quinta-feira, 29 de junho de 2017

Hoje não tem nota sobre ela

Há algumas reações inesperadas nela. 
Bom, não serei clichê visando torná-la única e interessante nesse amontoado de definições. 
Resumo então os dois mais importantes aspectos. 
Primeiro, ela não reage bem ao que é genuinamente bom. Elogios, abraços, olhares ternos e pedidos de desculpas. Ela não sabe lidar com a parte boa do mundo. 
Não sabe mesmo!
Suponhamos que, nesses momentos, ela tenha uma espécie de lapso que a coloca em uma letargia inabalável; e quando isso acaba nem ela mesma sabe descrever sua reação. 
Esses bons fluidos direcionados a ela sempre terminam em pedidos constrangidos de desculpas e questionamentos. "Mas falei algo que te ofende?".
Ofensa não é a questão. Insegurança é. Tudo que desestabilize seu constante estado defensivo a confunde. 
Confusão não cai bem em estômagos frágeis. E ela mal tem estômago.
Confusão e fragilidade não podem andar juntas; porque a fragilidade precisa de força e estratégia, como um exército que a defenda. 
Portanto, não a trate bem. Não foi sempre assim e, quando é, algo soa estranho. Algo soa indecente e invasivo. 
Respeito pode ser o ápice de suas demonstrações de afeto.
Na sutileza de um olhar sensato dá-se todo o seu amor. 
No segundo aspecto devemos enfatizar a insegurança em si. 
Insegura, insegura e insegura. (Caso um dia publicado, risque essa parte.)
Pois bem, esse medo constante de abandono que a circunda a torna adepta da busca pela perfeição. Não falo de forma, somente. A perfeição deve existir em cada circunstância, ato ou movimento à sua volta.
A lógica doentia é simples, porém, indestrutível:
Quanto mais longe da perfeição, mais erros. E para ela, erros configuram em abandono. Afinal, há de haver razão para abandonos sequenciais. 
Ela não vai aprender a se perdoar.
Se ela falha, até ela mesma abandona-se. 
Pune-se. 
Autoflagelação física, mental e moral. 
Ela afasta os outros por não saber viver só. E mata o amor por medo de não saber deixá-lo vivo. 
Ela não encaixa-se na poética admirável e cotidiana divulgada e aplaudida. E ela sabe o quanto não é legal ser diferente. 
O "diferente" dela não gera aplausos. Não agrega a rebeldia adorável esperada de toda garota interessante. O "diferente" dela é vil e sem graça. 
Aplaude-se o excesso de personalidade quando ele ainda não interfere nas relações sociais. Para haver aplauso, há de haver alguém. Mas quando essa quebra de padrão devolve ao mundo as próprias feridas, há punição. 
O mundo é mãe que ensina e não precisa aprender. Aprenda você. E quieto! Te enganaram e ninguém gosta de gente realmente descontextualizada. Então é dia de julgamento na geração do sol. 
Namastê e rimas de amor não são para todos. 
Porque amargar a poesia alheia não pode. É diferente além do aceito.
É ruim. É erro. É imperfeição. É abandono. É punição. 
Mais autopunição pra ela...