domingo, 10 de abril de 2016

Tolerância

Sei que não devo satisfações da minha vida, tampouco me importo com opiniões sobre ela, mas esse texto não é sobre mim. É sobre um hábito horrível que temos. Então esse texto é um apelo, para que atitudes sejam repensadas. Sei que não vai chegar até quem deveria atingir e espero que grande parte dos meus amigos entenda sem esforços o que estou querendo dizer/pedir/implorar. Se me entenderem, isso basta! Basta para que esse erro permaneça sempre longe de nossas atitudes. 

Certa vez li um artigo sobre o Brad Pitt dizendo algo como "Minha mulher lidera ONGs, elabora projetos, adota crianças que precisam de cuidados especiais, mas o que mais sabem dizer quando olham pra ela é o quanto emagreceu e o quanto era mais bonita antes". Pra quem não sabe, a Jolie agora está internada. Naquela clínica hoje encontra-se um ser humano fantástico! Mas as pessoas ainda insistem em dizer que está internada uma "atriz hollywoodiana que já não é tão bonita quanto antes". 
Esse é o problema. O quanto limitamos as pessoas, as relações, os sentimentos, o mundo!

É sobre isso que quero falar. Sobre a facilidade que temos em julgar sem saber os motivos. Não que eles precisem existir... Não que julgar seja um direito nosso... 
Já passou da hora do mundo entender que qualquer um pode emagrecer, engordar, raspar o cabelo ou qualquer outra coisa, somente porque quer! E ninguém tem nada a ver com isso!
Não digo que nunca julguei... Posso já ter sido bem idiota, mas a vida vem me dando tapas na cara que me fazem repensar as coisas; e eu seria ainda mais idiota se não aprendesse com eles.
Qual a relação desse apelo comigo? Pois bem... Muitos dos que já conviveram comigo podem nem imaginar, mas eu já tive distúrbios alimentares. Digo no plural pois não foi somente um tipo. E eles pioravam de acordo com os problemas externos. Mas não quero que isso vire uma espécie de terapia virtual, jamais! Estou me expondo como exemplo porque se apenas uma pessoa da minha rede de amigos se identificar, sentirei que minha mensagem foi entregue. E, na adolescência o distúrbio era, dos meus problemas, o menor.
Quem sempre esteve por perto sabe o quanto lutei (e luto) contra isso. Não estou nem falando de padrões, estou falando de dores mesmo. Dores no estômago, idas a hospitais, rotina alimentar...
Mas voltando ao foco: o que eu quero que entendam é apenas que quem sofre de algum distúrbio ou acaba "simplesmente engordando/emagrecendo/mudando" às vezes está passando por problemas tão horríveis que fazem seus comentários maldosos parecerem inofensivos. Eu disse "PARECEREM" mas não são!!! Não para todos...

Ninguém gosta de ouvir críticas destrutivas. Tem gente que se machuca demais com isso. Então, se seu comentário for negativo, guarde-o para você! Não complique a vida do outro para tentar melhorar a sua. Acredite: não vai melhorar! Você nunca será mais bonito porquê, no SEU conceito, o coleguinha engordou ou emagreceu demais. Essa lógica é doentia e esse propósito limitado definitivamente nunca será o caminho para a felicidade.
Eu já sofri bastante com isso até aprender a realmente não me importar. Mas, como eu disse, não se trata de mim. Não tenho interesse, muito menos tempo para ouví-los. Mas há pessoas por aí que ainda escutam. Há gente por aí sofrendo porque ouviu na escola um "Nossa, você engordou". Há pessoas que se atingem, há comentários que machucam e as palavras podem até levar à morte! Eu vejo gente sofrendo com isso o tempo todo pois meus olhos estão atentos.
"Na minha época bullying não existia" é a chave para o retrocesso. Existia sim. Existia bullying, existia maldade, existia futilidade... A verdade é que, na sua época, no seu meio de convivência, vocês talvez fossem covardes demais para enfrentar isso e preferiam tratar como "frescura" e botar panos quentes.

Um comentário trivial pode ser dos males o menor. Mas nem todos pensam assim! Os que me conhecem bem sabem do incrível dom que tenho para suportar coisas. E não digo isso como mérito! Afirmo pois, talvez seja a única pura e autêntica qualidade que tenho. Então não se preocupem comigo... Se preocupem com o que a sociedade tem feito a quem não pode suportar. Se preocupem com seus filhos, irmãos, amigos, colegas, quando eles menosprezam ou julgam alguém por peso, aparência, mudanças ou gostos! Se preocupem com brincadeiras inofensivas ou "cutucadas" diárias. 

O mundo não precisa de cutucadas. O mundo precisa de gente disposta a curar feridas!

Arrogância minha afirmar o que o mundo precisa? Pode ser! Mas sinto que sei, porque vivo nele. Não vivo em uma realidade paralela que ignora problemas. E se às vezes me transporto a essa realidade, peço aos amigos que me tragam de volta. 

Apenas se lembrem que mudar fisicamente é um direito e, mais cedo ou mais tarde, isso também acontece com você! E mudar espiritualmente é um dever, segue quem quer, quem consegue... No mais, paciência!
Então não seja cruel crucificando alguém por um detalhe, numa sociedade já tão carente e insegura. 

É clichê meu apelo, mas parece que mesmo assim não entendem: mais aceitação! Mais respeito! Mais valorização! Mais empatia! Mais amor!
E sigo com a tarefa diária de tentar entender que todos nós temos problemas e ouvir/respeitar ideias alheias. E sei que não sigo sozinha. Mas juro que às vezes ainda me pergunto "quem mais segue comigo"?