gente se põe a discutir toda e qualquer questão a fim de melhorar, mas não ouvimos uns aos outros.
É irônico que nossa luta pela paz se torne cada vez mais violenta.
Podem estranhar que nesse turbilhão de polêmicas algumas vezes eu me mantenha quieta; a verdade é que não existem palavras para descrever a dor que me causa ver que um mundo repleto de atos e sentimentos sublimes (que ainda resistem!) esteja prestes a ser descartado por culpa da intolerância; e como sobra opinião, sinto-me acuada, tentando me adequar à posição de ouvinte... E me disponho a essa tarefa de tentar entender, apenas entender, o porquê da felicidade hoje estar tão desvinculada da humildade.
Falta compreensão, falta paz, falta coletividade, falta amor, falta ARTE.
Arte! Nosso último recurso e tentativa de sensibilizar os olhares sanguinários que pedem guerra aos que só exigem seus direitos. E pergunto-me se meus colegas artistas também encaram nosso esforço com a seriedade necessária a fim de resgatar o restinho de amor puro que a humanidade precisa.
Falta paz em mim, reflexo do medo. Só não falta esperança! Já fragilizada... Mas essa preciosidade ainda guardo por aqui.
No mais, que tempo mais vagabundo esse agora que escolheram pra gente viver!!!!!!!