terça-feira, 10 de novembro de 2015

A Menina Primavera

A menina do olhar duro e sorriso raro achou linda a definição, mal sabendo, com precisão, que não há beleza em mágoa.
Não há dor na primavera que, quando chegada, não sabe trazer mais do que cabe a ela.
E no início da estação, desprovida de emoção, o olhar se mantém opaco.
E o orvalho de lágrima, aos poucos trazes mais flor, que assim desabrochando, não vê mais dor, de fato.
Ah menina primavera! Que traz saudade em seus ventos... Meus sorrisos, desatentos, só são raros à tua espera.
E te entendo, como entendes o olhar com que te olho, e sendo tua por entrega, não nego a comoção.
Se em meu ser há primavera, há  inverno no coração.


É tempo de ao tempo calar

Eu venho errando em muita coisa. E nem digo "tentando acertar". Venho errando sem tentar, sem propósito, com pesar. 
É o caminho de descoberta, que se abriu pra me acabar.
E ainda já nem sei se quero ou consigo ser diferente, por ora. 
Mas pobre daquele que amo e ainda insiste em me amar...
Calma! Tem tempo, tem tudo; não tem prazo, mas vai passar!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Sou. Você.

Se sou eu; também sou você.
Se sou nós; você, tempo a perder.
Se sou noite; você, dia.
Se sou mar; você, calmaria.
Se sou bruxa; você, inquisição.
Se sou ciência; você, religião.
Se sou ódio; você, perdão.
Se sou amor; você, razão.
Se sou santa; você, protestante.
Se sou protesto; você, comodismo.
Se sou livro; você, estante.
Se sou o instante; você, lirismo.
Se sou o agora; você, nostalgia.
Se sou álcool; você beberia.
Se sou desenho; você, traço.
Se sou traça; você, papelão.
Se sou distância; você, abraço.
Se sou deus; você, pagão!
Se sou fumante; você é o maço,
Se sou Sim. Você, meu Não!

Tantas indigestões

Nascerão quantos poemas
Dessa coisa, ainda pequena,
Que ousam chamar de amor?

Viverá quanta esperança
Dessa incansável dança
Que é não entender a vida?

Retornarão quantos feridos
Desse martírio diário
Que é procurar um abrigo?

Sofrerão quantas mães
Por seus filhos em sarjetas
E embora pague imposto,
Não têm direito a um rosto?

Farei quantas rimas cansativas
Por segundo
Pra realizar o meu desejo
De que um lápis mova o mundo?

E em meio tais questões
Pergunto-me envaidecida:
Até o fim desse poema 
Hei enfim de entender a vida?

Indiferença central

E em mais um bar te chamei
Achando que já te amei
Drogada de carência, meu bem
Que o que te quer em mim, é tédio...
É fato!
Não pense que não te quero também.
Queria mais uma dose;
E companhia aleatória;
De qualquer morador boêmio do reduto;
E em nossas conversas, em parte
Confesso que mal te escuto.

E mal te quero na minha história...
Meu vício em fingir querer, por ora, confunde você, ou vai dizer que não liga?
Que seja, arranje briga!
E bom proveito, rapaz...
Há cada coisa que a gente faz por gente que a gente nem liga!