domingo, 27 de março de 2016

Amor-te

Morrer de desamor dá poema.

De amor, dá problema.

E de mágoa dá dor.


Pior é morrer sem sentido.

Viver sem ter vivido,


Melhor é morrer de amor. 

sexta-feira, 25 de março de 2016

Morrendo no beco do centro

Cada dia a gente morre...
E morrer sangra.
A gente morre na rua, no bar, no som, no samba, nos versos, no dom.
A gente morre porque não sabe aceitar...
Não sabe superar...
A gente grita que é livre pra tentar se soltar...
A gente pinta a parede
E morre de sede
Pra água sobrar.

Todo dia a gente morre.
A gente se assusta.
A gente chora, grita, implora...
Mas no fim ignora.
A gente vê gente na rua morrendo ainda mais!
E a gente morre fingindo que tanto faz.

Todo dia alguém a mais nasce.
E nasce pra morrer também.
Nasce pra fazer o bem que a gente não é capaz.
Nasce na cama, na rua, no lixo, na lama ou na lua,
E não para de nascer mais.

Todo o dia a gente escreve pra eternizar.
Pra ficar vivendo...
Pra mostrar que sabe amar.
Mas continua morrendo
Porque não sabe gritar.

Cada dia que alguém morre


Nasce alguém pra eternizar.


Ainda sendo Pandora, nos versos sem bem e sem fim

Elaborei com carinho um poema de registro dos infortúnios do destino. Como uma caixa de Pandora, que guarda os monstros que eu consegui prender e tenho medo de libertar.
Em tantas linhas, tantas dores, mal consigo completar.
Pois escrevo um verso e já acontece outro.
Me lembro de um anuário de poetas que ficava na cabeceira da minha avó... Me parecem ter o mesmo peso; com suas mil e oitocentas paginas.
Repetitivo.
Só não entendo porque ainda registro em tom de "E então destino, não consegue fazer melhor?"


Vindo agora, sendo Pandora, os próximos versos já sei de cor.

Aniversário Milene - 13 de março de 2016


Petistas e psdbistas, pausa na porradaria porque agora tem textão de aniversário pra mulher mais incrível desse facebook...
Esses dias eu li um artigo mostrando que, de alguma forma, toda mãe já agiu de maneira opressora, machista ou controladora. Ok, exageros a parte, estou contando isso a vocês só para compartilhar a minha resposta ao artigo.
Minha mãe engravidou na adolescência e aborto nem passou pela sua cabeça. Não passou pois certamente desde então já tínhamos uma ligação indescritível. Sofreu as consequências disso pois (PASMEM!)  existe gente que ainda não olha na cara de mulher grávida sem marido.
Minha mãe também sofre do Transtorno Afetivo Bipolar, o que, apesar de todo sofrimento, é uma dádiva, pois eu tenho a mãe que mais precisa/sabe dar afeto do mundo.
Minha mãe também é uma feminista nata. Ela não suporta injustiça e nunca aceitou ou precisou de ajuda de homem nenhum. E, apesar de ser nitidamente a pisciana clichê (romântica e distraída) ela deve ter algum planeta em Áries, porque quebra tudo quando mexem com quem ela ama. (Mas quebra de verdade gente, eu não to brincando!)
Minha mãe também é linda. Linda mesmo! Linda pra caralho! E, acreditem, isso é um problema, pois teve que enfrentar desvalorização de todo seu estudo e seu trabalho por comentários invejosos, afinal "ela conseguiu tal coisa porque é bonita!".
Minha mãe também tem personalidade forte. Usou batom preto e saia curta na adolescência. Dançava até o pé sangrar, amanhecia na rua e tocava violão em rodas de amigos, mesmo quando diziam que "isso não é coisa de mulher direita". A boemia ainda não é muito bem aceita pela sociedade porque trata-se de gente feliz, que cria, transforma, move o mundo e grita as dores dos que não se enquadram. Mas enfim...
Pra ferrar tudo de vez...
Minha mãe é artista. Nasceu artista. Tem alma de artista. Ama como artista. Luta como artista. Ama a lua e ainda mais o sol. Ama o mar e as cachoeiras. É amante da natureza, da guerra, da paz, do oculto, do misticismo. É filha de Iemanjá. Canta e toca violão desde criança. Nasceu sabendo desenhar, pintar quadros, bordar, fazer tricô, crochê, artesanato e todas essas demais coisinhas das quais eu me aproveito. 😁
É uma pisciana, artista, bipolar. E imaginem vocês o quanto a sociedade não julga isso!... O quanto a sociedade não repete "ela não é uma boa mãe", "ela faz tudo errado" e coisas do tipo! (Sim, a sociedade segue sendo bem burra e querendo controlar até a nossa maneira de amar.)
Mas, voltando agora ao artigo citado no início do texto: NÃO querido artigo, minha mãe nunca me oprimiu! Minha mãe nunca me cobrou, ela me aceita do jeito que eu sou. Minha mãe nunca me bateu, ela explicava as coisas e eu entendia. Minha mãe nunca esperou que eu arranjasse um bom marido, ela só apoia minhas escolhas! Minha mãe me aceitaria lésbica, atriz, circense, bipolar, de direita, de esquerda, sem um braço, sem uma perna, sem a alma ou seja lá como eu fosse! (Sempre apontando meus erros e me ensinando, claro!). 
Minha mãe aceitou que eu fosse embora, e eu sei o quanto isso doeu pra ela...
E ela um dia me disse "Filha, não importa o que falem de mim, o que eu seja, ou o que você faça... Eu SEMPRE vou estar aqui para te apoiar".
Então concluo que mãe é isso. Não o que a sociedade ou um artigo tentam definir. Alguém que, dentro de um padrão ou não, vai estar ali pra limpar suas feridas, mesmo que não consiga limpar nem mesmo as dela.
A sociedade não sabe nada sobre amor, respeito e gratidão. A sociedade não sabe amar. A sociedade não sabe realmente o que é ser mãe. A sociedade não te conhece, mãe! Pois não há quem não te ame depois de te conhecer!
Por isso, querido artigo, não inclua a minha mãe nesse "toda mãe" citado. Pois minha mãe não se encaixa numa fórmula pré-fabricada de mãe. 
Minha mãe é mais do que vocês podem definir.
Minha mãe, pra minha sorte, não é uma mãe convencional que merece um prêmio, uma casa, um marido, um cachorro, um avental e uma vassoura! (E agradeço todos os dias por isso!)

Parabéns mãe, por tudo que eu demoraria anos pra citar.
Obrigada!
E conte sempre comigo, pra TUDO! Como você mesma disse um dia: "eu nunca vou te julgar."
É isso. Eu nunca vou te julgar! E os julgamentos alheios não importam. Não ligue pra essas caras tristes fingindo que a gente não existe. Sentadas, são tão engraçadas.... Donas das suas salas...

Te amo, melhor mãe, amiga, pisciana,  bipolar, deusa e tudo de incrível do mundo! Feliz aniversário!

Não sei te fazer me amar a mais

Repentinamente você se fecha e ficamos vivendo vidas paralelas, romances paralelos, terças-feiras paralelas e dialogamos por telepatia. Eu sei o que você quer e sei que o contrário também ocorre. Mas permanecemos assim, aguardando um fim que não chega... Ou um começo que não começa. E respiro minha apatia.
Então você faz sua história. Finge que vai embora. Se tranca no banheiro. Arruma o cabelo. Coloca música no celular como se isso fosse me despertar. Mas agora sou fria, e mais uma vez não me movo até que o mundo me tire tudo de valor. E assim continuo apática, como sempre fui. A vida me levando o que amo e sigo apenas olhando. Se quer ir embora, vá. Pois fique no banheiro por horas. As musicas? Já nem ouço mais.
Os dias me tiram coisas. Coisas que o amor traz.
Essa apatia deveria esconder o verdadeiro medo que tenho de te perder, sabendo que é para isso que caminhamos. Quando não sei mais amar, apenas não me movo, não respiro, não arrisco, não vivo, não fico, não corro. E quando amo demais, também! Então não temos como saber...
E passem mais anos de noites, só sei que não sei viver.
Somos opostos; e ninguém fala nada. O outro espera que a iniciativa seja tomada; e na calada da noite perdemos mais minutos juntos. Nisso somos iguais. Uma pena! Um dia, apenas! Só minutos a mais.
Ou a menos.

Pro seu bem, me ignore, ao menos, como as pessoas normais.