terça-feira, 2 de agosto de 2016

Carta à sua luz lll

Lua,

É tarde.
Não lhe chamo mais "dama", "querida", "mãe"... E nem há mais mãe por aqui pra chamar.
É tarde. Já passou da hora. E na dor de outrora o frio ainda arde.

Logo mais chega a noite e volta a senhora me olhando. E covardemente, sua luz vem julgando. 

Não sei se fiz certo, e a senhora, tão perto, não me orientou.
Brilhava protetora mas, arrasadora, não senti seus cuidados. 
Hoje, ao chegar a noite, manterei os meus olhos fechados.

O sol voltou, a ambulância chegou, e a levaram chorando.
E eu, lua ingrata, hoje sem serenata, não sigo te amando.

Espero que aprenda. Não faço oferenda, desenho ou poema. Enquanto não devolveres meus sonhos, meus versos e a minha vida plena.

A senhora deixou que a levassem, por fim.
E até segunda ordem, enquanto não me ajudares, não quero mais brilho, mais noite ao luar, e te renego em mim.

Sai, Lua! 
Tirou-a da rua e levou-a de mim!