segunda-feira, 11 de abril de 2016

Leilão do fim do dia

Não vale um novo dia
Vai valer uma vida?
Não vale um novo enredo
Nem uma noite sem medo
Não vale minha própria alegria.

Mas vale o preço da paz?
Dá pra comprar um futuro?
Se valer, o passado ela traz?
Tá valendo um drink ou mais?
Ainda vale um rabisco num muro?

To vendendo a preço de pano!
Vendo também atacado!
Troco pelo bem de quem amo
Parcelado, à vista ou fiado.

Quanto vale então uma alma
Dilacerada e corrompida?
Antes valesse uma vida
Nem assim me escolheria 
Se não me compra a calma
A paz de quem eu compraria?

Mas hoje não vale um poema
Ou qualquer coisa pequena
A salvação valeria?
Se não houvesse problema 
Pelo bem de alguém que amo
Minha alma, sem dó, venderia.