segunda-feira, 11 de abril de 2016

Leilão do fim do dia

Não vale um novo dia
Vai valer uma vida?
Não vale um novo enredo
Nem uma noite sem medo
Não vale minha própria alegria.

Mas vale o preço da paz?
Dá pra comprar um futuro?
Se valer, o passado ela traz?
Tá valendo um drink ou mais?
Ainda vale um rabisco num muro?

To vendendo a preço de pano!
Vendo também atacado!
Troco pelo bem de quem amo
Parcelado, à vista ou fiado.

Quanto vale então uma alma
Dilacerada e corrompida?
Antes valesse uma vida
Nem assim me escolheria 
Se não me compra a calma
A paz de quem eu compraria?

Mas hoje não vale um poema
Ou qualquer coisa pequena
A salvação valeria?
Se não houvesse problema 
Pelo bem de alguém que amo
Minha alma, sem dó, venderia.

domingo, 10 de abril de 2016

A avó no sobrado


Por que você não desce? 
Vem, me faz um café, 
Uma frase, um carinho... 
O mundo parece sozinho. 
Desce as escadas devagarinho, 
Me põe outra vez no colo 
E faz cafuné. 

Vem ver o jardim, tá lindo! 
Logo mais o outono vai indo 
E está coberto de flores. 
Senta aqui na sala, 
Me ajuda a decorar a fala 
Que conta sobre seus amores. 

A casa não tá arrumada, 
Desce aqui pra ver! 
A vida tá toda errada 
Desde que deixou de descer. 
A louça mal tá lavada 
E a minha alegria largada 
Em algum canto de você. 

As luzes estão todas acesas 
Mas não há quem desligue. 
Não vou tocar nas paredes. 
Há papeizinhos nas mesas 
Então desça e implique. 

Eu sentei no seu cantinho, 
Levanta e vem me tirar! 
Mudei seu canal preferido, 
Quero atenção e carinho, 
Mas você não vem me dar... 

Deixa a cama, desce a escada. 
Traz ele junto contigo. 
A mim já não resta nada, 
Não aguento a caminhada 
Sem o teu abraço amigo. 

Então desce mais uma vez 
Vem pra sala, cozinha, jardim... 
Há tanto vazio em mim... 
E embora estejam lá em cima 
Sinto falta de vocês!

Tolerância

Sei que não devo satisfações da minha vida, tampouco me importo com opiniões sobre ela, mas esse texto não é sobre mim. É sobre um hábito horrível que temos. Então esse texto é um apelo, para que atitudes sejam repensadas. Sei que não vai chegar até quem deveria atingir e espero que grande parte dos meus amigos entenda sem esforços o que estou querendo dizer/pedir/implorar. Se me entenderem, isso basta! Basta para que esse erro permaneça sempre longe de nossas atitudes. 

Certa vez li um artigo sobre o Brad Pitt dizendo algo como "Minha mulher lidera ONGs, elabora projetos, adota crianças que precisam de cuidados especiais, mas o que mais sabem dizer quando olham pra ela é o quanto emagreceu e o quanto era mais bonita antes". Pra quem não sabe, a Jolie agora está internada. Naquela clínica hoje encontra-se um ser humano fantástico! Mas as pessoas ainda insistem em dizer que está internada uma "atriz hollywoodiana que já não é tão bonita quanto antes". 
Esse é o problema. O quanto limitamos as pessoas, as relações, os sentimentos, o mundo!

É sobre isso que quero falar. Sobre a facilidade que temos em julgar sem saber os motivos. Não que eles precisem existir... Não que julgar seja um direito nosso... 
Já passou da hora do mundo entender que qualquer um pode emagrecer, engordar, raspar o cabelo ou qualquer outra coisa, somente porque quer! E ninguém tem nada a ver com isso!
Não digo que nunca julguei... Posso já ter sido bem idiota, mas a vida vem me dando tapas na cara que me fazem repensar as coisas; e eu seria ainda mais idiota se não aprendesse com eles.
Qual a relação desse apelo comigo? Pois bem... Muitos dos que já conviveram comigo podem nem imaginar, mas eu já tive distúrbios alimentares. Digo no plural pois não foi somente um tipo. E eles pioravam de acordo com os problemas externos. Mas não quero que isso vire uma espécie de terapia virtual, jamais! Estou me expondo como exemplo porque se apenas uma pessoa da minha rede de amigos se identificar, sentirei que minha mensagem foi entregue. E, na adolescência o distúrbio era, dos meus problemas, o menor.
Quem sempre esteve por perto sabe o quanto lutei (e luto) contra isso. Não estou nem falando de padrões, estou falando de dores mesmo. Dores no estômago, idas a hospitais, rotina alimentar...
Mas voltando ao foco: o que eu quero que entendam é apenas que quem sofre de algum distúrbio ou acaba "simplesmente engordando/emagrecendo/mudando" às vezes está passando por problemas tão horríveis que fazem seus comentários maldosos parecerem inofensivos. Eu disse "PARECEREM" mas não são!!! Não para todos...

Ninguém gosta de ouvir críticas destrutivas. Tem gente que se machuca demais com isso. Então, se seu comentário for negativo, guarde-o para você! Não complique a vida do outro para tentar melhorar a sua. Acredite: não vai melhorar! Você nunca será mais bonito porquê, no SEU conceito, o coleguinha engordou ou emagreceu demais. Essa lógica é doentia e esse propósito limitado definitivamente nunca será o caminho para a felicidade.
Eu já sofri bastante com isso até aprender a realmente não me importar. Mas, como eu disse, não se trata de mim. Não tenho interesse, muito menos tempo para ouví-los. Mas há pessoas por aí que ainda escutam. Há gente por aí sofrendo porque ouviu na escola um "Nossa, você engordou". Há pessoas que se atingem, há comentários que machucam e as palavras podem até levar à morte! Eu vejo gente sofrendo com isso o tempo todo pois meus olhos estão atentos.
"Na minha época bullying não existia" é a chave para o retrocesso. Existia sim. Existia bullying, existia maldade, existia futilidade... A verdade é que, na sua época, no seu meio de convivência, vocês talvez fossem covardes demais para enfrentar isso e preferiam tratar como "frescura" e botar panos quentes.

Um comentário trivial pode ser dos males o menor. Mas nem todos pensam assim! Os que me conhecem bem sabem do incrível dom que tenho para suportar coisas. E não digo isso como mérito! Afirmo pois, talvez seja a única pura e autêntica qualidade que tenho. Então não se preocupem comigo... Se preocupem com o que a sociedade tem feito a quem não pode suportar. Se preocupem com seus filhos, irmãos, amigos, colegas, quando eles menosprezam ou julgam alguém por peso, aparência, mudanças ou gostos! Se preocupem com brincadeiras inofensivas ou "cutucadas" diárias. 

O mundo não precisa de cutucadas. O mundo precisa de gente disposta a curar feridas!

Arrogância minha afirmar o que o mundo precisa? Pode ser! Mas sinto que sei, porque vivo nele. Não vivo em uma realidade paralela que ignora problemas. E se às vezes me transporto a essa realidade, peço aos amigos que me tragam de volta. 

Apenas se lembrem que mudar fisicamente é um direito e, mais cedo ou mais tarde, isso também acontece com você! E mudar espiritualmente é um dever, segue quem quer, quem consegue... No mais, paciência!
Então não seja cruel crucificando alguém por um detalhe, numa sociedade já tão carente e insegura. 

É clichê meu apelo, mas parece que mesmo assim não entendem: mais aceitação! Mais respeito! Mais valorização! Mais empatia! Mais amor!
E sigo com a tarefa diária de tentar entender que todos nós temos problemas e ouvir/respeitar ideias alheias. E sei que não sigo sozinha. Mas juro que às vezes ainda me pergunto "quem mais segue comigo"?

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Foto enigma

Nessa foto-enigma há parte do que eu amo. 
Há parte de mim. 
Há fim de começo, 
E começo de fim. 

Enfim, 
Meu olhar do sol voltando.

sábado, 2 de abril de 2016

Alguns passos do fim

Caminhando lentamente, com os pés fracos e a mente vazia, foi deixando para trás todos os sonhos que já nem tinha mais. Caminhando em suspeita paz. Em paz de morte. De quem desistiu. E nem viu que tanta gente caminhava logo atrás.
Se julgando sozinha só guiou seus seguidores. Que ao tentarem desviar o caminho só se afundavam. E ela andou tão lenta que muita gente a ultrapassou. Parou por um tempo, beijou quem amava, chorou, mentiu e voltou. Mas depois seguiu andando, com seus olhos implorando para que não pense mais.
Logo foi desintegrando. O vento foi batendo e nem viu que estava morrendo nas curvas que a vida faz. Com seu olhar oprimido, guardou em um canto da face, somente pra quem a notasse, seu antigo sorriso escondido. 
E no fundo o coração carregava tanta mágoa não procedente que já nem mais processava. E havia tanta alegria ausente que naquele caminhar árduo esqueceu-se de quem amava.
Mas os devotos iam seguindo, e pra onde estavam indo talvez até houvesse pausa. Só que naquele caminho repetido, muita gente havia morrido, e já não havia mais descanso, só pranto naquela causa.
Seguindo com sua paz estranha, jamais seguira sozinha apesar da rebeldia. E com os súditos de seu amor, carregando-os para o inferno, com o mesmo olhar terno; era o fim que procurava.
Pois leve, caminho estreito!
Pois não há mais outro jeito...
Me mostre de vez a jornada que seguirei contrariada, mas que não hei de ignorar.
Não cogito desistência; por caráter ou demência, hoje não há resistência. 
Nesse abismo de plena dor, pularei então por amor, para reaprender a amar.