sexta-feira, 25 de março de 2016

Aniversário Milene - 13 de março de 2016


Petistas e psdbistas, pausa na porradaria porque agora tem textão de aniversário pra mulher mais incrível desse facebook...
Esses dias eu li um artigo mostrando que, de alguma forma, toda mãe já agiu de maneira opressora, machista ou controladora. Ok, exageros a parte, estou contando isso a vocês só para compartilhar a minha resposta ao artigo.
Minha mãe engravidou na adolescência e aborto nem passou pela sua cabeça. Não passou pois certamente desde então já tínhamos uma ligação indescritível. Sofreu as consequências disso pois (PASMEM!)  existe gente que ainda não olha na cara de mulher grávida sem marido.
Minha mãe também sofre do Transtorno Afetivo Bipolar, o que, apesar de todo sofrimento, é uma dádiva, pois eu tenho a mãe que mais precisa/sabe dar afeto do mundo.
Minha mãe também é uma feminista nata. Ela não suporta injustiça e nunca aceitou ou precisou de ajuda de homem nenhum. E, apesar de ser nitidamente a pisciana clichê (romântica e distraída) ela deve ter algum planeta em Áries, porque quebra tudo quando mexem com quem ela ama. (Mas quebra de verdade gente, eu não to brincando!)
Minha mãe também é linda. Linda mesmo! Linda pra caralho! E, acreditem, isso é um problema, pois teve que enfrentar desvalorização de todo seu estudo e seu trabalho por comentários invejosos, afinal "ela conseguiu tal coisa porque é bonita!".
Minha mãe também tem personalidade forte. Usou batom preto e saia curta na adolescência. Dançava até o pé sangrar, amanhecia na rua e tocava violão em rodas de amigos, mesmo quando diziam que "isso não é coisa de mulher direita". A boemia ainda não é muito bem aceita pela sociedade porque trata-se de gente feliz, que cria, transforma, move o mundo e grita as dores dos que não se enquadram. Mas enfim...
Pra ferrar tudo de vez...
Minha mãe é artista. Nasceu artista. Tem alma de artista. Ama como artista. Luta como artista. Ama a lua e ainda mais o sol. Ama o mar e as cachoeiras. É amante da natureza, da guerra, da paz, do oculto, do misticismo. É filha de Iemanjá. Canta e toca violão desde criança. Nasceu sabendo desenhar, pintar quadros, bordar, fazer tricô, crochê, artesanato e todas essas demais coisinhas das quais eu me aproveito. 😁
É uma pisciana, artista, bipolar. E imaginem vocês o quanto a sociedade não julga isso!... O quanto a sociedade não repete "ela não é uma boa mãe", "ela faz tudo errado" e coisas do tipo! (Sim, a sociedade segue sendo bem burra e querendo controlar até a nossa maneira de amar.)
Mas, voltando agora ao artigo citado no início do texto: NÃO querido artigo, minha mãe nunca me oprimiu! Minha mãe nunca me cobrou, ela me aceita do jeito que eu sou. Minha mãe nunca me bateu, ela explicava as coisas e eu entendia. Minha mãe nunca esperou que eu arranjasse um bom marido, ela só apoia minhas escolhas! Minha mãe me aceitaria lésbica, atriz, circense, bipolar, de direita, de esquerda, sem um braço, sem uma perna, sem a alma ou seja lá como eu fosse! (Sempre apontando meus erros e me ensinando, claro!). 
Minha mãe aceitou que eu fosse embora, e eu sei o quanto isso doeu pra ela...
E ela um dia me disse "Filha, não importa o que falem de mim, o que eu seja, ou o que você faça... Eu SEMPRE vou estar aqui para te apoiar".
Então concluo que mãe é isso. Não o que a sociedade ou um artigo tentam definir. Alguém que, dentro de um padrão ou não, vai estar ali pra limpar suas feridas, mesmo que não consiga limpar nem mesmo as dela.
A sociedade não sabe nada sobre amor, respeito e gratidão. A sociedade não sabe amar. A sociedade não sabe realmente o que é ser mãe. A sociedade não te conhece, mãe! Pois não há quem não te ame depois de te conhecer!
Por isso, querido artigo, não inclua a minha mãe nesse "toda mãe" citado. Pois minha mãe não se encaixa numa fórmula pré-fabricada de mãe. 
Minha mãe é mais do que vocês podem definir.
Minha mãe, pra minha sorte, não é uma mãe convencional que merece um prêmio, uma casa, um marido, um cachorro, um avental e uma vassoura! (E agradeço todos os dias por isso!)

Parabéns mãe, por tudo que eu demoraria anos pra citar.
Obrigada!
E conte sempre comigo, pra TUDO! Como você mesma disse um dia: "eu nunca vou te julgar."
É isso. Eu nunca vou te julgar! E os julgamentos alheios não importam. Não ligue pra essas caras tristes fingindo que a gente não existe. Sentadas, são tão engraçadas.... Donas das suas salas...

Te amo, melhor mãe, amiga, pisciana,  bipolar, deusa e tudo de incrível do mundo! Feliz aniversário!