quarta-feira, 29 de junho de 2016

O maior poema do mundo

Eu tenho faces sinistras. Remoer é uma delas. Eu mesma sou minha pior carrasca.
Desde novinha gosto do que me dá medo, do que me machuca, do que me assusta. Talvez me tenha sido cobrado um amadurecimento prematuro que eu busquei por vias erradas. Talvez.
Talvez eu mesma não me permita sofrer. Talvez eu me odeie por não saber resolver. Talvez eu me cobre muito mais do que viver.
Fiz um poema-tortura que faço questão de completar a cada problema que passo. Desilusões amorosas não valem. Coisas internas não valem. Problemas pequenos não valem. Está em jogo apenas o que que visivelmente e inquestionavelmente uma ponta de precipício.

São muitas estrofes remoídas. Daqui muitos anos eu volto e conto se sou dona de uma vida consideravelmente feliz ou do maior poema do mundo.

Te quero no próximo inverno

Hoje quase te perdi
Quase me perdi
Nem te reconheci
Chegou sem me beijar
Olhou sem me amar
Mas continuava lindo, por fim
Seus olhos não clamavam por mim
Mas senti que era justo 
Fiquei mal porque estava certo
Apesar dos segundos torturantes
Que passei sem poder estar perto
A noite até chegou fria
Só refletindo o que eu sentia
Levando os bons dias de verão 
Dilacerando um coração
Que, embora frio, renascia.

Ensaio sobre a perda de uma paixão


Te fiz um verso em tom de adeus
Falando dos carinhos seus
Pra poder não me despedir
Pra não te olhar
Me obrigar a ir
Te ver ficar sem consentir
E pra lembrar dos olhos teus
Que, tão ingênuos
E serenos
Me lembram menos hoje os meus.
Fazendo um verso em tom de adeus
Pude chorar sem você ver
Pude tremendo escrever
O dia em que não foram meus.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Sampaleando

Na esquina da Ipiranga tem som
E tem rock na galeria.
No Ibira corrida, com tempo bom
Tem trânsito sim, todo dia!
Tem samba no centro
Não tem paz, no momento
Nesse centro desigual
Pois morador do recinto
É alegoria, não minto
Na virada cultural.

Na Oscar Freire tem madame
Vai lá no Sírio, buscar o exame!
Ou na Beneficência Portuguesa?
Se conseguir a proeza
Chegue a tempo na São João.
Se atravessar a cidade
Vem pra leste, que é felicidade
Pois tem jogo no Itaquerão.

Vai ter protesto na Paulista, viu?
Bora véi, andar na ciclovia...
Ocuparam as escolas, governador sumiu
E agora é panelaço todo dia.
Vem pra Augusta esquecer essa história
A rua que mescla trabalho e orgia

Na Indianópolis tem rapaz solteiro
A Faria Lima não é Brigadeiro!
Saudades do antigo Teatro Abril...
Falando em teatro, vamos pra Roosevelt
O Parlapatões não fecha tão cedo
E sempre tem peça que a gente não viu.

O Higienópolis, ainda sem trem
Repleta de gente da 'elite do bem'
Que não quer metrô. "Aí já é demais!"
"Vai encher meu bairro de marginais,
Que parcelam fogão nas Lojas Cem"
Voltar de busão, afinal, que mal tem?

Ah, cuidado com o Arouche à noite
Com a Mooca, não mais do que com o Carrão
E aquele sotaque "italianado"
Que sai paulistíssimo, em tom engraçado
É só o começo da imigração.

Na Liberdade nem liberdade tem
E os bolivianos invisíveis?
Fabricando tecido mal compram o pão
Assim seguimos insensíveis
E o tecido africano só paga a intenção.

Cuidado com a gíria, não diga "mermão"
Tem taxista que enrola cliente
Se entrar na 25 só sai em Março.
E tem tanto turista no Mercadão
Que às vezes enrolam até a gente.

A Estação da Luz é perto do Brás
Tem roupa barata, melhor que o Iguatemi
Mas é fácil demais se perder por ali
E se acaso o caminho não souberes mais
O metrô liga tudo, que diferença faz?

Mas cuidado é pouco na capital paulista
GLBT, militante e feminista.
O povo de Sampa não é brincadeira.
Paulistano assalta, pula na linha e morre
E é essa gente no metrô, que corre
Que carrega em suor a nação brasileira.

Foto: @gabrielrufp


Velando

Ah se soubessem os novos o clima que a morte traz
O cheiro das velas acesas
As flores manchando as mesas
A noite mostrando as presas
De sua maneira voraz.

As peles esverdeando
E aquele silêncio chegando
Ouvindo os padres cantando
Com o coração definhando.
Em nada me lembra a paz.

E os seres mais pequeninos
Que esperam na terra, ansiosos
Pelos minutos dolorosos
Em que adentramos dormindo.

E ignorando os tampões
Que nos poupam das secreções
Para nossa plena sorte.
Seguimos com lágrimas frias.

Salgadas, em plena agonia
É choro e corpo acabando
Terminamos cultuando
Mais uma vez a morte.

Em nome do imoral e dos maus costumes

Tava pensando aqui, brasileiro é um bicho engraçado né?

Que a gente tira sarro de tudo, é fato. Que perdemos mais tempo fazendo memes do que assistindo TV Senado, infelizmente também é. Mas sei lá, triste pensar que na terra de Zuêraland ainda haja tanta guerra apesar dessa sintonia bizarra que todos temos para a babaquice. Talvez tenhamos o potencial de um exército do Monty Phyton, mas isso nunca saberemos, porque a gente assiste mêmo é vlog engraçadão e segue @A_Pomba no Twitter.

O povo brasileiro é tipo a criança da família. Daquelas que apresentam o Snap do Fábio de Melo pros primos no almoço de domingo. Brasileiro é o pivete que consagra Carreta Furacão por identificação. Consagra tudo que se aproxime da falta de sentido que nossas vidas são. Brasileiro é a criança chata que apanha dando risada e termina com um "nem doeu", quando na verdade doeu sim. E dói todo dia! Dói no bolso, no ego, na alma... Dói na esperança...

Brasileiro é o pirralho que briga com o irmão por CapitãoAmericaXIronMan, BatmanXSuperman, ForaPetêXNãoVaiTerGolpe porque acredita que ainda assim vai valer a pena apanhar depois por conta da gritaria (E, sem ironia, que lindo!). O povo brasileiro é o irmão mais velho e a nossa política é o irmão mais novo que faz xixi na cama. No final é a gente que apanha da mãe; mas nóis zoa antes de apanhar. (Ô! E como zoa!!!!)

Afinal, o que importa mesmo é a esperança de um dia não termos o que detonar na net.

Brasileiro é foda! Ri do 7x1 pra ser forte. Ri pra tentar melhorar. E não melhora, mas também não desiste.

A gente tenta definir o povo brasileiro com analogias mais podres que nossas "ideologias" (entre milhões de aspas) mas acaba fazendo o que todo bom internauta mais sabe fazer: falar merda. E seguimos rindo do estado islâmico e de suas ameaças. Porque nesse país tão lindo e abençoado viver AINDA É um atentado diário.


Grata pela atenção.

Bora voltar pra exaltação ao ódio e à Carreta Furacão...

domingo, 5 de junho de 2016

O centésimo poema

Se não fossem cem poemas
Endossando tanta mágoa
Num recanto que afaga
Pra acalmar tantos problemas
Hoje, quem seria eu?

Se não fosse cada verso
Cada colo literário
Antes fosse o contrário
Nesse mundo tão disperso
Hoje, quem seria eu?

E sem as rimas cortantes
E confissões adoçadas
Palavras duras, embasadas
Em sentimentos conflitantes
Hoje, quem seria eu?

Se não fossem os cem poemas
Tais palavras e problemas
Seriam só vazio profundo.

Preenchidos com o que amamos
Sem problemas, me salvam os anos
Os cem poemas que mudam meu mundo.


Te poetizar

Agora já são dezesseis. 
Olha só! Pensem vocês, nesses poemas infindáveis. 
Já foram tantas confissões, 
E dediquei orações aos seus suspiros incansáveis. 

Agora encontro-me destruída, 
E mais uma vez me ensina, a vida, que o mundo rege nossas mudanças. 

Hoje quem me afaga é você. 
A doce criança que vi nascer 
Agora com um "quê" de protetora. 

Acompanhei tua trajetória, 
E meu maior orgulho agora 
É ser ponta em sua história. 

Pois bem, melhores amigas 
Embora o intervalo de oito anos 
 Até destruída estarei a te ajudar. 

Agradeço seu cuidado às feridas 
Por mais inúmeros dezesseis anos 
Dedicarei meus "maios" a te poetizar. 

Te amo! 
E, embora em tempestade, isso jamais será engano!

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Versos de gratidão

Pelos olhos serenos
Pelo beijo intenso
Pelo amor imenso
Por erros pequenos
Pelas fotografias
Pelas madrugadas
Pelas musicas trocadas 
Pelas poesias
Pela conexão
Pelas nostalgias
Pela dedicação
Por cada declaração 
Por tudo mais que te inclua
Por toda saudade sua 
Por nossos encontros na rua
Banhados por luz da lua
Por hoje, que renasci
Por mim, por você, por amor
Por você, por medo ou dor
Num chão sujo do metrô
Por perdão, eu aprendi.