quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2016

Tiraram o tapete da sala...
Morreram as samambaias...
Mudaram a cor das paredes...
Levaram os quadros enormes...
Silenciaram as madrugadas...
Desafinaram um violão...
Esqueceram a essência da casa...
Calaram os dias de festa...
Gritaram com quem mal ouvia...
Desmotivaram quem mal existia...
Alimentaram minha nostalgia...
Ainda serena, até então.

Mudei os encantos de endereço.
Não brinco mais no tapete.
Mal lembro do meu começo.
Já mal escutam as plantas.
Os quadros já mal me olham.
Madrugada me julga, já fria.
Mal lembro da essência daqui.
O burburinho de festa me enoja.
Já não sei proteger quem eu amo.
Hoje sou, em parte, um engano.
Agora, pensem vocês
Que nesses espelhos já fui criança,
Mas hoje é 2016.

sábado, 19 de dezembro de 2015

E se eu disser que isso é um roteiro, esboçado e verdadeiro, envolvendo eu e você?

O que você sente
Quando digo que te amo?
E quando fica assim, incerto,
Esse incansável "querer estar perto"?
O que você pensa
Quando digo que é eterno
E que, mesmo no verão
Posso um dia ser inverno?
E se eu disser que te quero
Como nunca quis ninguém?
E quando eu jurar que menti
Mentindo, pro seu próprio bem?
E se eu te beijar na chuva
O que você vai sentir?
Se na hora nossa música tocar
Você vai me deixar partir?
E se eu te disser que enfim escolhi nosso tema?
E que são todas as canções que eu gosto,
Você vê nisso um problema?
E quando descobrir que eu enfim te escrevi um poema?
O que você vai criticar
Se eu te disser que não vejo defeito?
Que, pra mim, você é perfeito
Que é meu; e não tem mais jeito?
E se eu insistir que você não é jovem
Você vai, assim, me odiar?
Pois, pra mim, jovem sou eu
Com confissões que mal sei declarar.
Que desculpa você vai criar
Se eu tirar sua roupa em janeiro?
Posso esperar o mês inteiro
Pra tentar te convencer.
O que você vai sentir se agora eu confessar
Que você me tira o pouco dom que tenho de escrever?
O que você vai pensar
Se eu disser que já não encontro palavras
E já não encontro o ar
Não sei mais nem respirar
Por não deixar de te querer?
Menino que eu sei que um dia some...
E se eu não esquecer o seu nome?
E não desistir de você?

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Silêncio

Hoje eu acordei sem ouvir direito,
Achei que esse seria o problema;
Acordei sem ouvir pra não ouvir como grita o silêncio de sua ausência.
Dói mais que em meus ouvidos sua falta aqui.
Me falta a sua voz acompanhando o violão ou criticando minhas roupas,
Me faltam suas doces críticas,
E sua insistência militante por minha fé,
Que luta por minha alma mesmo quando eu mesma já não luto.
Já não escuto sua teimosia
E é tanto silêncio,
Não porque sua voz não ecoa nas largas paredes desse sobrado,
É silêncio de presença, de energia...
De amor!
E silêncio já não é paz.
Pois o medo de te perder agora grita tão alto que já nem sei como abafar.
Sua forte presença abafa o silêncio do mundo
Volte bem!
E não me negue seu barulho nunca mais.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Vem de novo, amor!...

Cai do penhasco em seu colo aberto. E ali, vento certo não me deixa respirar.
Que honra, que medo, que sonho de azar...
Brinca agora comigo,
Perigo!
Nem morri e já estava abraçada. Nasci de novo, rebatizada.
Me registra ao teu nome com voracidade,
E ai de mim! Outra vez perdendo a identidade...