sexta-feira, 25 de março de 2016

Morrendo no beco do centro

Cada dia a gente morre...
E morrer sangra.
A gente morre na rua, no bar, no som, no samba, nos versos, no dom.
A gente morre porque não sabe aceitar...
Não sabe superar...
A gente grita que é livre pra tentar se soltar...
A gente pinta a parede
E morre de sede
Pra água sobrar.

Todo dia a gente morre.
A gente se assusta.
A gente chora, grita, implora...
Mas no fim ignora.
A gente vê gente na rua morrendo ainda mais!
E a gente morre fingindo que tanto faz.

Todo dia alguém a mais nasce.
E nasce pra morrer também.
Nasce pra fazer o bem que a gente não é capaz.
Nasce na cama, na rua, no lixo, na lama ou na lua,
E não para de nascer mais.

Todo o dia a gente escreve pra eternizar.
Pra ficar vivendo...
Pra mostrar que sabe amar.
Mas continua morrendo
Porque não sabe gritar.

Cada dia que alguém morre


Nasce alguém pra eternizar.