domingo, 29 de maio de 2016

Carta à sua luz

Oi lua; 
Veja bem, seus ciclos estão malucos. As coisas estão girando por aqui e não podemos mais minguar. A senhora tenha a certeza, que seria delicadeza a sua inconstância parar. Estou tonta com seu brilho. Podemos estacionar? Por um tempo só, que seja. Bom, espero que a senhora veja o que está a arruinar. A vida está complicada e a senhora não ilumina nada que não possa sozinho brilhar. 
Eu tinha um amor, que a senhora cruzou a cabeça e já mal me sabe amar. E havia também a mulher que, mais inconstante que lua, agora encontra-se em rua, sabe-se lá o beco escuro. O mundo não está seguro. Peça pra ela voltar! 
E o casal que emoldurei? A senhora conhece bem, pois está sempre a acompanhar. Ela conversa contigo e ele lhe dava ombro amigo; e se punham a observar. Mas agora, em suas mudanças, confesso, não guardo esperanças do mundo voltar a brilhar. 
Ah lua, o que acontece? Por que o mundo adoece se a gente não acordar? 
Por que perdemos pessoas? 
E todas as lembranças boas? 
Por favor, faça voltar! 
Pois, lua, me encontro carente e com a senhora ausente não sei com quem conversar. 
Hoje já nem abro a janela. Pois quem abria era ela. E ela mal pode te olhar. 
Lua, estamos tão sós! E a senhora, que está mais perto, peça a Deus que olhe por nós!