terça-feira, 2 de agosto de 2016

Trilha de pedras rústicas

Caminhando lentamente, com os pés fracos e a mente vazia, foi deixando para trás todos os sonhos que já nem via. Caminhando em suspeita paz. Em paz de morte. De quem desistiu. E nem viu que tanta gente caminhava logo atrás.

Se julgando sozinha guiou seus seguidores. Que ao tentarem desviar em tal caminho sem flores só se afundavam. 
E ela andou tão lenta que muita gente a ultrapassou. Parou por um tempo, beijou quem amava, chorou, mentiu e voltou. Mas depois seguiu andando, com seus olhos implorando para que não vissem mais.
Para que o mundo apagasse.
Desistiu da paz.

Logo foi desintegrando. O vento foi batendo e nem viu que estava morrendo nas curvas que a vida faz. 

Com seu olhar oprimido, guardou em um canto da face, somente pra quem a notasse, seu antigo sorriso escondido. 
E no fundo o coração carregava tanta mágoa não procedente que já nem mais processava. E havia tanta alegria ausente que naquele caminhar árduo esqueceu-se de quem amava.

Mas os devotos iam seguindo e, pra onde estavam indo, talvez até houvesse pausa. Só que naquele caminho repetido, muita gente havia morrido, e já não havia mais descanso, só pranto naquela causa.
Seguindo com sua paz estranha, jamais seguira sozinha apesar da rebeldia. E com os súditos de seu pranto, carregando-os para o inferno, com o mesmo olhar terno; era o fim que procurava.
Saltava qualquer abismo. Repousava em qualquer canto.

Pois leve, caminho estreito!
Pois não há mais outro jeito...
Me mostre de vez a jornada que seguirei contrariada, mas que não hei de ignorar.
Não cogito desistência; por caráter ou demência, hoje não vou recuar. 
Nesse abismo de plena dor, pularei então por amor, para reaprender a amar.