terça-feira, 23 de agosto de 2016

Sobre gentileza

Estive pensando... Há uma menina em meu curso que me irrita. 
Com pensamentos arrogantes, ideais vazios e trejeitos chamativos. 
Toda vez que eu a noto eu acho que chego a revirar os olhos e penso em ignorá-la, mesmo quando ela pede ajuda. "Por sorte ela não é problema meu!", repito como um mantra. 

Mas então, numa gavetinha escondida de minhas memórias, me surge você. E você aparece me pedindo paciência. Chega até mesmo a ficar brava dizendo coisas como "Você não foi dócil. Não te eduquei assim. Ela é só uma criança. Não a trate desse modo." 
Mas e eu, não fui criança? (Talvez não tenha sido. Não a seus olhos. Que bom!)
E já emendo um pensamento de minha avó que dizia algo como "A sua gentileza independe da dos outros." (era isso?).

Olho pra toda essa gente desagradável (com o perdão da arrogância) e penso: "Ela não faria assim. Ela teria pena. Compaixão. 
Ela não negaria ajuda. 
Ela não trataria mal. 
Poderia até se arrepender depois. Gritar. Quebrar coisas. Vociferar palavras vãs e a célebre frase: "Merda! Preciso aprender a dizer NÃO!"
Mas na hora eu sei o que você faria. 
Sei que não negaria um sorriso, uma ajuda, um olhar... 
E assim sigo, às vezes, sendo amável com gente que não gosto. 

Você pode ter errado em muita coisa; mas você me ensinou a não odiar completamente; mesmo com seus ataques de fúria, suas confusões ou desestabilização emocional. 
 Ensinou amar. 
Ensinou o amor. 
Me ensinou que todo mundo vale alguma coisa. E gostaria que descobrisse o seu próprio valor. Valor mesmo! Livre de cobranças, méritos ou vantagens. O valor de sua alma. 
Você me ensinou que amar não é saber reconhecer um bom favor. O amor independe de tratos ou ganhos. E isso já vale por uma vida