terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Arouche

Nas ruas do centro
Com a morte no olhar
Com sal na saliva
E descaso no andar.

Quebro o Arouche
Com dor que me trouxe
A vida, ao passar.

Dói a memória, dói a alma;
Não há calma...
Só há dor no respirar.

Nas ruas do centro
Não há um momento
Em que se saiba amar.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Trago flores

Prima primavera...
Primordial!
Que traz a cura.
Prima, primeira...
Que nos mude os planos...
Que nos traga paz...
Que lhes dê mais anos...
Anos que a primavera traz.
Primeira primavera que peço ,
É primor em cada detalhe.
Rogo, primavera, que não falhe!
Entardecemos.
Não florescemos.
E temos sofrido como outros tantos.
Traz primavera, paz em flor,
Aos novos tempos, traz amor.
E com o inverno, leve os prantos.
De primor, antes privastes;
Mas não é tarde,
Primavera que arde,
Em conceber seus encantos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Noite fria de primavera

Paz da madrugada.
Há saudade e medo
Na brisa morna e salgada,
Que chega narrando sutil
Esse breve doce enredo;

Faz frio na alma,
Que o céu quente ignora.
Lá brilha a lua...
Que pisca e derrete a calma,
De cada estrela que chora;

A noite passa, venta e sonha,
Em seus martírios de emoção.
Na madrugada serena,
É primavera lá fora,
Mas neva no coração.

sábado, 3 de setembro de 2016

29 de Agosto

"Vou declarar
Que refiz meus planos
E agora meus anos são seus.
Por tanto agradeço,
E a mim devolvida 
Te quero portanto
Mudando meus dias
Por mais uma vida."
___________•___________
Nota de aniversário. 

sábado, 27 de agosto de 2016

"Bandido bom..."

A gente tenta mover o mundo de maneira passional, que lindo isso. Mas não me parece que os mesmos ímpetos de revolta que bradam: "Tem que linchar! Tem que matar!" sejam coerentes quando pedimos compreensão.
É cultural? É natural que tenhamos mais vontade de punir do que de resolver o problema?
Tudo isso me parece um interminável jogo de poder no qual a compaixão definitivamente não se encaixa. 
Me parece questão de poder opinar incitando ódio. "Você errou. Eu estou acima de você porque não errei, portanto, vou puni-lo."
De que maneira isso pode melhorar as coisas? Não importa. Importa que as angústias sejam acalmadas vendo a "justiça" sendo feita através da raiva.

"Mas e se fosse seu filho?", "E se fosse com você?".... E seguimos nos baseando em nossos sentimentos num momento de mágoa para julgar as coisas. 
Não é à toa que designamos um órgão responsável por resolver situações alheias. Órgão esse que deveria, mas também não melhora coisa alguma.
Qual a medida de urgência, portanto?
Bom, incitar a ira alheia é que não é.

Há pessoas que gostam muito de citar a Bíblia quando lhes é conveniente. Nos apegando à história  (não colocando em pauta sua veracidade) de Jesus. O cara resolvia as coisas através do amor, do perdão... Funcionou? Funciona com você? Você realmente já tentou? Ou vai tentar essa semana com o pensamento inicial de destruir essa tese para, mais um vez, se sentir "certo", "superior"?

Pois bem, reflexões à toa.
Vai ter gente que vai responder esse diálogo mentalmente com um "Vai tomar no cu", como na cena clássica de "Óh paí, óh" em que argumentos são rebatidos com agressão.
Então fica o lembrete. A gente sente raiva, é natural; mas não é ela que deve governar o mundo.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Sobre gentileza

Estive pensando... Há uma menina em meu curso que me irrita. 
Com pensamentos arrogantes, ideais vazios e trejeitos chamativos. 
Toda vez que eu a noto eu acho que chego a revirar os olhos e penso em ignorá-la, mesmo quando ela pede ajuda. "Por sorte ela não é problema meu!", repito como um mantra. 

Mas então, numa gavetinha escondida de minhas memórias, me surge você. E você aparece me pedindo paciência. Chega até mesmo a ficar brava dizendo coisas como "Você não foi dócil. Não te eduquei assim. Ela é só uma criança. Não a trate desse modo." 
Mas e eu, não fui criança? (Talvez não tenha sido. Não a seus olhos. Que bom!)
E já emendo um pensamento de minha avó que dizia algo como "A sua gentileza independe da dos outros." (era isso?).

Olho pra toda essa gente desagradável (com o perdão da arrogância) e penso: "Ela não faria assim. Ela teria pena. Compaixão. 
Ela não negaria ajuda. 
Ela não trataria mal. 
Poderia até se arrepender depois. Gritar. Quebrar coisas. Vociferar palavras vãs e a célebre frase: "Merda! Preciso aprender a dizer NÃO!"
Mas na hora eu sei o que você faria. 
Sei que não negaria um sorriso, uma ajuda, um olhar... 
E assim sigo, às vezes, sendo amável com gente que não gosto. 

Você pode ter errado em muita coisa; mas você me ensinou a não odiar completamente; mesmo com seus ataques de fúria, suas confusões ou desestabilização emocional. 
 Ensinou amar. 
Ensinou o amor. 
Me ensinou que todo mundo vale alguma coisa. E gostaria que descobrisse o seu próprio valor. Valor mesmo! Livre de cobranças, méritos ou vantagens. O valor de sua alma. 
Você me ensinou que amar não é saber reconhecer um bom favor. O amor independe de tratos ou ganhos. E isso já vale por uma vida

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Trilha de pedras rústicas

Caminhando lentamente, com os pés fracos e a mente vazia, foi deixando para trás todos os sonhos que já nem via. Caminhando em suspeita paz. Em paz de morte. De quem desistiu. E nem viu que tanta gente caminhava logo atrás.

Se julgando sozinha guiou seus seguidores. Que ao tentarem desviar em tal caminho sem flores só se afundavam. 
E ela andou tão lenta que muita gente a ultrapassou. Parou por um tempo, beijou quem amava, chorou, mentiu e voltou. Mas depois seguiu andando, com seus olhos implorando para que não vissem mais.
Para que o mundo apagasse.
Desistiu da paz.

Logo foi desintegrando. O vento foi batendo e nem viu que estava morrendo nas curvas que a vida faz. 

Com seu olhar oprimido, guardou em um canto da face, somente pra quem a notasse, seu antigo sorriso escondido. 
E no fundo o coração carregava tanta mágoa não procedente que já nem mais processava. E havia tanta alegria ausente que naquele caminhar árduo esqueceu-se de quem amava.

Mas os devotos iam seguindo e, pra onde estavam indo, talvez até houvesse pausa. Só que naquele caminho repetido, muita gente havia morrido, e já não havia mais descanso, só pranto naquela causa.
Seguindo com sua paz estranha, jamais seguira sozinha apesar da rebeldia. E com os súditos de seu pranto, carregando-os para o inferno, com o mesmo olhar terno; era o fim que procurava.
Saltava qualquer abismo. Repousava em qualquer canto.

Pois leve, caminho estreito!
Pois não há mais outro jeito...
Me mostre de vez a jornada que seguirei contrariada, mas que não hei de ignorar.
Não cogito desistência; por caráter ou demência, hoje não vou recuar. 
Nesse abismo de plena dor, pularei então por amor, para reaprender a amar.

Carta à sua luz lll

Lua,

É tarde.
Não lhe chamo mais "dama", "querida", "mãe"... E nem há mais mãe por aqui pra chamar.
É tarde. Já passou da hora. E na dor de outrora o frio ainda arde.

Logo mais chega a noite e volta a senhora me olhando. E covardemente, sua luz vem julgando. 

Não sei se fiz certo, e a senhora, tão perto, não me orientou.
Brilhava protetora mas, arrasadora, não senti seus cuidados. 
Hoje, ao chegar a noite, manterei os meus olhos fechados.

O sol voltou, a ambulância chegou, e a levaram chorando.
E eu, lua ingrata, hoje sem serenata, não sigo te amando.

Espero que aprenda. Não faço oferenda, desenho ou poema. Enquanto não devolveres meus sonhos, meus versos e a minha vida plena.

A senhora deixou que a levassem, por fim.
E até segunda ordem, enquanto não me ajudares, não quero mais brilho, mais noite ao luar, e te renego em mim.

Sai, Lua! 
Tirou-a da rua e levou-a de mim! 

terça-feira, 5 de julho de 2016

Carta à sua luz ll

Olá Lua,
Eu, novamente, lhe peço ajuda. Encontro-me perdida nessa noite imensa; que nenhuma crença é capaz de afagar. A esperança escapou-me e lhe peço, óh lua, pra que peça agora pra ela voltar.
Amanhã a tarefa não pode ser falha nessa batalha que mal sei lutar. Se há salvação a ela ou não, mandou-me o amor tentar conversar.
Então lua, me rege. Tão desgovernada, desaprendi a existir e até a chorar. 
Peço, mãe lua, que amanhã me protege.
O pavor é demais profundo.
E nunca no mundo ousei recuar.
Então me empurra pra esse caminho e me faz, com carinho, conseguir falar.
Falar de um modo que convença a ela que, apesar de singela, a vontade é salvar.
Me guia, mãe lua, estou apavorada, com medo, assustada pois não sei ser mãe.
Já que de "mãe" falamos, me ajude a manter mais uns anos a que mal existe.
Agradeço a atenção. Com ajuda ou não, minha coragem persiste.

Atenciosamente,
De maneira descrente,
Sua filha mais triste.

Rimas soltas de coragem motivada

Pensei enquanto me despedia:
Vou viver mais um dia,
Só para o nosso reencontro.

Cada minuto que conto
Te deixa mais perto de mim.

Vou viver mais um dia 
E quebrar a apatia
Com a sua insistência,
Seu amor,
Sua clemência,
Com seu jeitinho, enfim;

Pois te tenho agora,
Hoje e sempre te amo,
Então não vá embora
É por você que vivo mais.

Acredite rapaz: 
Você me ganha, sem perder, sem engano
E com o bem que me traz
Me faz, todo dia, querer mais um ano.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Se eu morrer essa noite...

Peçam perdão por mim,
Porque morri sem amar direito
Fiz tudo errado e do meu jeito
Fui cruel
Por só saber ser assim.

Se eu morrer essa noite quero que durmam em paz
A saudade o tempo desfaz
Morri tarde
Sufocada
Pelas coisas que não fiz 

Se eu morrer essa noite peço que sigam vivendo
Sigam da mesma maneira
Pois eu tive a vida inteira 
E não aprendi a ser feliz

Se eu morrer essa noite não se desfaçam de nada.
Ou desfaçam.
A minha jornada
Encerrou do jeito que eu quis.

Desistência com coerência

É dor vindo de tantos cantos
Tantos medos e desencantos
Que desaprendi a chorar...

Tem mágoa de todo jeito
Que o efeito não vai passar.

Já não sei defender nem a mim,
Já que também acabei assim,
Tomara o mundo saiba acabar.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

O maior poema do mundo

Eu tenho faces sinistras. Remoer é uma delas. Eu mesma sou minha pior carrasca.
Desde novinha gosto do que me dá medo, do que me machuca, do que me assusta. Talvez me tenha sido cobrado um amadurecimento prematuro que eu busquei por vias erradas. Talvez.
Talvez eu mesma não me permita sofrer. Talvez eu me odeie por não saber resolver. Talvez eu me cobre muito mais do que viver.
Fiz um poema-tortura que faço questão de completar a cada problema que passo. Desilusões amorosas não valem. Coisas internas não valem. Problemas pequenos não valem. Está em jogo apenas o que que visivelmente e inquestionavelmente uma ponta de precipício.

São muitas estrofes remoídas. Daqui muitos anos eu volto e conto se sou dona de uma vida consideravelmente feliz ou do maior poema do mundo.

Te quero no próximo inverno

Hoje quase te perdi
Quase me perdi
Nem te reconheci
Chegou sem me beijar
Olhou sem me amar
Mas continuava lindo, por fim
Seus olhos não clamavam por mim
Mas senti que era justo 
Fiquei mal porque estava certo
Apesar dos segundos torturantes
Que passei sem poder estar perto
A noite até chegou fria
Só refletindo o que eu sentia
Levando os bons dias de verão 
Dilacerando um coração
Que, embora frio, renascia.

Ensaio sobre a perda de uma paixão


Te fiz um verso em tom de adeus
Falando dos carinhos seus
Pra poder não me despedir
Pra não te olhar
Me obrigar a ir
Te ver ficar sem consentir
E pra lembrar dos olhos teus
Que, tão ingênuos
E serenos
Me lembram menos hoje os meus.
Fazendo um verso em tom de adeus
Pude chorar sem você ver
Pude tremendo escrever
O dia em que não foram meus.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Sampaleando

Na esquina da Ipiranga tem som
E tem rock na galeria.
No Ibira corrida, com tempo bom
Tem trânsito sim, todo dia!
Tem samba no centro
Não tem paz, no momento
Nesse centro desigual
Pois morador do recinto
É alegoria, não minto
Na virada cultural.

Na Oscar Freire tem madame
Vai lá no Sírio, buscar o exame!
Ou na Beneficência Portuguesa?
Se conseguir a proeza
Chegue a tempo na São João.
Se atravessar a cidade
Vem pra leste, que é felicidade
Pois tem jogo no Itaquerão.

Vai ter protesto na Paulista, viu?
Bora véi, andar na ciclovia...
Ocuparam as escolas, governador sumiu
E agora é panelaço todo dia.
Vem pra Augusta esquecer essa história
A rua que mescla trabalho e orgia

Na Indianópolis tem rapaz solteiro
A Faria Lima não é Brigadeiro!
Saudades do antigo Teatro Abril...
Falando em teatro, vamos pra Roosevelt
O Parlapatões não fecha tão cedo
E sempre tem peça que a gente não viu.

O Higienópolis, ainda sem trem
Repleta de gente da 'elite do bem'
Que não quer metrô. "Aí já é demais!"
"Vai encher meu bairro de marginais,
Que parcelam fogão nas Lojas Cem"
Voltar de busão, afinal, que mal tem?

Ah, cuidado com o Arouche à noite
Com a Mooca, não mais do que com o Carrão
E aquele sotaque "italianado"
Que sai paulistíssimo, em tom engraçado
É só o começo da imigração.

Na Liberdade nem liberdade tem
E os bolivianos invisíveis?
Fabricando tecido mal compram o pão
Assim seguimos insensíveis
E o tecido africano só paga a intenção.

Cuidado com a gíria, não diga "mermão"
Tem taxista que enrola cliente
Se entrar na 25 só sai em Março.
E tem tanto turista no Mercadão
Que às vezes enrolam até a gente.

A Estação da Luz é perto do Brás
Tem roupa barata, melhor que o Iguatemi
Mas é fácil demais se perder por ali
E se acaso o caminho não souberes mais
O metrô liga tudo, que diferença faz?

Mas cuidado é pouco na capital paulista
GLBT, militante e feminista.
O povo de Sampa não é brincadeira.
Paulistano assalta, pula na linha e morre
E é essa gente no metrô, que corre
Que carrega em suor a nação brasileira.

Foto: @gabrielrufp


Velando

Ah se soubessem os novos o clima que a morte traz
O cheiro das velas acesas
As flores manchando as mesas
A noite mostrando as presas
De sua maneira voraz.

As peles esverdeando
E aquele silêncio chegando
Ouvindo os padres cantando
Com o coração definhando.
Em nada me lembra a paz.

E os seres mais pequeninos
Que esperam na terra, ansiosos
Pelos minutos dolorosos
Em que adentramos dormindo.

E ignorando os tampões
Que nos poupam das secreções
Para nossa plena sorte.
Seguimos com lágrimas frias.

Salgadas, em plena agonia
É choro e corpo acabando
Terminamos cultuando
Mais uma vez a morte.

Em nome do imoral e dos maus costumes

Tava pensando aqui, brasileiro é um bicho engraçado né?

Que a gente tira sarro de tudo, é fato. Que perdemos mais tempo fazendo memes do que assistindo TV Senado, infelizmente também é. Mas sei lá, triste pensar que na terra de Zuêraland ainda haja tanta guerra apesar dessa sintonia bizarra que todos temos para a babaquice. Talvez tenhamos o potencial de um exército do Monty Phyton, mas isso nunca saberemos, porque a gente assiste mêmo é vlog engraçadão e segue @A_Pomba no Twitter.

O povo brasileiro é tipo a criança da família. Daquelas que apresentam o Snap do Fábio de Melo pros primos no almoço de domingo. Brasileiro é o pivete que consagra Carreta Furacão por identificação. Consagra tudo que se aproxime da falta de sentido que nossas vidas são. Brasileiro é a criança chata que apanha dando risada e termina com um "nem doeu", quando na verdade doeu sim. E dói todo dia! Dói no bolso, no ego, na alma... Dói na esperança...

Brasileiro é o pirralho que briga com o irmão por CapitãoAmericaXIronMan, BatmanXSuperman, ForaPetêXNãoVaiTerGolpe porque acredita que ainda assim vai valer a pena apanhar depois por conta da gritaria (E, sem ironia, que lindo!). O povo brasileiro é o irmão mais velho e a nossa política é o irmão mais novo que faz xixi na cama. No final é a gente que apanha da mãe; mas nóis zoa antes de apanhar. (Ô! E como zoa!!!!)

Afinal, o que importa mesmo é a esperança de um dia não termos o que detonar na net.

Brasileiro é foda! Ri do 7x1 pra ser forte. Ri pra tentar melhorar. E não melhora, mas também não desiste.

A gente tenta definir o povo brasileiro com analogias mais podres que nossas "ideologias" (entre milhões de aspas) mas acaba fazendo o que todo bom internauta mais sabe fazer: falar merda. E seguimos rindo do estado islâmico e de suas ameaças. Porque nesse país tão lindo e abençoado viver AINDA É um atentado diário.


Grata pela atenção.

Bora voltar pra exaltação ao ódio e à Carreta Furacão...

domingo, 5 de junho de 2016

O centésimo poema

Se não fossem cem poemas
Endossando tanta mágoa
Num recanto que afaga
Pra acalmar tantos problemas
Hoje, quem seria eu?

Se não fosse cada verso
Cada colo literário
Antes fosse o contrário
Nesse mundo tão disperso
Hoje, quem seria eu?

E sem as rimas cortantes
E confissões adoçadas
Palavras duras, embasadas
Em sentimentos conflitantes
Hoje, quem seria eu?

Se não fossem os cem poemas
Tais palavras e problemas
Seriam só vazio profundo.

Preenchidos com o que amamos
Sem problemas, me salvam os anos
Os cem poemas que mudam meu mundo.


Te poetizar

Agora já são dezesseis. 
Olha só! Pensem vocês, nesses poemas infindáveis. 
Já foram tantas confissões, 
E dediquei orações aos seus suspiros incansáveis. 

Agora encontro-me destruída, 
E mais uma vez me ensina, a vida, que o mundo rege nossas mudanças. 

Hoje quem me afaga é você. 
A doce criança que vi nascer 
Agora com um "quê" de protetora. 

Acompanhei tua trajetória, 
E meu maior orgulho agora 
É ser ponta em sua história. 

Pois bem, melhores amigas 
Embora o intervalo de oito anos 
 Até destruída estarei a te ajudar. 

Agradeço seu cuidado às feridas 
Por mais inúmeros dezesseis anos 
Dedicarei meus "maios" a te poetizar. 

Te amo! 
E, embora em tempestade, isso jamais será engano!

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Versos de gratidão

Pelos olhos serenos
Pelo beijo intenso
Pelo amor imenso
Por erros pequenos
Pelas fotografias
Pelas madrugadas
Pelas musicas trocadas 
Pelas poesias
Pela conexão
Pelas nostalgias
Pela dedicação
Por cada declaração 
Por tudo mais que te inclua
Por toda saudade sua 
Por nossos encontros na rua
Banhados por luz da lua
Por hoje, que renasci
Por mim, por você, por amor
Por você, por medo ou dor
Num chão sujo do metrô
Por perdão, eu aprendi.

domingo, 29 de maio de 2016

Carta à sua luz

Oi lua; 
Veja bem, seus ciclos estão malucos. As coisas estão girando por aqui e não podemos mais minguar. A senhora tenha a certeza, que seria delicadeza a sua inconstância parar. Estou tonta com seu brilho. Podemos estacionar? Por um tempo só, que seja. Bom, espero que a senhora veja o que está a arruinar. A vida está complicada e a senhora não ilumina nada que não possa sozinho brilhar. 
Eu tinha um amor, que a senhora cruzou a cabeça e já mal me sabe amar. E havia também a mulher que, mais inconstante que lua, agora encontra-se em rua, sabe-se lá o beco escuro. O mundo não está seguro. Peça pra ela voltar! 
E o casal que emoldurei? A senhora conhece bem, pois está sempre a acompanhar. Ela conversa contigo e ele lhe dava ombro amigo; e se punham a observar. Mas agora, em suas mudanças, confesso, não guardo esperanças do mundo voltar a brilhar. 
Ah lua, o que acontece? Por que o mundo adoece se a gente não acordar? 
Por que perdemos pessoas? 
E todas as lembranças boas? 
Por favor, faça voltar! 
Pois, lua, me encontro carente e com a senhora ausente não sei com quem conversar. 
Hoje já nem abro a janela. Pois quem abria era ela. E ela mal pode te olhar. 
Lua, estamos tão sós! E a senhora, que está mais perto, peça a Deus que olhe por nós!

Abandono

Ela partiu. Partiu e nunca mais voltou. Seria música se não fosse saudade. As pessoas às vezes decidem partir sem nem ao menos perceberem que estão partindo. Elas vão até ali "comprar um cigarro" e quando nos damos conta elas permanecem "comprando cigarro". Comprando outras drogas. Comprando razões para viver ou formas de morrer; de ir embora do que já não faz mais sentido. O abandono é uma coisa que não faz sentido, como tantas outras que não deixam de existir por isso. "Ninguém normal te abandonaria" já me disseram. Mas a verdade é que eu mesma me abandono sempre que posso. Só que sou obrigada a voltar. Abandono tudo o que me diz respeito... E olha, moça, eu te invejo que possa realmente fugir de mim. Invejo. Mas, afinal, quem define o que é normal? Não sejamos normais. Sejamos individualistas. Sejamos abandonadores natos. Abandonarei essa reflexão. Que não faz sentido. E que tudo que não faça sentido, também seja abandonado. (Menos o ato de abandonar.) Que seja!

Lua linda sua

Olha a lua lá no céu. 
Oi lá! Luar! 

Olha a lua linda longe, 
Longo o olhar... 

Olha a lua toda prata, 
Variando em cascata, 
Aprendendo a namorar. 

Oi lua, canta comigo! 
Olha lá meu ombro amigo... 
Que insiste em iluminar. 

Olha a lua toda bela! 
Pensa em mim, olha pra ela, 
Que ela também olha pra cá. 

Olha a lua, linda a rua, 
Que com verso tão singelo 
Pinta o chão de amarelo 
Só para te ver passar. 

Olha a lua lá no céu 
Oi lá, luar! 

Olha a lua indo embora até cansar; 

Se ela volta? Volta, amigo! 
Só que sem você comigo 
Ela não vai mais brilhar.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Leilão do fim do dia

Não vale um novo dia
Vai valer uma vida?
Não vale um novo enredo
Nem uma noite sem medo
Não vale minha própria alegria.

Mas vale o preço da paz?
Dá pra comprar um futuro?
Se valer, o passado ela traz?
Tá valendo um drink ou mais?
Ainda vale um rabisco num muro?

To vendendo a preço de pano!
Vendo também atacado!
Troco pelo bem de quem amo
Parcelado, à vista ou fiado.

Quanto vale então uma alma
Dilacerada e corrompida?
Antes valesse uma vida
Nem assim me escolheria 
Se não me compra a calma
A paz de quem eu compraria?

Mas hoje não vale um poema
Ou qualquer coisa pequena
A salvação valeria?
Se não houvesse problema 
Pelo bem de alguém que amo
Minha alma, sem dó, venderia.

domingo, 10 de abril de 2016

A avó no sobrado


Por que você não desce? 
Vem, me faz um café, 
Uma frase, um carinho... 
O mundo parece sozinho. 
Desce as escadas devagarinho, 
Me põe outra vez no colo 
E faz cafuné. 

Vem ver o jardim, tá lindo! 
Logo mais o outono vai indo 
E está coberto de flores. 
Senta aqui na sala, 
Me ajuda a decorar a fala 
Que conta sobre seus amores. 

A casa não tá arrumada, 
Desce aqui pra ver! 
A vida tá toda errada 
Desde que deixou de descer. 
A louça mal tá lavada 
E a minha alegria largada 
Em algum canto de você. 

As luzes estão todas acesas 
Mas não há quem desligue. 
Não vou tocar nas paredes. 
Há papeizinhos nas mesas 
Então desça e implique. 

Eu sentei no seu cantinho, 
Levanta e vem me tirar! 
Mudei seu canal preferido, 
Quero atenção e carinho, 
Mas você não vem me dar... 

Deixa a cama, desce a escada. 
Traz ele junto contigo. 
A mim já não resta nada, 
Não aguento a caminhada 
Sem o teu abraço amigo. 

Então desce mais uma vez 
Vem pra sala, cozinha, jardim... 
Há tanto vazio em mim... 
E embora estejam lá em cima 
Sinto falta de vocês!

Tolerância

Sei que não devo satisfações da minha vida, tampouco me importo com opiniões sobre ela, mas esse texto não é sobre mim. É sobre um hábito horrível que temos. Então esse texto é um apelo, para que atitudes sejam repensadas. Sei que não vai chegar até quem deveria atingir e espero que grande parte dos meus amigos entenda sem esforços o que estou querendo dizer/pedir/implorar. Se me entenderem, isso basta! Basta para que esse erro permaneça sempre longe de nossas atitudes. 

Certa vez li um artigo sobre o Brad Pitt dizendo algo como "Minha mulher lidera ONGs, elabora projetos, adota crianças que precisam de cuidados especiais, mas o que mais sabem dizer quando olham pra ela é o quanto emagreceu e o quanto era mais bonita antes". Pra quem não sabe, a Jolie agora está internada. Naquela clínica hoje encontra-se um ser humano fantástico! Mas as pessoas ainda insistem em dizer que está internada uma "atriz hollywoodiana que já não é tão bonita quanto antes". 
Esse é o problema. O quanto limitamos as pessoas, as relações, os sentimentos, o mundo!

É sobre isso que quero falar. Sobre a facilidade que temos em julgar sem saber os motivos. Não que eles precisem existir... Não que julgar seja um direito nosso... 
Já passou da hora do mundo entender que qualquer um pode emagrecer, engordar, raspar o cabelo ou qualquer outra coisa, somente porque quer! E ninguém tem nada a ver com isso!
Não digo que nunca julguei... Posso já ter sido bem idiota, mas a vida vem me dando tapas na cara que me fazem repensar as coisas; e eu seria ainda mais idiota se não aprendesse com eles.
Qual a relação desse apelo comigo? Pois bem... Muitos dos que já conviveram comigo podem nem imaginar, mas eu já tive distúrbios alimentares. Digo no plural pois não foi somente um tipo. E eles pioravam de acordo com os problemas externos. Mas não quero que isso vire uma espécie de terapia virtual, jamais! Estou me expondo como exemplo porque se apenas uma pessoa da minha rede de amigos se identificar, sentirei que minha mensagem foi entregue. E, na adolescência o distúrbio era, dos meus problemas, o menor.
Quem sempre esteve por perto sabe o quanto lutei (e luto) contra isso. Não estou nem falando de padrões, estou falando de dores mesmo. Dores no estômago, idas a hospitais, rotina alimentar...
Mas voltando ao foco: o que eu quero que entendam é apenas que quem sofre de algum distúrbio ou acaba "simplesmente engordando/emagrecendo/mudando" às vezes está passando por problemas tão horríveis que fazem seus comentários maldosos parecerem inofensivos. Eu disse "PARECEREM" mas não são!!! Não para todos...

Ninguém gosta de ouvir críticas destrutivas. Tem gente que se machuca demais com isso. Então, se seu comentário for negativo, guarde-o para você! Não complique a vida do outro para tentar melhorar a sua. Acredite: não vai melhorar! Você nunca será mais bonito porquê, no SEU conceito, o coleguinha engordou ou emagreceu demais. Essa lógica é doentia e esse propósito limitado definitivamente nunca será o caminho para a felicidade.
Eu já sofri bastante com isso até aprender a realmente não me importar. Mas, como eu disse, não se trata de mim. Não tenho interesse, muito menos tempo para ouví-los. Mas há pessoas por aí que ainda escutam. Há gente por aí sofrendo porque ouviu na escola um "Nossa, você engordou". Há pessoas que se atingem, há comentários que machucam e as palavras podem até levar à morte! Eu vejo gente sofrendo com isso o tempo todo pois meus olhos estão atentos.
"Na minha época bullying não existia" é a chave para o retrocesso. Existia sim. Existia bullying, existia maldade, existia futilidade... A verdade é que, na sua época, no seu meio de convivência, vocês talvez fossem covardes demais para enfrentar isso e preferiam tratar como "frescura" e botar panos quentes.

Um comentário trivial pode ser dos males o menor. Mas nem todos pensam assim! Os que me conhecem bem sabem do incrível dom que tenho para suportar coisas. E não digo isso como mérito! Afirmo pois, talvez seja a única pura e autêntica qualidade que tenho. Então não se preocupem comigo... Se preocupem com o que a sociedade tem feito a quem não pode suportar. Se preocupem com seus filhos, irmãos, amigos, colegas, quando eles menosprezam ou julgam alguém por peso, aparência, mudanças ou gostos! Se preocupem com brincadeiras inofensivas ou "cutucadas" diárias. 

O mundo não precisa de cutucadas. O mundo precisa de gente disposta a curar feridas!

Arrogância minha afirmar o que o mundo precisa? Pode ser! Mas sinto que sei, porque vivo nele. Não vivo em uma realidade paralela que ignora problemas. E se às vezes me transporto a essa realidade, peço aos amigos que me tragam de volta. 

Apenas se lembrem que mudar fisicamente é um direito e, mais cedo ou mais tarde, isso também acontece com você! E mudar espiritualmente é um dever, segue quem quer, quem consegue... No mais, paciência!
Então não seja cruel crucificando alguém por um detalhe, numa sociedade já tão carente e insegura. 

É clichê meu apelo, mas parece que mesmo assim não entendem: mais aceitação! Mais respeito! Mais valorização! Mais empatia! Mais amor!
E sigo com a tarefa diária de tentar entender que todos nós temos problemas e ouvir/respeitar ideias alheias. E sei que não sigo sozinha. Mas juro que às vezes ainda me pergunto "quem mais segue comigo"?

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Foto enigma

Nessa foto-enigma há parte do que eu amo. 
Há parte de mim. 
Há fim de começo, 
E começo de fim. 

Enfim, 
Meu olhar do sol voltando.

sábado, 2 de abril de 2016

Alguns passos do fim

Caminhando lentamente, com os pés fracos e a mente vazia, foi deixando para trás todos os sonhos que já nem tinha mais. Caminhando em suspeita paz. Em paz de morte. De quem desistiu. E nem viu que tanta gente caminhava logo atrás.
Se julgando sozinha só guiou seus seguidores. Que ao tentarem desviar o caminho só se afundavam. E ela andou tão lenta que muita gente a ultrapassou. Parou por um tempo, beijou quem amava, chorou, mentiu e voltou. Mas depois seguiu andando, com seus olhos implorando para que não pense mais.
Logo foi desintegrando. O vento foi batendo e nem viu que estava morrendo nas curvas que a vida faz. Com seu olhar oprimido, guardou em um canto da face, somente pra quem a notasse, seu antigo sorriso escondido. 
E no fundo o coração carregava tanta mágoa não procedente que já nem mais processava. E havia tanta alegria ausente que naquele caminhar árduo esqueceu-se de quem amava.
Mas os devotos iam seguindo, e pra onde estavam indo talvez até houvesse pausa. Só que naquele caminho repetido, muita gente havia morrido, e já não havia mais descanso, só pranto naquela causa.
Seguindo com sua paz estranha, jamais seguira sozinha apesar da rebeldia. E com os súditos de seu amor, carregando-os para o inferno, com o mesmo olhar terno; era o fim que procurava.
Pois leve, caminho estreito!
Pois não há mais outro jeito...
Me mostre de vez a jornada que seguirei contrariada, mas que não hei de ignorar.
Não cogito desistência; por caráter ou demência, hoje não há resistência. 
Nesse abismo de plena dor, pularei então por amor, para reaprender a amar.


domingo, 27 de março de 2016

Amor-te

Morrer de desamor dá poema.

De amor, dá problema.

E de mágoa dá dor.


Pior é morrer sem sentido.

Viver sem ter vivido,


Melhor é morrer de amor. 

sexta-feira, 25 de março de 2016

Morrendo no beco do centro

Cada dia a gente morre...
E morrer sangra.
A gente morre na rua, no bar, no som, no samba, nos versos, no dom.
A gente morre porque não sabe aceitar...
Não sabe superar...
A gente grita que é livre pra tentar se soltar...
A gente pinta a parede
E morre de sede
Pra água sobrar.

Todo dia a gente morre.
A gente se assusta.
A gente chora, grita, implora...
Mas no fim ignora.
A gente vê gente na rua morrendo ainda mais!
E a gente morre fingindo que tanto faz.

Todo dia alguém a mais nasce.
E nasce pra morrer também.
Nasce pra fazer o bem que a gente não é capaz.
Nasce na cama, na rua, no lixo, na lama ou na lua,
E não para de nascer mais.

Todo o dia a gente escreve pra eternizar.
Pra ficar vivendo...
Pra mostrar que sabe amar.
Mas continua morrendo
Porque não sabe gritar.

Cada dia que alguém morre


Nasce alguém pra eternizar.


Ainda sendo Pandora, nos versos sem bem e sem fim

Elaborei com carinho um poema de registro dos infortúnios do destino. Como uma caixa de Pandora, que guarda os monstros que eu consegui prender e tenho medo de libertar.
Em tantas linhas, tantas dores, mal consigo completar.
Pois escrevo um verso e já acontece outro.
Me lembro de um anuário de poetas que ficava na cabeceira da minha avó... Me parecem ter o mesmo peso; com suas mil e oitocentas paginas.
Repetitivo.
Só não entendo porque ainda registro em tom de "E então destino, não consegue fazer melhor?"


Vindo agora, sendo Pandora, os próximos versos já sei de cor.

Aniversário Milene - 13 de março de 2016


Petistas e psdbistas, pausa na porradaria porque agora tem textão de aniversário pra mulher mais incrível desse facebook...
Esses dias eu li um artigo mostrando que, de alguma forma, toda mãe já agiu de maneira opressora, machista ou controladora. Ok, exageros a parte, estou contando isso a vocês só para compartilhar a minha resposta ao artigo.
Minha mãe engravidou na adolescência e aborto nem passou pela sua cabeça. Não passou pois certamente desde então já tínhamos uma ligação indescritível. Sofreu as consequências disso pois (PASMEM!)  existe gente que ainda não olha na cara de mulher grávida sem marido.
Minha mãe também sofre do Transtorno Afetivo Bipolar, o que, apesar de todo sofrimento, é uma dádiva, pois eu tenho a mãe que mais precisa/sabe dar afeto do mundo.
Minha mãe também é uma feminista nata. Ela não suporta injustiça e nunca aceitou ou precisou de ajuda de homem nenhum. E, apesar de ser nitidamente a pisciana clichê (romântica e distraída) ela deve ter algum planeta em Áries, porque quebra tudo quando mexem com quem ela ama. (Mas quebra de verdade gente, eu não to brincando!)
Minha mãe também é linda. Linda mesmo! Linda pra caralho! E, acreditem, isso é um problema, pois teve que enfrentar desvalorização de todo seu estudo e seu trabalho por comentários invejosos, afinal "ela conseguiu tal coisa porque é bonita!".
Minha mãe também tem personalidade forte. Usou batom preto e saia curta na adolescência. Dançava até o pé sangrar, amanhecia na rua e tocava violão em rodas de amigos, mesmo quando diziam que "isso não é coisa de mulher direita". A boemia ainda não é muito bem aceita pela sociedade porque trata-se de gente feliz, que cria, transforma, move o mundo e grita as dores dos que não se enquadram. Mas enfim...
Pra ferrar tudo de vez...
Minha mãe é artista. Nasceu artista. Tem alma de artista. Ama como artista. Luta como artista. Ama a lua e ainda mais o sol. Ama o mar e as cachoeiras. É amante da natureza, da guerra, da paz, do oculto, do misticismo. É filha de Iemanjá. Canta e toca violão desde criança. Nasceu sabendo desenhar, pintar quadros, bordar, fazer tricô, crochê, artesanato e todas essas demais coisinhas das quais eu me aproveito. 😁
É uma pisciana, artista, bipolar. E imaginem vocês o quanto a sociedade não julga isso!... O quanto a sociedade não repete "ela não é uma boa mãe", "ela faz tudo errado" e coisas do tipo! (Sim, a sociedade segue sendo bem burra e querendo controlar até a nossa maneira de amar.)
Mas, voltando agora ao artigo citado no início do texto: NÃO querido artigo, minha mãe nunca me oprimiu! Minha mãe nunca me cobrou, ela me aceita do jeito que eu sou. Minha mãe nunca me bateu, ela explicava as coisas e eu entendia. Minha mãe nunca esperou que eu arranjasse um bom marido, ela só apoia minhas escolhas! Minha mãe me aceitaria lésbica, atriz, circense, bipolar, de direita, de esquerda, sem um braço, sem uma perna, sem a alma ou seja lá como eu fosse! (Sempre apontando meus erros e me ensinando, claro!). 
Minha mãe aceitou que eu fosse embora, e eu sei o quanto isso doeu pra ela...
E ela um dia me disse "Filha, não importa o que falem de mim, o que eu seja, ou o que você faça... Eu SEMPRE vou estar aqui para te apoiar".
Então concluo que mãe é isso. Não o que a sociedade ou um artigo tentam definir. Alguém que, dentro de um padrão ou não, vai estar ali pra limpar suas feridas, mesmo que não consiga limpar nem mesmo as dela.
A sociedade não sabe nada sobre amor, respeito e gratidão. A sociedade não sabe amar. A sociedade não sabe realmente o que é ser mãe. A sociedade não te conhece, mãe! Pois não há quem não te ame depois de te conhecer!
Por isso, querido artigo, não inclua a minha mãe nesse "toda mãe" citado. Pois minha mãe não se encaixa numa fórmula pré-fabricada de mãe. 
Minha mãe é mais do que vocês podem definir.
Minha mãe, pra minha sorte, não é uma mãe convencional que merece um prêmio, uma casa, um marido, um cachorro, um avental e uma vassoura! (E agradeço todos os dias por isso!)

Parabéns mãe, por tudo que eu demoraria anos pra citar.
Obrigada!
E conte sempre comigo, pra TUDO! Como você mesma disse um dia: "eu nunca vou te julgar."
É isso. Eu nunca vou te julgar! E os julgamentos alheios não importam. Não ligue pra essas caras tristes fingindo que a gente não existe. Sentadas, são tão engraçadas.... Donas das suas salas...

Te amo, melhor mãe, amiga, pisciana,  bipolar, deusa e tudo de incrível do mundo! Feliz aniversário!

Não sei te fazer me amar a mais

Repentinamente você se fecha e ficamos vivendo vidas paralelas, romances paralelos, terças-feiras paralelas e dialogamos por telepatia. Eu sei o que você quer e sei que o contrário também ocorre. Mas permanecemos assim, aguardando um fim que não chega... Ou um começo que não começa. E respiro minha apatia.
Então você faz sua história. Finge que vai embora. Se tranca no banheiro. Arruma o cabelo. Coloca música no celular como se isso fosse me despertar. Mas agora sou fria, e mais uma vez não me movo até que o mundo me tire tudo de valor. E assim continuo apática, como sempre fui. A vida me levando o que amo e sigo apenas olhando. Se quer ir embora, vá. Pois fique no banheiro por horas. As musicas? Já nem ouço mais.
Os dias me tiram coisas. Coisas que o amor traz.
Essa apatia deveria esconder o verdadeiro medo que tenho de te perder, sabendo que é para isso que caminhamos. Quando não sei mais amar, apenas não me movo, não respiro, não arrisco, não vivo, não fico, não corro. E quando amo demais, também! Então não temos como saber...
E passem mais anos de noites, só sei que não sei viver.
Somos opostos; e ninguém fala nada. O outro espera que a iniciativa seja tomada; e na calada da noite perdemos mais minutos juntos. Nisso somos iguais. Uma pena! Um dia, apenas! Só minutos a mais.
Ou a menos.

Pro seu bem, me ignore, ao menos, como as pessoas normais.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Mil miragens

Vontade de sumir.
Virar pó de estrela.
Virar barquinho de mar.
Desses a naufragar.
Ou de virar grão de areia.
Virar pedra bruta brilhante
Voar pra um céu de diamante
Ou ser levada por sereia.
Queria escrever poesia
Me transformar em tinta azul
Rabiscar de norte a sul
Ser metáfora de alegria.
Vontade de ser personagem.
Virar Pagu, Olga ou Frida.
Ser céu, noite, sol ou vida.
Virar ideia ou miragem.
Vontade de aparecer;
Do outro lado da rua
Em algum lugar do mundo.
Pra num poema profundo,
Morrer e ser brilho da lua.