domingo, 29 de maio de 2016

Abandono

Ela partiu. Partiu e nunca mais voltou. Seria música se não fosse saudade. As pessoas às vezes decidem partir sem nem ao menos perceberem que estão partindo. Elas vão até ali "comprar um cigarro" e quando nos damos conta elas permanecem "comprando cigarro". Comprando outras drogas. Comprando razões para viver ou formas de morrer; de ir embora do que já não faz mais sentido. O abandono é uma coisa que não faz sentido, como tantas outras que não deixam de existir por isso. "Ninguém normal te abandonaria" já me disseram. Mas a verdade é que eu mesma me abandono sempre que posso. Só que sou obrigada a voltar. Abandono tudo o que me diz respeito... E olha, moça, eu te invejo que possa realmente fugir de mim. Invejo. Mas, afinal, quem define o que é normal? Não sejamos normais. Sejamos individualistas. Sejamos abandonadores natos. Abandonarei essa reflexão. Que não faz sentido. E que tudo que não faça sentido, também seja abandonado. (Menos o ato de abandonar.) Que seja!